A Educação como Sustentáculo da Democracia
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – http://www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
A democracia é um sistema de governo em que o poder emana do povo e é exercido de forma direta ou por meio de representantes eleitos, escolhidos por meio do voto. Trata-se de uma palavra oriunda do grego, na qual demos significa "povo" e kratos, "poder", o que remete ao “governo do povo”.
Para Romão (2002), a democracia exige, ao mesmo tempo, consenso, diversidade e conflituosidade, o que faz dela um sistema complexo de organização e civilização política. Esse sistema se nutre da autonomia de espírito dos indivíduos, da liberdade de opinião e de expressão, do civismo e do ideal de liberdade, igualdade e fraternidade.
O Brasil vive atualmente o período democrático ininterrupto mais longo de sua história: são 41 anos de democracia, contados a partir de 1985, com o fim da ditadura militar. Vale lembrar que na República Velha, apesar da existência de um voto aberto e controlado — conhecido como voto de cabresto —, o regime predominante era oligárquico e restrito.
O fato é que, hoje, indivíduos financeiramente privilegiados muitas vezes se julgam superiores àqueles em situação de vulnerabilidade social, passando a defender o voto censitário. Esse modelo é um sistema eleitoral no qual o direito de votar e de ser votado é restrito a cidadãos que possuem uma renda mínima ou um determinado patrimônio financeiro. O argumento utilizado é o de que essas pessoas pagam milhões em impostos e geram empregos; contudo, essa argumentação tendenciosa e manipuladora se olvida de que a nossa democracia é baseada no princípio do sufrágio universal, o que implica dizer que o voto de todos os cidadãos tem exatamente o mesmo peso.
Aqueles que pensam dessa forma questionam o princípio básico da democracia, que é a igualdade do voto, além de instigarem uma hierarquização humana. Na história, esse tipo de pensamento culminou em fenômenos como a eugenia, a segregação e o extermínio, processos que extraem do outro toda a sua humanidade, transformando-o em mero objeto.
Diante da eclosão de pensamentos como esses, cabe às escolas trabalharem o verdadeiro sentido da democracia, uma vez que ela se constrói mediante o respeito pela diversidade e pela coletividade. Afinal, é por meio da educação que se sustenta o sistema democrático, já que esse regime necessita de cidadãos educados e informados para alimentar um debate real.
Vale ressaltar que esse debate balizará a formação da consciência crítica, permitindo ao cidadão analisar propostas e identificar a desinformação, além de oferecer uma melhor compreensão da complexidade social, visto que problemas complexos não são resolvidos como num passe de mágica.
A educação também viabilizará o ensino dos direitos e deveres, já que as instituições de ensino são vistas como o primeiro laboratório social formal dos indivíduos. É por meio desse processo educativo que se promove a cultura de tolerância e de pluralismo, prevalecendo o debate saudável e a busca por consensos. Por fim, haverá o estímulo à participação ativa, que tem sua expressão máxima no voto consciente. O voto confere o poder de escolha, mas é a educação que confere qualidade e consciência a essa escolha.