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Coluna Abigail França Ribeiro
• Registro de Diploma. Registro de Professor. Registro Profissional
Por Abigail França Ribeiro
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Registro de Diploma. Registro de Professor. Registro Profissional
01/07/2008 - Abigail França Ribeiro
Há uma confusão instalada, nos órgãos oficiais, sobre REGISTRO.

Como bons mineiros, é preciso colocar "cada qual no seu cada qual". É preciso diferenciar registro de diploma, de registro profissional, de registro de professor.

O registro de diploma é aquele que dá validade ao documento expedido pela instituição de ensino superior-IES, de acordo com o art. 48 da Lei n 9394, de 20 de dezembro de 1996.

O tema registro de diploma foi objeto de nossos escritos Cobrança de Diploma e A Confusão dos Diplomas.

O registro de professor seria o registro profissional que conferiria habilitação ao exercício do magistério. Já foi regulamentado, apenas para o exercício na Educação Básica, para professores e especialistas em educação, pela Portaria MEC nº 399, de 28 de junho de 1989. Chamado de "carteirinha do MEC", era concedido pela Delegacia do MEC no Estado onde residisse o interessado. Mas foi revogado pela Portaria MEC nº 524, de 12 de junho de 1998.

Dos professores do Ensino Superior (graduação e pós-graduação) nunca se exigiu registro profissional. Apenas comprovação de titulação, na forma da legislação.

Todas as discussões sobre o assunto foram encerradas, a partir da edição do Decreto 5.773, por força do art. 69, verbis:

"Art. 69. O exercício de atividade docente na educação superior não se sujeita à inscrição do professor em órgão de regulamentação profissional.

O registro profissional é o que confere habilitação ao exercício da profissão, e é efetivado pelos conselhos de fiscalização das profissões regulamentadas, conforme dispõe o art. 58 da Lei nº 9649, de 27 de maio de 1998.

Sobre registro profissional vamos "colar" aqui, trecho do livro Medo à liberdade e compromisso democrático: LDB e Plano Nacional de Educação/Carlos Roberto Jamil Cury, José Silério Bahia Horta, Vera Lúcia Alves de Brito, Ed. do Brasil, São Paulo, 1997, págs. 125 e 126:

"Os arts. 48-50 regulam a expedição de diplomas e sua validade para o território nacional, a transferência de alunos regulares e não regulares. Doravante os diplomas formam, titulam o graduado para o exercício profissional, mas não são mais habilitadores do exercício profissional. Eles provam a formação recebida por seu titular (Art. 48) e isto conduz a que cabe à instituição acolhedora dos serviços profissionais do graduado verificar a adequação do mesmo à área do mercado de trabalho, de acordo com o inciso XIII do Art. 5º da Constituição Federal e que diz: é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. Deve, também, ser registrada a competência privativa da União em legislar sobre as condições para o exercício das profissões, de acordo com o Art. 22, XVI da Constituição. Em seu Art. 27, a Lei nº 5.540/68 dizia que os diplomas importariam em capacitação para o exercício profissional na área abrangida pelo respectivo currículo com validade em todo o território nacional. Se agora o diploma é apenas prova de formação, segue-se que não é mais preciso que o registro profissional se veja inscrito no ministério ou nas secretarias, exceto quando a Lei (LDB ou outra) taxativamente o exigir. Neste caso, a articulação com os Conselhos Profissionais deverá ser ativada de modo a se estabelecerem padrões que não engessem e nem dispersem o caráter básico formativo dos titulados exigido por lei.".

Diversos pareceres nos dão conta dos esforços do Conselho Nacional de Educação em articular com os conselhos de fiscalização as definições sobre a formação dos profissionais. Vejamos alguns anotações e excertos.
Da Câmara de Educação Básica-CEB, os Pareceres nº 20, de 8 de maio de 2002, declarou a incompetência dos órgãos de fiscalização profissional para realizar exames de suficiência, sem o amparo de lei específica (Conselho Federal de Contabilidade), enquanto o de nº 30, aprovado em 3 de julho, expressamente negou-lhes prerrogativas para definir funcionamento de cursos e programas educacionais e/ou competência para questionar diploma expedido e registrado por órgãos próprios do sistema educacional (Conselho Regional de Farmácia/RJ)

Parecer CES nº 135, de 04 de abril de 2002, respondendo consulta sobre "a obrigatoriedade de filiação ao Conselho Regional de Educação Física, como condição indispensável ao exercício do Magistério, apresentado pelo Conselho Federal de Educação Física.": "O pedido não logrou acolhimento porque, conforme consta do Parecer-CFE 165/92, o exercício da docência - regido pelo sistema de leis de diretrizes e bases de educação nacional - não se confunde com o exercício da profissão de odontólogo, não se podendo obrigar um professor de disciplina profissionalizante de curso superior, correspondente a uma profissão regulamentada (v.g., Odontologia, Medicina, Engenharia, Direito, etc) a se inscrever no respectivo Conselho Profissional, corporativo. Exatamente por isto, não poderia, como não pode, o Conselho Federal de Educação compelir - como lhe foi requerido - a Faculdade de Odontologia ... a atender às exigências do Conselho Regional de Odontologia /DF."

Parecer CES nº 136, de 04 de junho de 2003: "... este Relator pretende somente reforçar o entendimento quanto ao papel dos Sistemas de Ensino e dos Conselhos Profissionais, cujas competências ... não são concorrentes e sim complementares, cabendo aos primeiros, por meio das instituições de ensino que os integram, a responsabilidade de assegurar formação de qualidade, e aos últimos, a responsabilidade de fornecer o correspondente registro profissional aos interessados que preencham as exigências previstas em lei, assim como fiscalizar se a profissão é exercida com competência e ética."
Os Pareceres CEB nºs 11, 12 e 14/2005, e CES 45/2006 e 29/2007, no nosso entendimento, encerram quaisquer discussões a respeito das relações entre os sistemas de ensino e os conselhos profissionais: aos primeiros compete a autorização de funcionamento de instituições de ensino e cursos, bem como seu acompanhamento, supervisão e avaliação, enquanto aos segundos cabe a fiscalização do exercício profissional.

