03/07/2004

Adolescentes que estudam e trabalham tem qualidade de vida prejudicada, diz estudo da USP


Uma pesquisa realizada no Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP) reforça o argumento de que adolescentes que trabalham e estudam têm sua qualidade de vida prejudicada. "A dupla jornada prejudica os alunos na vida social, no trabalho e na escola", explica a bióloga Liliane Reis Teixeira, doutoranda do Departamento e responsável pelo estudo.

Por quinze dias, a bióloga acompanhou 27 estudantes voluntários, do período noturno de uma escola pública da cidade de São Paulo, a fim de conhecer melhor o cotidiano e o sono destes jovens. Com o auxílio de diários de atividade, onde os estudantes preenchiam sua rotina durante duas semanas, e de um instrumento chamado de "actígrafo" (que fica preso ao pulso do indivíduo na mão não-dominante), foi possível registrar a duração dos períodos de atividade e de repouso dos estudantes.

Uma das principais conclusões é que os alunos trabalhadores têm o sono prejudicado. A duração é significativamente reduzida, comparada com os estudantes não-trabalhadores. À primeira vista isto pode não parecer muito importante, mas é. Quando uma pessoa não dorme o suficiente, ela não descansa o necessário para que possa ter um bom desempenho, seja nos estudos, seja no trabalho. Isto pode levar a vários tipos de problemas.

O estudo, que faz parte de um projeto maior sobre trabalho de adolescentes e saúde, coordenado pela bióloga Frida Marina Fischer, professora do Departamento de Saúde Ambiental da FSP, procurou investigar também a rotina diária dos estudantes. Segundo a pesquisa, há trabalhadores que tentam repor nos fins de semana o sono perdido, o que é impossível. Há também o prejuízo na participação em atividades extracurriculares, como cursos de idiomas ou de computação.

Os estudantes trabalhadores chegam em casa mais cedo nos fins de semana do que os seus colegas não-trabalhadores, comportamento que possivelmente reflete a necessidade de repor débitos acumulados de sono. Provavelmente há repercussões nesta rotina, que podem afetar a vida social dos estudantes trabalhadores.

Além disso, os alunos trabalhadores gastam cerca de uma hora a mais por dia com transporte. "A grande cobrança que é feita destes adolescentes é que ele se dedique ao trabalho. Ele acaba "trocando" a escola pelo trabalho", afirma Liliane. "O jovem que não trabalha freqüenta as aulas, em média, trinta minutos a mais por dia".

Mais informações: (11) 3066-7755 ou pelo e-mail: lrt@usp.br (Agência USP)

Assine

Assine gratuitamente nossa revista e receba por email as novidades semanais.

×
Assine

Está com alguma dúvida? Quer fazer alguma sugestão para nós? Então, fale conosco pelo formulário abaixo.

×