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| Quem tem pressa........ |
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| Escrito por Samuel José Casarin |
| Qua, 24 de Fevereiro de 2010 00:00 |
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Existem alguns ditados e provérbios da sábia cultura popular aos quais tenho apreço: “a pressa é a inimiga da perfeição” (Rui Barbosa) e “quem tem pressa come cru e quente”. Contudo, esses dois ditames não foram plenamente absorvidos pelas nossas instituições de ensino superior (IES). Dia desses vi uma propaganda de uma IES que dizia “cursos superiores a partir de 2 anos”! Ironicamente pensei: “vou matricular meu filho de três anos nessa escola e economizar um bocado de tempo – e dinheiro (ele não precisará passar pelas etapas dos ensinos infantil, fundamental e médio)”. Ironia a parte, a gente fica com a impressão que o ensino superior está sendo oferecido pelas IES na pressa de se ver livre do seu (tão caro) aluno, que ela tanto trabalha para conquistar. Por que essa pressa em formar (?) um profissional? Exigências do mercado de trabalho? Besteira! Os cursos superiores de tecnologia (CST), laureados de boas intenções, acabaram em boa parte deturpando o conceito de curso superior. Não é possível que em apenas 1600 horas ou dois anos, se forme alguém com senso crítico e analítico aprofundado. Vão dizer: “mas é para formar para o mercado de trabalho”. Besteira novamente! Longe de querer generalizar, em várias IES os cursos tecnológicos são cursos “caça níqueis”. Assim, o CST deveria existir não como um curso superior e sim como um curso aberto aos concluintes do ensino médio, tornando-se uma porta para esses alunos entrarem não só para o tal de mercado, mas também para uma graduação plena na mesma IES onde fez o CST. As faculdades, centros universitários e universidades agradeceriam! Mas isso é polêmico demais.
Muito embora algumas Diretrizes Curriculares dos cursos de graduação (DCN) façam a seguinte previsão: “Com base no princípio de educação continuada, as IES poderão incluir no Projeto Pedagógico do curso o oferecimento de cursos de pós-graduação lato sensu, nas respectivas modalidades, de acordo com o surgimento de novos ramos econômicos, e de aperfeiçoamento, de acordo com as efetivas demandas do desempenho profissional”, é preciso observar que essas mesmas DCN estabelecem que os projetos pedagógicos dos cursos devem prever “modos da integração entre graduação e pós-graduação, quando houver”. Ou seja, ao invés de esclarecer e facilitar, a redação da DCN gera a possibilidade de interpretações variadas e equivocadas.
Conseguiram (em parte) embutir na cabeça dos alunos que se ele concluir rapidamente seu curso terá maiores chances no mercado de trabalho. Pura ilusão!
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