Necessário destacar, do Parecer 12:

"Desta forma, pode-se considerar absolutamente indevidas, impróprias e inócuas as Resoluções Normativas 300/2005 e 301/2005, expedidas pelo Conselho Federal de Administração que reservam as funções de coordenadores de cursos e de professores de "matérias técnicas" dos cursos de administração e afins aos "administradores" com registro naquele Conselho.
...

II - VOTO DO RELATOR

1 - Do ponto de vista legal, não cabe qualquer ingerência dos conselhos profissionais nas atividades escolares e acadêmicas que serão reguladas pelo sistema de ensino.

2 - O exercício do magistério é questão que escapa às competências dos conselhos profissionais, estando sujeito aos regulamentos do sistema de ensino em que se inserir a instituição escolar.
Objetivamente respondendo ao requerente, afirma-se que a ação docente dos profissionais de Fisioterapia, em curso Técnico devidamente autorizado, obedece exclusivamente às exigências da legislação e normas dos sistemas de ensino.

3 - A emissão do registro profissional é de competência do conselho profissional, no entanto, não lhe é própria a competência para analisar a vida acadêmica da instituição de ensino e muito menos a partir desta análise ampliar ou restringir o campo de atuação do profissional. Assim, expedido o diploma, devidamente registrado, terá validade nacional, sem qualquer condicionante, independentemente da análise do histórico escolar do diplomado.

4 - Aprovado o presente Parecer na Câmara de Educação Básica, sugere-se, seja remetido à Câmara de Educação Superior, nos termos do Art. 31 do Regimento do Conselho Nacional de Educação."

Destacamos excertos dos Pareceres CES 45/06 e 29/07:

"Reafirmamos que as ações dos conselhos de classe devem se limitar às competências expressamente mencionadas em lei - no caso da Odontologia, à Lei nº 4.324/64, ao Decreto Lei nº 68.704/71 e à Lei n.º 5.081/66 -, cabendo-lhes, tão somente, a fiscalização e o acompanhamento do exercício profissional que se inicia após a colação de grau e a diplomação ou certificação pós-graduada de competência e habilitação, portanto após a formação acadêmica. A formação acadêmica, por seu lado, deve obedecer às normas expedidas pelos Sistemas de Ensino competentes, nos termos da Lei n.º 9.394/1996. Responda-se aos interessados nos termos deste Parecer."

"1. É competência do Conselho Nacional de Educação deliberar sobre Diretrizes Curriculares Nacionais, assim como sobre a duração, tempo de integralização e carga horária de cursos;

2. Os Conselhos Profissionais fiscalizam e acompanham o exercício profissional que se inicia após a formação acadêmica, não lhes cabendo qualquer ingerência sobre os cursos regulados pelo sistema de ensino do País."
Em algumas ocasiões os Conselhos de Representação Profissional extrapolaram suas funções.

O Conselho Federal de Psicologia, pelas Resoluções 09 e 14/00 e 02 e 07/01, obrigou as IES ao credenciamento de programas de Residência e de Especialização: com processo, comissão de avaliação, ato de credenciamento e pagamento de taxas para cobertura dos custos operacionais!

O Conselho Federal de Farmácia, pela Resolução nº 402/03, também obrigou as IES ao credenciamento de programas de Especialização: com processo, comissão de avaliação, ato de credenciamento e pagamento de taxas para cobertura dos custos operacionais!

O Conselho Regional de Psicologia de Goiás "recomendou" que docentes se registrassem. Pior! O Conselho Federal de Química editou a Resolução Normativa nº 174, de 25/01/01, determinando o registro no Conselho, para o exercício de magistério!

Preciosismo do Conselho Federal de Nutricionistas, a Resolução 280, de 30 de julho de 2002 regulamentando a inscrição profissional para os portadores dos diplomas expedidos sob a égide das Portarias MEC 1.037/02 e SESu 716/02, que trataram do reconhecimento provisório.



Sobre Abigail França Ribeiro:
Formação:
Licenciada em História. Especialista em História Moderna e Contemporânea.

Histórico:
Fundadora e Diretora Geral da CONSAE - Consultoria em Assuntos Educacionais. Especialista em Estrutura e Funcionamento de Ensino Superior. Consultora de Mantenedoras e Institui-ções de Ensino Superior. Pesquisadora da Fundação João Pinheiro. Coordenadora do Serviço de Controle e Registro Acadêmico da FJP/MG. Diretora de Projetos (1976-1998) e Coorde-nadora Geral dos cursos ministrados pela CONSAE desde 1976. Editora do Boletim de Direi-to Educacional, Indicador Educacional e da Enciclopédia de Legislação e Jurisprudência da Educação Brasileira. Participou do processo de implantação de inúmeras Instituições de Ensi-no Superior do País. É responsável por todos os cursos de Controle e Registro Acadêmico ministrados pela CONSAE.




O artigo assinado é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião da Revista Gestão Universitária.
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• Nós "curriculamos" e somos "curriculados"
Por Claudio Zarate Sanavria
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Nós "curriculamos" e somos "curriculados"
23/07/2008 - Claudio Zarate Sanavria
"O currículo é aquilo que nós, professores/as e estudantes, fazemos com as coisas, mas é também aquilo que as coisas que fazemos fazem a nós."
(SILVA,1995:194)

Quero começar minhas considerações lembrando-me de dois fatos interessantes que me ocorreram durante o meu ensino fundamental. O primeiro deles ocorreu durante a minha 3ª série, numa escola bem conceituada de minha cidade natal, onde as aulas de Educação Artística se caracterizavam pela separação de meninas, que tinham aulas de bordado, e meninos, que tinham aulas de artesanato com sucata. O segundo fato marcante se deu durante a minha 7ª série, onde as aulas de Educação Física passaram a ser mistas e os alunos agrupados pelas referências esportivas: foi a única vez que fiz esta disciplina com prazer, treinando handball. Muitos anos depois estes fatos me voltaram à mente, no momento em que me pego redigindo o título deste texto. Por que será? Por que só aprendi a costurar fora da escola? Por que fui obrigado a jogar futebol por tantos anos? Por quê?

