Água em São Paulo só está garantido até 2010
A tese de mestrado defendida pelo pesquisador da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, Hedmilton Ensinas, sobre os impactos da política estadual de recursos hídricos e da urbanização nas Áreas de Proteção aos Mananciais da RMSP, declara que o abastecimento de água na cidade de São Paulo estará garantido até 2010.
"Isso se for considerado o cenário otimista, com a gestão de demanda, o reúso e a diminuição do desperdício dos recursos hídricos, além do aumento da produção do Sistema Produtor Integrado de Água", afirma Ensinas.
Segundo ele, impõem-se medidas urgentes, como a universalização dos serviços de esgotamento sanitário, o uso eficiente e a gestão integrada dos recursos hídricos. Seu trabalho tem caráter descritivo e utilizou dados secundários, como os do Plano de Bacia do Alto Tietê - estudo realizado pela Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo ao Comitê de Bacia do Alto Tietê.
Ensinas recomenda a implementação de um mecanismo de compensação financeira aos municípios, que já está previsto em lei, para atrair o poder local à gestão das bacias hidrográficas.
Além disso, o pesquisador sugere a instauração da "Agência Metropolitana", com a função de elaborar o planejamento integrado e acompanhar a implantação dos serviços comuns de interesse regional.
De acordo com o pesquisador, os impactos sobre as águas estão relacionados à urbanização, à expansão da população e à pobreza acentuada nos últimos 30 anos. "As áreas periféricas da RMSP, incluídas as áreas de proteção aos mananciais, apresentam um acréscimo populacional que excede 5% ao ano, muito superior ao valor médio de crescimento da metrópole, hoje estimado em 1,4% ao ano".
Nas décadas de 1970 e 1980 o crescimento populacional na RMSP foi originado pela migração de outras regiões do país e do estado.
Em decorrência do resultado da urbanização da periferia há insuficiência do acesso da população à infra-estrutura sanitária. Os esgotos urbanos são uma grande ameaça à qualidade das águas por serem a maior fonte de matéria orgânica e pelo fato de conterem organismos causadores de doenças - como a bactéria do cólera, o vírus da hepatite e a salmonela. (Agência USP)