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| Escrito por Ivan Fortunato |
| Qua, 03 de Março de 2010 14:37 |
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Quem nunca, quando criança, sonhou com o que seria quando fosse grande? Estava pensando nisso num dia desses, e até tentei contar quantas profissões já quis ser, mas desisti antes que provasse que a matemática está errada, e que de fato existe um número maior que o infinito. Com três, quatro ou cinco anos, eu me fantasiava de super-herói, e podia voar, atravessar paredes e até salvar meus companheiros (imaginários) de meteoros (imaginários) ou de monstros (não tão imaginários assim), mas nunca podia ir além do quintal de minha casa, e sempre que estava sobrevoando a cidade perdida de Tamagalópolis, era hora de jantar, de tomar banho ou de arrumar o quarto – trabalho impossível de ser realizado até por quem tem superpoderes.
Fui cientista, e hoje entendo o crime que cometia ao estudar as formigas com minha lupa... Fui motoqueiro e nunca gastei um tostão com gasolina, apenas com sorvete, combustível de minha incrível moto-bicicleta turbinada. Fui jogador de futebol, bombeiro, mecânico, professor, atleta, policial, engenheiro, cantor, arqueólogo, bandido e mocinho. Tive momentos de guitarrista de banda de rock e fui o primeiro astronauta a pisar no Sol (de noite, é claro). Conquistei o mundo e fui embaixador da paz. Desvendei mistérios do fundo do mar e solucionei problemas, que eu mesmo inventei, da matemática, da física, da química e da tognologia, ou estudo dos duendes encantados que vivem perto da entrada da caverna encantada do povo de Liliputi (sim, eu li Swift[2]). Só que fui ficando maior e mais velho, e meus pais, professores e amigos foram me trazendo para o mundo que os homens criaram, e me convencendo que não poderia ser nada do que um dia eu sonhei. E acreditei neles. Mas, ao mesmo tempo em que ia aprendendo a ser gente grande, da maneira que esperavam que eu fosse, um pedacinho de mim, bem pequeno e bem escondido, chamado sentimento, também ia crescendo, e tentando mostrar que esse pedacinho também era eu, e que precisava de atenção. A cada vez que o mundo me agredia, o sentimento ganhava força e dizia: olha eu aqui! E assim fui crescendo: estudando e aprendendo a querer ser alguém na vida, ao mesmo tempo em que não queria. Por isso, quando completei treze, catorze ou quinze anos, resolvi escutar apenas o que eu tinha para me dizer: comia quando tinha vontade, jogava bola em dia de escola e contava as estrelas de dia e tomava sol à noite. Hoje, uma década depois, consegui, finalmente, por meus pés no chão. Não devo fazer o que esperam de mim, tampouco devo fazer o que não esperam de mim. Devo fazer o que eu tenho vontade de fazer, viver meus sonhos e descobrir a minha vida. Acredito que eu vim ao mundo com uma missão: descobrir o que eu gosto de fazer, e FAZER. É difícil dizer que nascemos para ser veterinário, por exemplo, mas é fácil se apaixonar pelos animais e pela profissão que cura suas doenças. Quando escrevi meu primeiro conto, acreditaram que tinha vindo para o mundo para ser escritor. Quando escrevi o segundo, disseram que deveria ser cantor. Quando compus minha primeira canção, descobri(ram) que eu estava a anos-luz de distância da música. Agora, quando resolvi me escutar, e a perguntar quem eu era e do que eu gostava, descobri o verdadeiro sentido da vida: ser feliz! E ser feliz é você (e mais ninguém) quem vai dizer o que significa. Não é preciso procurar por uma verdadeira vocação, já que não existe um caminho; “o caminho se faz caminhando[3]”, disse o poeta. [1] Pedagogo (UNESP), Psicodramatista, MBA em Administração, Mestrando em Comunicação, autor do livro Caminhos de Fortuna. Diretor Fortunato e Silva Desenvolvimento. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. [2] Em referência ao livro As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift. [3] Palavras do poeta sevilhano António Machado. |