Assim, de modo geral, começo afirmando que penso o currículo como um tema que merece uma robusta discussão, dada a sua importância na educação escolar. Silva(1999) afirma que os professores sempre estiveram envolvidos com a questão do currículo, antes mesmo deste se constituir numa área especializada de estudos. Segundo Silva(1996) há muito tempo o currículo deixou de ser um assunto meramente técnico, voltado para questões metodológicas e técnicas. Mas será que os professores, principalmente os ligados à rede pública de ensino, e até mesmo os que possuem maiores possibilidades de complementarem sua formação inicial, realmente têm noção de que discutir o currículo é um ato muito mais complexo do que a mera eleição de conteúdos científicos?

Historicamente, sabe-se que o tratamento dado ao currículo passou pelas teorias tradicionais, pelas teorias críticas, até o surgimento das teorias pós-críticas. As teorias tradicionais enfatizam o caráter neutro de científico do currículo, o que é combatido pelas teorias críticas e pós-críticas, preocupadas em questionar constantemente os conhecimentos que devem ser sistematizados, como aponta Silva(1999).
O título deste texto, inspirado na afirmação de que "nós fazemos o currículo e o currículo nos faz."(SILVA,1995:194), não objetiva revisar o tratamento histórico dado ao currículo e sim buscar elementos que possam elucidar melhor a dualidade entre fazer um currículo e ser "feito" por ele. Dessa forma, buscar-se-á o apoio de autores da área na tentativa de se traçar um caminho em busca desse esclarecimento.

Silva(1995) afirma que, ao produzir o currículo, professores e estudantes podem também ser produzidos de formas muito particulares e específicas, que dependem das relações de poder. Silva(1995) ainda defende que o currículo não se resume apenas na mera transmissão de conhecimentos e sim como um discurso que nos constitui como sujeitos. Isso deixa claro que o currículo nos faz, na medida em que permeia o processo de construção de identidade social e nos dá características particulares e específicas. Não quero aqui criar uma confusão entre a particularidade do sujeito citada e o individualismo pregado pelos teores neoliberais, uma vez que somos todos iguais sim, enquanto seres humanos dotados de direitos e deveres, e ao mesmo tempo somos todos diferentes, únicos, particulares, enquanto sujeitos social e historicamente construídos.

É importante que observemos os aspectos ideológicos que podem estar implícitos no currículo. Silva(1995) afirma que o currículo e o discurso sobre o mesmo implicam em processos de regulação e governo da conduta humana. Nesse sentido, observamos que o currículo assume um caráter de tecnologia de governo, envolvendo-se na produção de sujeitos particulares. É importante salientar que o termo ideologia não pode ser compreendido aqui como um falso conteúdo e sim como idéias que transmitem os interesses de um grupo, como afirma Silva(1996), que também defende que a ideologia certamente está no centro do processo de produção de identidades individuais e sociais no interior das instituições educacionais. Podemos visualizar de certa forma o risco de que haja a confusão entre a particularidade e o individualismo.

Nesse sentido a escola, com seu papel de certa forma culturalmente atribuído de transmissora do currículo formal, aparece como um eficaz meio de implementação desse currículo de caráter ideológico. Veiga(1995) enfatiza que a escola é constituída por duas faces contraditórias. A face conservadora defende o individual, o preparo do homem para desempenhar seus papéis sociais. A visão progressista visa uma preparação para a vida sociopolítica e cultural.

A face conservadora da escola, apontada por Veiga(1995), permite que a mesma sirva de instrumento para o que Silva(1995) define como "moldagem dos corpos", onde a determinação de posições, gestos, movimentos e comportamentos fixam os indivíduos em grupos sociais específicos. Sabemos que essa é a realidade da grande maioria das escolas e cabe nos perguntarmos se os professores estão dispostos a abandonarem esse modelo. Paraíso(1996) afirma que existe um silenciamento das questões que possam provocar reflexões e atitudes nas pessoas envolvidas no processo de ensino e aprendizagem. Além disso, ocorre também uma organização curricular que exclui o professor desse processo, transformando-o em mero executor desse currículo formal. O professor, segundo Silva(1995), também é submetido a um processo de disciplinamento, domesticação e sujeição. Dessa forma o currículo assume um caráter formador no sentido de legitimar e reforçar hierarquias sociais. Mas será que o professor, sabendo de sua condição de executor, tem vontade de "curricular"? Os movimentos trabalhistas estão dispostos a ir além das discussões salariais da docência?

Além desse caráter perpetuador das classes, presente no currículo, Carvalho(2005) chama a atenção para o fato da escola da modernidade estar participando do processo de homogeneização das nações, descaracterizando as diferenças, ou seja, ao mesmo tempo em que deixa bem definidos os limites sociais dos indivíduos, o currículo desconsidera os aspectos culturais do mesmo, ao invés de assumir uma postura de educação intercultural e multicultural. Nesse momento lembro-me de algumas colegas meninas da 3ª série querendo aprender artesanato e sendo sumariamente proibidas pela minha professora. Volto a chamar a atenção para o perigo de formarmos sujeitos individualistas julgando estar favorecendo a particularidade dos mesmos. Nós "curriculamos" quando efetivamos uma cultura e estabelecemos as diferenças entre os diversos grupos culturais. Ao mesmo tempo, vivemos a realidade de sermos "curriculados" por um modelo cultural homogêneo e padronizado, excludente, descaracterizador.

Esteban(2004) enfatiza que é prudente se pensar em escola como espaço plural. Porém o que se percebem são práticas educativas desfavoráveis àqueles que se mostram diferentes do modelo escolar. Estes acabam por ser "curriculados" no pior dos sentidos: como massas de modelar que devem se encaixar nas fôrmas do modelo escolar. Canen(2002) lembra que esse multiculturalismo representa uma ruptura epistemológica com o projeto de modernidade, cujo progresso se vincula à homogeneidade cultural.

