03/03/2026

A Educação como Antídoto à Manipulação do Quarto Poder

Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br

Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806

 

A imprensa — seja ela impressa, audiovisual ou digital — é reconhecida na sociedade como o "quarto poder". Frequentemente, sua atuação volta-se à moldagem da opinião pública sem o devido compromisso ético, uma vez que o sistema midiático prioriza o lucro de seus acionistas acima do interesse social.

A jornalista Rachel Sheherazade[1] é enfática ao afirmar que a grande mídia raramente se preocupou com a pluralidade de vozes ou com o bem-estar do povo brasileiro. Em vez disso, comercializa ideias: quando bem remunerada, é capaz de abrir mão da ética. Um exemplo histórico foi o apoio de grandes emissoras ao Golpe Militar de 1964, cujas consequências incluíram uma ditadura que torturou e dizimou vidas, inclusive de crianças, tudo sob a conivência dos principais veículos de comunicação da época.

Historicamente, nos momentos de ruptura democrática no Brasil, a mídia desempenhou um papel fundamental na persuasão das massas, normalizando e justificando condutas vis em prol dos interesses das elites. Um exemplo contemporâneo dessa atuação são os argumentos contrários ao fim da escala 6x1. Parte da mídia tenta inculcar no cidadão a ideia de que o brasileiro "não gosta de trabalhar" ou que "trabalha pouco em relação à média mundial". Para sustentar essa narrativa, o quarto poder ecoa falas de parlamentares que afirmam que o trabalhador deve atuar até a exaustão ou que o ócio seria prejudicial a ele. Tais falácias assemelham-se aos discursos utilizados no passado para combater a abolição da escravidão, o fim do trabalho infantil e a implementação do salário mínimo e do 13º salário.

O quarto poder possui a capacidade de moldar a opinião pública e não mede esforços para manipular a massa por meio de narrativas tendenciosas. Um protesto pode ser rotulado como "vandalismo" ou, inversamente, um ato de depredação pode ser suavizado, dependendo de quem financia a narrativa. Essa oscilação ressalta uma profunda precariedade ética.

O fato é que, por meio do quarto poder, exerce-se uma violência simbólica que impõe uma visão de mundo distorcida como se fosse a única verdade possível. Isso é feito para garantir audiência e atender a interesses políticos, mascarando a função teórica da imprensa de ser a "guardiã da notícia" e os "olhos e ouvidos" da população.

Para Bernardes (2013)[2], a mídia transmite uma visão distorcida da realidade, transmutando relações de dominação em um falso paternalismo. Essa perpetuação da violência simbólica normaliza a submissão, apresentando-a como algo benéfico — como quando intervenções estrangeiras são justificadas em nome da "harmonia", ocultando interesses econômicos sobre recursos naturais. Para que tal dominação ocorra, é imperativo que o quarto poder forneça estruturas que comprometam a percepção crítica das massas.

Como contraponto a essa manipulação, a educação deve desempenhar um papel central no desenvolvimento do discernimento e da autonomia intelectual dos indivíduos. Somente por meio de uma formação crítica os cidadãos poderão buscar fontes idôneas, tirar suas próprias conclusões e cessar o consumo de mídias que operam como agentes corruptores da sociedade.

 

[1] Rachel Sheherazade Barbosa: Jornalista, apresentadora, colunista e escritora brasileira

[2] BERNARDES, C. B.. Parlamentares × jornalistas: a dinâmica política das mídias legislativas da Câmara dos Deputados. Sociedade e Estado, v. 28, n. 3, p. 663–689, set. 2013.

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