02/12/2003

A inclusão da história da África no currículo escolar é tema predominante de teleconferência



A teleconferência Educação e Eqüidade: o desafio da diferença, promovida pelo MEC e pela Secretaria Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial (Seppir), na sexta-feira 28/11, fez parte da programação especial promovida pela primeira vez no MEC em comemoração ao Mês da Consciência Negra.

O primeiro bloco da teleconferência tratou da História da África e do Negro nos Currículos Escolares e contou com a presença da ministra da Seppir, Matilde Ribeiro, da diretora de Educação Média e Tecnológica do MEC, Marise Nogueira Ramos, do coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade de Brasília, Nelson Inocêncio, e da jornalista Arcelina Helena Dias, autora do livro Perdão, África, Perdão! Uma peregrinação de 120 dias entre os excluídos de alguns países da África.

Os conferencistas responderam perguntas de todo o País por intermédio de fax e correio eletrônico. A questão mais debatida foi a implementação da Lei nº 10.639, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, com a finalidade de incluir efetivamente o tema História e Cultura Afro-Brasileira no currículo das escolas brasileiras.

A lei torna obrigatório, nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, o ensino da história da África e dos africanos, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando sua contribuição às áreas social, econômica e política do País.
A ministra Matilde Ribeiro afirmou que o Governo Federal está criando condições para que a questão negra seja tratada de forma igualitária na sociedade. “As ações são genéricas, mas indicam as políticas que teremos para os próximos três anos. O maior desafio é mudar procedimentos, normas e posturas no âmbito da comunidade escolar”, disse.

Marise Ramos, diretora da Semtec, ressaltou que a inclusão da história e cultura afro-brasileira no currículo tem de ser estendida a toda a sociedade. “Temos de reconhecer a importância da África e investir na aproximação entre os dois continentes”, falou.

Para a jornalista Arcelina Dias, “as escolas são responsáveis pela reprodução do racismo, que vem se estendendo há muitos anos e que está em todo lugar”. Arcelina Dias propôs a criação de um observatório das notícias publicadas na imprensa sobre a questão. “Temos de saber as formas como os afrodescendentes são tratados pela mídia. Os meios de comunicação também têm de ajudar a mudar essa realidade”, disse.


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