Veiga(1995) define a face progressista da escola como uma visão da mesma sendo um espaço de luta e contestação. Essa visão vem ao encontro das afirmações de Silva(1995) sobre uma noção de poder que leva às noções associadas de libertação e emancipação. Porém, para Silva(1995), poder e saber não podem ser separados, pois se constituem em uma relação necessária. Além disso, Corazza(2001) defende que o poder agora é menos visível, mais insidioso, sem centro fixo, pois vive-se um tempo de reciclagens de ideologias, conhecimentos e comunicação. Carvalho(2005) reforça dizendo que o currículo praticado envolve as relações entre poder, cultura e escolarização, representando as relações presentes no cotidiano escolar. Carvalho(2005) também afirma que entender a escola como um campo de possibilidades em aberto é um passo fundamental para trabalhar o respeito ao outro na escola, entretanto isso não seria suficiente para transformá-la.

Para Esteban(2004) não há lugares fixos nos quais os sujeitos serão incluídos, tampouco processos uniformes que promovam indiscutivelmente a democracia, visto que esta última não pode ter sua concepção fixa e imutável, já que se constitui de uma produção histórica e social.

Sabemos que o desafio é grande para o professor, dentro de um sistema que na maioria das vezes, senão em sua totalidade, lhe impõe os conteúdos e os seus métodos de trabalho. Muitas vezes há a consciência por parte do docente e até mesmo nasce nele uma vontade em mudar. Porém muitas vezes acaba por se acomodar e permitir que seja apenas "curriculado". Entretanto, Silva(1995) lembra que nós professores podemos sim agir sobre o currículo, desviando-o e contestando-os. É esse o sentido da palavra "curricular", que tomei a liberdade de usar neste texto. Ao mesmo tempo que produzimos esse currículo, somos produzidos, "curriculados", particularizados e, portanto, tomados de forças para lutar.

Ao contrário do meu hábito de escrita, senti a necessidade de escrever este texto em primeira pessoa, por muito me identificar com o que tratam os diversos autores aqui citados. É difícil escrever um texto como este sem se sentir parte do mesmo. Não há como se afastar o suficiente para me ver fora de todo esse processo. Recordo-me com satisfação das minhas aulas da 7ª série, onde não fui obrigado a praticar o esporte símbolo do meu país e sentia o prazer de estar crescendo, fazendo o que me dava realização.

Triste é saber que a grande massa de colegas docentes não tem sequer a chance de entrar em contato com idéias e posicionamentos como este. A formação continuada, quando ocorre, enfatiza apenas os aspectos conteudistas do currículo enquanto sistematização do conhecimento científico, concentrando todos os esforços na criação e repasse de "receitas" de como transmitir esse conhecimento, de maneira acrítica e até mesmo inconsciente.

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Referências Bibliográficas

CANEN, Ana e OLIVEIRA, Ângela M. A. de. Multiculturalismo e currículo em ação: um estudo de caso. Revista brasileira de educação. Rio de Janeiro, n. 21, p. 61-74, set/out/nov/dez, 2002.

CARVALHO, Janete Magalhães. Pensando o currículo escolar a partir do outro que está em mim. In. FERRAÇO, Carlos Eduardo. (org.). Cotidiano escolar, formação de professores(as) e currículo. São Paulo/SP: Cortez, 2005. (94/111)

CORAZZA, Sandra. Currículos anternativos-oficiais: o(s) risco(s) do hibridismo. In. CORAZZA, Sandra. Que quer um currículo? Pesquisas pós-críticas em educação. Petrópolis/RJ: Vozes, 2001. (97-102)

ESTEBAN, Maria Teresa. Diferença e (des)igualdade no cotidiano escolar. In. GARCIA, Regina Leite e outros. (orgs.). Currículo: pensar, sentir e diferir. Rio de Janeiro: Dp&A, 2004. (159-177)

PARAÍSO, Marlucy Alves. Lutas entre culturas no currículo em ação da formação docentes. Educação e realidade. Porto Alegre/RS, v. 21, n. 1, p. 137-157, jan/jun. 1996.

SILVA, Tomaz Tadeu da. Currículo e identidade social: territórios contestados. In. SILVA, Tomaz Tadeu da. (org.). Alienígenas na sala de aula: uma introdução aos estudos culturais em educação. Petrópolis/RJ: Vozes, 1995. (190-207)

SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte/MG: Autêntica, 1999. (11-27)

SILVA, Tomaz Tadeu da. O currículo com artefato social e cultural. In. SILVA, Tomaz Tadeu da. Identidades terminais: as transformações na política da pedagogia e na pedagogia da política. Petrópolis/RJ: Vozes, 1996. (83-96)

VEIGA, Ilma. P. A. Escola currículo e ensino. In. Escola fundamental: currículo e ensino. Campinas/SP: Papirus, 1995. (77-94)





Sobre Claudio Zarate Sanavria:
Formação:
Bacharel em Análise de Sistemas Mestrando em Educação

Histórico:
Atuo como professor há 10 anos, 5 destes dedicados ao ensino superior na área de Computação.




O artigo assinado é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião da Revista Gestão Universitária.
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• Lançamento do Livro: Projeto Político-Pedagógico, Construção e Implementação na Escola. Versão para ImpressãoAdicionar à sua Revista
Lançamento do Livro: Projeto Político-Pedagógico, Construção e Implementação na Escola.
23/07/2008 - Revista Gestão Universitária
Cássia Ravena Mulin de Assis Medel é Pedagoga, Professora, Pós graduada em Supervisão Escolar, atuando nas redes municipal, estadual e particular, há 25 anos.
Atualmente, é Orientadora Pedagógica de três escolas públicas: CIEP Brizolão 277- João Nicoláo Filho "Janjão", Escola Municipal Maestro Carlos Gomes Pereira e Escola Municipal de Educação Infantil Francisca Pinheiro Teixeira, no município de Cantagalo - RJ, sua cidade natal.
É autora de vários artigos sobre educação, publicados em mais de 30 sites no Brasil, Espanha e Portugal, na Revista Educativa, a revista do professor (Editora Minuano, Mirandópolis- SP), na Revista Educação (Editora Segmento, São Paulo - SP), na Revista Educacional (Editora Idéia.e, Maringá - PR), no Jornal Nota 10 (Curitiba - PR.). Participação em colunas de consultas sobre Educação na Revista Nova Escola (Editora Abril, São Paulo - SP) e no Jornal Estado de São Paulo. Concedeu entrevista à Rádio Escola Brasil de Brasília - DF, entrevista esta retransmitida por duas mil rádios no Brasil.
Autora do Livro "Projeto Político-Pedagógico, Construção e Implementação na Escola", escrito a convite da Editora Autores Associados (Campinas - S.P).
É pesquisadora em Educação, reunindo depoimentos de educadores, alunos e pais acerca de temas como: Avaliação da aprendizagem, disciplina e indisciplina, autonomia da escola pública e outros.

