A expansão do ensino de qualidade
Já foi o tempo em que apenas a capital e algumas cidades do interior paulista (servidas pelos sistemas universitários federal e estadual) concentravam todo o ensino superior de qualidade brasileiro. A expansão da economia, associada aos benefícios fiscais oferecidos por diversos estados e municípios, criou demanda por profissionais especializados, o que por sua vez abriu espaço para mais universidades e cursos superiores de excelência, em especial os privados. Nesse cenário, é importante destacar o Programa Universidade para Todos (ProUni), que oferece 47 mil bolsas de estudo para estudantes de baixa renda em 834 instituições particulares de ensino superior.
A experiência em Osasco, na Grande São Paulo, é exemplar. O UNIFIEO, com quase 40 anos de existência, experimentou grande crescimento no final da década de 90, quando passou de 3 mil para mais de 10 mil alunos. Hoje, com quase 14 mil pessoas no corpo discente em três campi, atende a estudantes de graduação e pós-graduação oriundos de Osasco, Barueri e Santana de Parnaíba, por exemplo, municípios que se tornaram importantes pólos de empresas e serviços nos arredores da capital paulista.
Cidades como Jundiaí, Mogi das Cruzes e São Caetano do Sul (SP), entre outras, também passam por experiência semelhante. A própria expansão da Universidade de São Paulo (com sua USP-Leste) e da Unesp comprovam a importância em se descentralizar o acesso ao ensino superior de qualidade.
E isso não acontece apenas no Sudeste brasileiro. Ainda que a região mantenha a maior concentração bruta de cursos (são 9.696 hoje, contra 8.545 em 2003), segundo o Ministério da Educação, foi de 13,3% o crescimento no número de cursos de graduação presenciais em todo o país entre 2003 e 2004, com destaque para a região Norte, onde o aumento foi de 16,9%.
No entanto, a proliferação da educação universitária não pode ser sinônimo de vulgarização. Recentemente, em São Paulo, por exemplo, sete instituições privadas de ensino superior fecharam cursos ou atrasaram o pagamento de professores, o que é inadmissível.
A expansão do ensino superior será louvável se vier acompanhada de investimentos em qualidade e fiscalização governamental. Isso inclui desde um processo seletivo que seja, ao mesmo tempo, justo, abrangente e sério, até investimentos em laboratórios, professores capacitados e bem remunerados, aulas extracurriculares, centros vocacionais, centros de pesquisa e constante produção acadêmica de valor.
Dessa forma, a descentralização do ensino contribuirá não apenas para a criação de mais profissionais capacitados, mas para o desenvolvimento das regiões onde eles vivem.