A televisão vai mudar
No dia 11 de agosto de 1253, morria de causas naturais Clara de Assis, na Itália, durante o papado de Inocêncio IV. Um ano antes da morte, a religiosa, adoentada, não pode ir a Celebração da Eucaristia, mas impressionou a todas da Congregação da Ordem das Irmãs Clarissas, ou a Segunda Ordem Franciscana, atual Ordem de Santa Clara, ao descrever em detalhes a cerimônia religiosa. Ela afirmou ter visto tudo na pequena cela de sua clausura. Apenas dois anos após sua morte, em tempo recorde, o Papa Alexandre IV, canoniza a religiosa como Santa Clara de Assis. Por este evento, dentre tantos outros na vida da religiosa, Santa Clara é hoje a Padroeira da Televisão. Ela teria tido uma visão a distância. A designação foi adotada a partir de 17 de fevereiro de 1958, a partir de decreto do Papa Pio XII.
A tele-visão, que é acompanhar um evento fora do alcance do olho humano, perseguiu estudiosos em todo o mundo. Destacaram-se nesta luta pelo alcance de uma solução para a abstração os cientistas russos, ingleses, alemães e norte-americanos. Os principais avanços foram apresentados ao mundo na primeira década do século passado. A partir de 1930, surgiam emissoras de televisão em diversos pontos do planeta. No Brasil, a TV chegou a 18 de setembro de 1950, pelas mãos do diplomata e magnata das comunicações Assis Chateaubriand Bandeira de Melo. Em São Paulo, naquele dia havia 200 aparelhos receptores na casa de amigos do magnata das comunicações no Brasil da época e de pessoas influentes. Os aparelhos foram comprados por Chateaubriand.
Nos últimos tempos, a despeito da evolução e crescimento das redes de televisão em todo o território nacional, a principal preocupação passa a ser com o modelo digital. Definido pelo governo, a proposta prevê, além da melhora substancial da qualidade do vídeo, uma interatividade sem precedentes. O consumidor poderá quase tudo. Assistir a múltiplos programas ao mesmo tempo, com câmeras e ângulos dos mais variados, na hora em que bem entender, enviar materiais em áudio e vídeo para as emissoras, parar a programação para comprar produtos como quadros e objetos de decoração que estejam na imagem.
Estas transformações propostas para a televisão digital brasileira vão impor ainda uma transformação sobre como produzir os conteúdos para a mídia mais popular do país. Hoje a televisão está presente em 94,1% dos mais de 50 milhões de domicílios, conforme dados do IBGE. Está presente em 99,84% dos municípios brasileiros. A televisão só não é líder dos eletrodomésticos brasileiros porque o fogão está presente em 97% dos lares. Com tanto poder do consumidor, os profissionais precisam repensar a forma de fazer e produzir televisão. É preciso reaprender a usar a ferramenta de comunicação mais influente do país e que não tende a desaparecer com o crescimento da Internet como prevêem alguns.