E-mail: ravenamedel@yahoo.com.br
• Cursos profissionalizantes do Sistema S terão mais vagas gratuitasVersão para ImpressãoAdicionar à sua Revista
Cursos profissionalizantes do Sistema S terão mais vagas gratuitas
23/07/2008 - Ag. Envolverde
Por Amanda Cieglinski, da Agência Brasil

Brasília - Até 2014, dois terços das vagas dos cursos técnicos e profissionalizantes oferecidos pelas entidades do Sistema S deverão ser gratuitas e destinadas à população de baixa renda. Essa é a principal mudança prevista no protocolo assinado na terça-feira (22), entre o Ministério da Educação e representantes do Sistema S, que reúne 11 entidades como Sesc, Sesi, Senai e Senac.

"Não é de hoje que nós jogamos luz a um problema urgente que o país precisa enfrentar, que é o acesso do jovem à educação profissional. Para promover esse acesso, nós concebemos um conjunto de iniciativas, uma vez que um ator só não conseguirá dar conta de toda a demanda social indispensável para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil", defendeu o ministro da Educação Fernando Haddad.

O Sistema S arrecada por ano cerca de R$ 8 bilhões por contribuição compulsória de 2,5% sobre a folha de pagamento das empresas. Desses, 1,5% é repassado às entidades responsáveis pelo atendimento social e 1% à aprendizagem profissional. A proposta inicial de mudança feita pelo ministro Fernando Haddad previa, além do aumento da gratuidade das vagas, a inversão desses percentuais. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, chegou a classificar a proposta como "uma tentativa encabulada de estatização". Hoje, Monteiro e Haddad afirmam que chegaram a um acordo que atende às duas partes.

"A princípio o que nós estranhamos é que um projeto que claramente intervinha no sistema pudesse ser feito sem um diálogo prévio. Esse protocolo [assinado hoje] foi construído a partir de uma base de diálogo e de livre convergência. Ou seja, não foi fruto de nenhuma imposição, mas de uma negociação. Ele só foi construído porque houve uma livre adesão das partes. Não foi um triunfo dos empresários, mas do consenso", afirmou Monteiro.

A porcentagem das vagas gratuitas oferecidas pelas entidades deve aumentar gradualmente até atingir 66,6% até 2014. Segundo Monteiro, hoje a gratuidade no Senai chega só a 40% das vagas. A quantidade das vagas gratuitas que serão oferecidas dependerá da demanda e da organização das unidades estaduais do sistema S.

O acordo prevê ainda que dois terços da receita líquida de contribuição compulsória devem ser destinadas às vagas gratuitas. Inicialmente, o MEC pedia a utilização de 100% desses recursos em atividades sem custos para a população. "O argumento trazido pelas confederações é legítimo, de que há espaço para uma subversão parcial, ou seja, para a cobrança abaixo do custo. Isso permitirá uma ampliação do atendimento ", ponderou Haddad.

Outra determinação é de que a carga horária mínima dos cursos técnicos seja 160 horas. Os percentuais de recursos destinados ao serviço social e à aprendizagem não foram alteradas, mantém-se em 60% e 40% respectivamente. Mas o novo acordo prevê que um terço dos recursos destinados a serviços sociais pelo Serviço da Indústria (Sesi) e pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) deve ser aplicado em atividades da educação básica e continuada.

Crédito da imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

(Envolverde/Agência Brasil)
• Profissionais do país e do exterior vão debater a avaliação da educação superiorVersão para ImpressãoAdicionar à sua Revista
Profissionais do país e do exterior vão debater a avaliação da educação superior
23/07/2008 - Ag. Envolverde
Por Ionice Lorenzoni, do MEC

Autoridades e pesquisadores em educação da América do Sul e da Europa são os convidados do Ministério da Educação para refletir, discutir e avaliar o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), criado em 2004. O seminário internacional será realizado em Brasília, de 19 a 21 de agosto.

Organizado pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (Conaes), que é o órgão de supervisão do sistema, o seminário vai patrocinar a vinda a Brasília dos presidentes dos 27 conselhos estaduais de educação para discutir a educação superior nos estados, instância que supervisiona as instituições estaduais e municipais de educação superior. O objetivo do convite, explica o assessor da Conaes Luiz Roberto Rodrigues Martins, é fortalecer a aproximação do MEC com os estados, iniciada com o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e com as caravanas da educação básica, em 2007.

Participarão do seminário 250 convidados que representam as instituições de ensino superior, públicas, privadas e filantrópicas, professores, estudantes, educadores, pesquisadores e o Ministério da Educação. Além de conferências e mesas-redondas, os convidados vão participar de grupos de trabalho sobre quatro temas: auto-avaliação, avaliação externa das instituições, avaliação dos cursos e o Exame Nacional de Avaliação de Desempenho de Estudantes (Enade).

Do exterior, vêm um representante da Inqaahe, que é uma rede internacional de garantia da qualidade das agências que atuam na educação superior, em atividade em todos os continentes; da Enqa, que é uma associação européia de garantia da qualidade da educação superior; a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), instituição de integração que reúne 12 países sul-americanos; e o Sistema Mercosul, que abrange os países do bloco e associados.

Dados da Conaes indicam que o sistema de educação superior brasileiro é composto por 2.600 instituições públicas, privadas, comunitárias e sem fins lucrativos. As instituições públicas federais, estaduais e municipais atendem 20% dos estudantes; e 80% dos alunos estudam em instituições de ensino superior particular, comunitária ou sem fins lucrativos.

O programa traz os detalhes dos três dias do seminário, com palestras, mesas, grupos de trabalho e autoridades convidadas.

