A Neutralidade é o Escudo da Covardia
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
Em 2022, publiquei pela Ícone Editora o livro Educação: uma questão de politizar, no qual abordo temas que alavancam a criticidade do aluno com o intuito de tirá-lo da inércia em que se encontra e do modus operandi que o sistema impõe para a sua alienação.
É interessante pontuar que não existe neutralidade; ela representa apenas a covardia em não assumir que se está ao lado do opressor. Por isso, políticos atacam professores que trabalham a criticidade em seus alunos. Com isso, o bom professor hoje é chamado de "inimigo número 1" de políticos demagogos e entreguistas. Uma forma de desacreditar todo o seu trabalho é chamando-o de "vagabundo", justamente porque o pensamento crítico é o pior pesadelo dos governantes que precisam de seu povo cada vez mais alienado.
Faz-se notório perceber que outra forma de ataque ocorre contra o bom político — aquele que tem como base o senso ético, mediando conflitos, buscando o bem-estar coletivo, priorizando os interesses públicos e anulando os seus próprios interesses. Este encontra em sua vida pública uma enorme fila de inimigos, que veem nele um obstáculo para continuar ludibriando a massa docilizada. Assim sendo, os opositores o denominam de "governo populista", jogando com o analfabetismo funcional de seus seguidores, já que essa massa imbecilizada e docilizada acredita na acusação sem entender o conceito real de populismo.
Conforme ressaltado na obra supracitada, a consciência política diverge da doutrinação. Cabe aqui esclarecer que a doutrinação vem justamente da omissão em não se trabalhar tal consciência. Essa mesma doutrinação é a base para que governos extremistas optem por escolas cívico-militares, já que estas sim são as verdadeiras doutrinadoras.
Dessa forma, percebe-se que o aluno esclarecido entende muito bem que um líder populista usa apelos emocionais, discursos simplistas e promessas irreais, além de se fundamentar em falácias e fake news com o intuito de manipular a massa, passando a imagem de "salvador" ou até mesmo de "mito".
Já o governo popular tem alta aprovação por governar bem e entender os anseios da população. Seu público o vê como um líder nato, que conquista a simpatia e o apoio de seus seguidores. Não é um apoio por ter feito falsas promessas, mas por ter agido conforme sua vivência, focando sempre o interesse coletivo e mostrando resultados concretos, boa gestão e alinhamento com as demandas da sociedade. É sabido que suas propostas se fundam em metas reais e realizáveis, apesar de sua complexidade. O diálogo é a forma mais sensata de uma liderança buscar soluções e, em momento algum, as regras democráticas e as instituições que representam os Três Poderes deixam de ser totalmente respeitadas, pois o foco é governar para todos, fortalecendo cada vez mais o Estado.
Recentemente, tivemos um governo populista que usou como estratégia a divisão e a polarização, com foco na mobilização de seguidores fervorosos devido aos seus discursos baseados em apelos emocionais, promessas demagógicas e nacionalismo exacerbado, oferecendo soluções fáceis para problemas complexos. No governo populista, as instituições como os Três Poderes não importam, pois o líder se coloca acima de tudo e de todos, deslegitimando opositores e ridicularizando a imprensa.
Enfim, existe aí uma diferença gritante que as pessoas mais incautas e alienadas atribuem erroneamente ao governo popular — justamente o governo que buscou o interesse do próprio povo, do coletivo, e não de uma elite. Essa elite corrompe o governo populista, investindo milhões em sua campanha ciente de que o retorno será promissor para a alienação do povo e a perpetuação do poder.
Por isso o professor é chamado de "vagabundo" por parlamentares: trata-se de um momento de desespero, já que o povo tem acordado e percebido que a mentira depende da volatilidade, mas a verdade sempre aparece. Que possamos sempre esclarecer nossos alunos para que percebam que os verdadeiros ladrões e "vagabundos" são os políticos que nunca trabalharam e fazem da política um meio para enriquecer de forma ilícita, imoral e despida completamente de ética — palavra esta que, apesar de conhecerem, jamais aplicaram em suas vidas públicas.