Crédito da imagem: Stockxchng

(Envolverde/MEC)
• Museu do Meio Ambiente com nova exposiçãoVersão para ImpressãoAdicionar à sua Revista
Museu do Meio Ambiente com nova exposição
23/07/2008 - Ag. Envolverde
Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro

Manuscritos das viagens filosóficas ao Brasil colônia no século 17 são recuperados em pesquisa e fazem parte de exposição no novo Museu do Meio Ambiente, espaço criado para comemorar os 200 anos do Jardim Botânico

Muito antes das atuais ameaças à fauna e à flora brasileiras, a preocupação com a preservação dos recursos naturais do Brasil eram questões importantes para um naturalista do século 18 que conheceu o país sem nunca ter pisado em seu território.

Em uma época em que o Brasil era um dos focos da curiosidade científica européia, o italiano Domenico Vandelli (1735-1816), que deixou Pádua para se fixar em Lisboa a convite do Marquês de Pombal, tornou-se o elo de ligação entre a natureza brasileira e o Iluminismo, ao idealizar e articular as viagens científicas patrocinadas pela coroa portuguesa - as célebres "viagens filosóficas" "para pesquisar e catalogar a exuberante diversidade da colônia.

Foi ele também o criador, em 1768, do primeiro jardim botânico de Portugal, o jardim da Ajuda, projeto encomendado pelo rei dom José com o objetivo de proporcionar educação científica para o príncipe, dom João.

Em 1808, Vandelli foi um dos conselheiros da Corte que orientou o príncipe regente a partir para o Rio de Janeiro antes da invasão napoleônica. Devido a essa influência, dom João teria fundado o Jardim Botânico do Rio de Janeiro no mesmo ano, logo após sua chegada.

Apesar de não ser muito conhecido por aqui, o trabalho do naturalista e suas importantes contribuições científicas são o tema da exposição O gabinete de curiosidades de Domenico Vandelli, no novo Museu do Meio Ambiente, espaço criado no Jardim Botânico para comemorar seus 200 anos.

"A maior contribuição de Vandelli para a ciência foi o seu cuidado com o uso da natureza brasileira. Ele pensava a natureza do Brasil como um grande tesouro. Para ele, deveria haver um regulamento dos bosques para que as árvores não fossem retiradas de forma predatória. Vandelli também estudava mineralogia e descreveu uma série de plantas", disse a curadora da exposição, Anna Paula Martins.

No comando da cadeira de história natural da Universidade de Coimbra, o naturalista atravessou três reinados em Portugal; o de dom José, o de dona Maria e o de dom João. No período, criou os primeiros museus de história natural do país.

A importância desses espaços para a divulgação científica é expressa em uma frase de Vandelli estampada em uma das salas da exposição: "O museu é um livro sempre aberto no qual o observador se instrui com prazer".

Por conta disso, as paredes do Museu do Meio Ambiente são ilustradas com palavras-chaves e seus significados. Assim, o visitante pode entender o que é, por exemplo, um "gabinete de curiosidades", expressão que dá nome à exposição.

"Do ponto de vista da história, os gabinetes de curiosidades foram os precursores dos museus. Eram os lugares onde os colecionadores dos séculos 17 e 18 guardavam, ainda sem catalogar ou sistematizar, tudo o que julgavam pitoresco e exótico", explicou Anna Paula.

Viagens filosóficas

Como professor, Vandelli teve uma série de alunos pertencentes à elite brasileira que foram estudar em Coimbra, entre eles José Bonifácio, Alexandre Rodrigues Ferreira, Vieira Couto e Manuel Arruda da Câmara. Em 1777, com o Tratado de Santo Ildefonso e a demarcação do território brasileiro, Vandelli envia para o Brasil viajantes naturalistas, seus discípulos, e cria orientações de como eles vão conhecer a então colônia. Sua proposta era elaborar uma "história natural das colônias".

"As viagens filosóficas eram viagens de pesquisas de campo para o reconhecimento de um território até então desconhecido. Os viajantes e correspondentes levavam o material recolhido para Portugal. As amostras coletadas eram identificadas, armazenadas, estudadas, cultivadas na colônia e enviadas para a metrópole", disse Anna Paula.

Um dos viajantes filosóficos discípulos de Vandelli foi Alexandre Rodrigues Ferreira, que em 1783 iniciou uma viagem de nove anos à Amazônia brasileira. Além de chefiar a viagem, ele preparou os diários, coordenou o trabalho dos desenhistas e fez as remessas de produtos naturais para Portugal.

Outra viagem foi feita pela serra do Ibiapaba, localizada entre o Piauí e o Ceará, e uma outra pela baía de Camamu, no sul da Bahia. "Algumas pessoas se correspondiam diretamente com Vandelli, como João Manso Pereira, que nunca esteve em Portugal e, portanto, não o conheceu pessoalmente. Ele escreveu sobre porcelana, azeite e sabão", disse a curadora.

Realizadas em um período de mapeamento e investigação da colônia, as viagens filosóficas descreviam as plantas do lugar, os animais, as águas, as pedras e como as pessoas ali moravam. Das viagens filosóficas despachadas de Lisboa em 1783 resultaram diversos diários e inúmeras memórias de mineralogia.

O por quê do nome viagens filosóficas é outra curiosidade que o visitante da exposição no Rio de Janeiro pode saciar. Na época, o nome "filosofia" tinha uma conotação um pouco diferente da atual: referia-se a uma "ciência que abrange os estudos do corpo humano (medicina), física retórica (matemática) e descobertas e experimentos com produtos naturais (naturalismo).

Os relatos das memórias científicas desses viajantes compõem uma caixa com oito livros, parte do projeto fruto de uma pesquisa financiada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em que foram digitalizados acervos de Vandelli espalhados no Brasil, em Portugal e na França. O material inclui ainda os roteiros das viagens.

"Quando dom João veio para o Brasil, ele trouxe uma parte desse acervo, que ficou dispersa aqui. Outra parte foi incorporada ao acervo do Museu de História Natural de Paris, depois de ser levada para a França após a invasão napoleônica à península ibérica. Durante a invasão napoleônica, eles vão com a intenção de transformar aquilo em patrimônio francês", destacou Anna Paula.

Segundo ela, isto explica o desconhecimento e a obscuridade em relação ao nome de Vandelli. "Ele não veio para o Brasil junto com a família real e, ao negociar as trocas de acervos com os naturalistas franceses que chegaram junto com Napoleão, restou a Vandelli a marca de traidor", disse.

Muro verde

Além dos manuscritos originais das viagens filosóficas, a exposição no novo museu conta ainda com projeções em vídeo. Por meio de uma dessas projeções, tem-se a impressão de que se está por debaixo de um dragoeiro, planta nativa dos Açores e que foi primeiramente descrita por Vandelli. A "viagem filosófica" por todos os ambientes da exposição é acompanhada por uma trilha sonora permanente de sons naturais do Jardim Botânico à noite.

Outro destaque da exposição é a Greenwall, jardim vertical cuja tecnologia é resultado de uma pesquisa de mais de 15 anos do biólogo australiano Mark Paul. São plantas vivas sobre um suporte em material reciclado que é fixado sem contato direto com a parede.

A idéia é trazer a natureza ao ambiente urbano contemporâneo e solucionar a perda de espaço que as plantas sofrem nas cidades. Na parede oposta à Greenwall, um espelho de cobre de baixa definição, criado pelo artista Luiz Zerbini, reflete ao mesmo tempo a planta e o observador, a natureza e o homem.

Por isso mesmo, o espaço foi batizado pelo artista de "observação e reflexão". "Isto tem muito a ver com a forma pela qual Vandelli conheceu o Brasil sem nunca ter vindo aqui. Ele imaginou o país através da representação e observação de desenhos e materiais de nossa natureza levados para Portugal", disse Anna Paula.

A exposição apresenta ainda uma coleção de insetos do Museu Nacional e a coleção minerológica de Werner, trazida por dom João 6º ao Brasil junto com a família real. "A idéia de nossa exposição é recriar um universo de ciência de 200 anos atrás", afirmou a curadora.

O gabinete de curiosidades de Domenico Vandelli será exibido até 31 de agosto no Museu do Meio Ambiente no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que fica na rua Jardim Botânico nº 1008.

Mais informações: (0xx21) 3874-1808

(Envolverde/Agência Fapesp)
• Programa busca qualificar ações de educação ambiental em projetos de saneamentoVersão para ImpressãoAdicionar à sua Revista
Programa busca qualificar ações de educação ambiental em projetos de saneamento
23/07/2008 - Ag. Envolverde
Dirigentes dos órgãos governamentais que integram o Grupo de Trabalho Interinstitucional se reuniram na manhã desta terça-feira (22) no Ministério das Cidades para a apresentação do Programa de Educação Ambiental e Mobilização Social em Saneamento (PEAMSS). O programa é resultado de dois anos de trabalho do grupo, composto por representantes de cinco ministérios (Cidades, Meio Ambiente, Educação, Integração Nacional e Saúde) e pela Caixa Econômica Federal.

Fundamentado na legislação do saneamento básico e da educação ambiental, além das visões e preocupações de todos os envolvidos em sua elaboração, o PEAMSS tem como objetivo "fomentar a importância e apoiar o desenvolvimento de iniciativas de educação ambiental e mobilização social em saneamento, de forma que se consolidem como ações continuadas e transformadoras e que contribuam para o controle social, a universalização do acesso aos serviços de saneamento e a construção de sociedades sustentáveis", aponta o documento.

O secretário Nacional de Saneamento Ambiental, Leodegar Tiscoski, ressaltou que a consolidação do PEAMSS se dá em um momento em que o volume de investimentos em saneamento é histórico. "O quarto balanço do PAC registrou um montante de R$ 20,1 bilhões em projetos de saneamento contratados", destacou Tiscoski.

Para o coordenador do Proágua (Ministério da Integração Nacional), Demétrios Christofidis, "o PEAMSS vai proporcionar uma atuação em rede e uma gestão integrada, que evitam a fragmentação institucional", afirmou.

Cinco são as linhas de ação do PEAMSS: gestão e planejamento de educação ambiental em saneamento; formação continuada de educadores ambientais populares; informação e educomunicação socioambiental em saneamento;
apoio institucional e financeiro às ações de educação ambiental e mobilização social; e monitoramento e avaliação.

A institucionalização do programa será formalizada por meio de Portaria Interministerial, cuja minuta foi submetida à consultoria jurídica do Ministério das Cidades e, em seguida, segue para a avaliação das consultorias jurídicas de cada ministério envolvido em sua elaboração.

Crédito da imagem: Rodrigo Nunes/MCidades

(Envolverde/Ministério das Cidades )
• Alunos do Consórcio de Natal realizam oficinas de meio ambienteVersão para ImpressãoAdicionar à sua Revista
Alunos do Consórcio de Natal realizam oficinas de meio ambiente
23/07/2008 - Ag. Envolverde
Inseridas na grade curricular do programa, ações de voluntariado realizadas pelos estudantes têm como objetivo contribuir para melhoria de suas comunidades

Brasília- Oficinas de meio ambiente, ações de voluntariado e cidadania, qualificação para o primeiro emprego. A cada dia, os cerca de 1.900 alunos que participam da segunda edição do Consórcio Social da Juventude de Natal e Região Metropolitana se encontram engajados em atividades essenciais para o desenvolvimento social e profissional.

Os estudantes, que já concluíram cerca de 80% da qualificação básica prevista no programa, participam agora das oficinas profissionalizantes e das atividades voluntárias. As ações de cidadania fazem parte da grade curricular e todo jovem que participa de alguma atividade para o bem ou melhoria de sua comunidade recebe uma bolsa-auxílio de R$ 600.

Vários alunos do Consórcio de Natal já deram inicio a esta fase. Na semana passada, cerca de 500 alunos do curso de corte e costura e venda do comércio varejista, participaram de uma oficina que teve como objetivo tratar da percepção social-ambiental dos catadores que viviam do lixão de Cidade Nova (desativado) e também detalhes a respeito da coleta seletiva.

Também foi realizada uma oficina com informações e alertas a respeito da preservação ambiental e da destinação adequada do lixo. Um completo trabalho de pesquisa ambiental, com informações importantes, foi apresentado pelas alunas Gabriela Sacramento, Karliana Yllana e Nadja Barboza, atraindo a atenção de muitos estudantes. As jovens contaram com o apoio da equipe do setor psico-social da entidade Dom Bosco, executora do consórcio.

Cursos - Já as oficinas de qualificação profissional têm sido realizadas de acordo com o mercado de trabalho dos municípios abrangidos pelo consórcio. Para tanto, foram selecionados cursos de administração, alimentação, beleza e estética, construção e reparos, madeira e móveis, telemática, turismo e hospitalidade, gestão pública e terceiro setor e vestuário.

Desta forma, espera-se que os jovens, com a formação obtida pelo consórcio, estejam preparados para enfrentar os desafios do mercado de trabalho e disputar uma vaga de emprego. Além da formação, o CSJ também tem como meta obrigatória inserir no mundo do trabalho 30% dos estudantes que terminarem o curso.

A segunda edição do consórcio de Natal atende os municípios de Parnamirim, Macaíba, São Gonçalo do Amarante, Extremoz, Ceará-Mirim, São José do Mipibu, Nísia Floresta e Monte Alegre.

Qualificação - O Consórcio Social da Juventude é uma ação de qualificação social e profissional para jovens de baixa renda, realizada entre o Ministério do Trabalho e Emprego e entidades parceiras. Quando foi implementado, em 2003, o programa visava atender jovens carentes com idade entre 16 a 24 anos.

No final do ano passado, o Consórcio passou a fazer parte do novo ProJovem (ProJovem Trabalhador) que unificou programas de capacitação de três ministérios e da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ). Com isso, a faixa etária foi ampliada entre 15 e 29 anos, permitindo a reintegração ao processo educacional e o acesso a cursos profissionalizantes e ações de cidadania, esporte, cultura e lazer, além promover a sua inserção no mercado de trabalho.

(Envolverde/Ministério do Trabalho e Emprego)
• Lei Seca será um dos alertas em escolas públicas e particularesVersão para ImpressãoAdicionar à sua Revista
Lei Seca será um dos alertas em escolas públicas e particulares
23/07/2008 - Ag. Envolverde
O programa "Cultura do Seguro" ajudará a conscientizar a população paulista sobre a necessidade de obedecer a chamada Lei Seca, sancionada dia 19 de julho pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esta ação é realizada pelo Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado de São Paulo (Sincor-SP) em conjunto com o Sindicato das Seguradoras de São Paulo (SindSeg) e leva às escolas públicas e particulares palestras sobre segurança e direito do cidadão.

A partir do segundo semestre letivo os palestrantes - corretores de seguros voluntários - darão ênfase à Lei Seca, para destacar a importância de ser um motorista consciente e responsável por seus atos. "A palestra por si só já possui este tom de alerta, para que nossos adolescentes e jovens cresçam com uma cultura diferenciada sobre o que é seguro. Nos dias de hoje, é essencial se proteger e planejar o futuro", explica Cássia Del Papa, uma das coordenadoras e realizadoras do programa "Cultura do Seguro".

Dentro de um contexto atual, como os recentes acidentes envolvendo as obras no Metrô de São Paulo e a queda do avião da TAM, os palestrantes explicam quanto custam acontecimentos como estes para os familiares, empresas e governo e quem arca com os prejuízos. "É importante salientar que esta lei traz mais segurança ao motorista e a todos os cidadãos. Além disso, ela pode vir a diminuir o valor do seguro de automóvel, por exemplo, caso venha a se registrar redução da sinistralidade", comenta Fernando Simões, outro coordenador do programa.

No primeiro semestre de 2008 o programa "Cultura do Seguro" realizou mais de 200 palestras em cidades como São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, Assis, entre outras, atingindo cerca de 10 mil alunos de todo o estado paulista. Para este ano, a expectativa é alcançar 20 mil alunos, uma vez que o projeto também será apresentado em universidades.


(Envolverde/Assessoria)
• Univali desenvolve estudo inédito sobre biologia marinhaVersão para ImpressãoAdicionar à sua Revista
Univali desenvolve estudo inédito sobre biologia marinha
23/07/2008 - Revista Gestão Universitária
Pesquisadores esperam encontrar, no fundo do mar, novas bactérias para a produção de biocombustíveis



Itajaí/SC - Pesquisadores Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMar), da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), aprovaram projeto para bioprospecção de microorganismos marinhos com a finalidade de produção de biocombustíveis. Para isso, os pesquisadores vão mapear a vida nas áreas mais profundos e remotas do Oceano Atlântico.



O projeto, financiado pelo International Centre For Genetic Engineering And Biotechnology (ICGEB), faz parte do programa Mar-Eco, responsável pelo levantamento da biodiversidade presente nos ecossistemas de mar profundo das regiões localizadas no Atlântico Sul. "Essa pesquisa coloca a Univali no patamar das principais instituições que fazem prospecção de organismos marinhos no mundo", diz Leonardo Rubi Rorig, pesquisador da Univali e um dos responsáveis pelo trabalho.



Os pesquisadores vão explorar zonas desconhecidas para a ciência e focar-se, nesse caso, especificamente, no estudo de bactérias produtoras de enzimas celulases e lípases. "No caso das enzimas lípases, a proposta é transformar resíduos, que são problemas para as indústrias, em produtos com valor agregado como biocombustivel", explica Leonardo.



André Oliveira de Souza Lima, pesquisador da Univali e coordenador do projeto, explica que as enzimas oriundas de ambientes extremos, como é o caso de mares profundos, podem apresentar características mais adequadas a processos industriais, onde condições distintas daquelas presentes na maioria dos ambientes naturais são exigidas. Para o professor, outro ponto importante é a possibilidade de participação dos alunos da Univali no processo na fronteira do conhecimento biológico: "É como trabalhar com o Jacques Cousteau. É o que todo mundo quer. E a gente conseguiu isso", comemora.



Mais informações: (47) 3341-7929, ou (47) 8433-1668, com André Oliveira de Souza Lima, ou (47) 9993-4446, com Leonardo Rubi Rorig, ou ainda (47) 9178-0069, com Marcus Adonai Castro da Silva, pesquisadores do CTTMar/Univali.


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