05/08/2010

Alunos mostram às escolas públicas que USP não é inalcançável

“O vestibular não é um bicho de sete cabeças”. Levar essa ideia aos alunos da rede pública de ensino do estado de São Paulo será a tarefa dos 2.528 integrantes da edição 2010 do programa Embaixadores da USP.

Criado em 2007 pela Pró-Reitoria de Graduação da Universidade, o projeto foi idealizado após a constatação de que muitos estudantes de escola pública sequer tentavam o processo seletivo da Fuvest (exame que seleciona os alunos da grduação da USP) por falta de informações ou mesmo por não acreditarem que fosse possível passar em um dos vestibulares mais concorridos do país.

Os embaixadores são alunos da graduação da USP que fizeram o ensino médio na rede pública e que se dispuseram a voltar às suas escolas de origem para falar aos estudantes dos locais que é possível, sim, ingressar na universidade e que há uma ferramenta que pode auxiliá-los nisso, o Programa de Inclusão Social da USP (Inclusp).

Para Rafael Arivar, embaixador, a maior dificuldade para o aluno de escola pública não é o vestibular propriamente dito, e sim a falta de informações sobre a USP. “Eu já fui falar em umas três ou quatro escolas nas quais os alunos não tinham a menor informação. Às vezes, nem os professores e diretores falam sobre a possibilidade de entrar em uma universidade pública como a USP. Tinha gente até que achava que tinha que pagar para estudar aqui”, conta.

Outros participantes do programa citam casos semelhantes. José Donato, estudante de geografia e ex-aluno da escola estadual Leopoldo Santana, diz que ele mesmo não tinha informações sobre a USP até o último semestre de seu ensino médio, quando as obteve ao falar com colegas que faziam cursinhos pré-vestibular. “Eu só pensava em fazer um curso em uma universidade particular. Há também muitas pessoas que têm interesse, mas não acham que são capazes”, diz.

Muriel Figueiredo, aluna de letras e ex-aluna do Etecap, de Campinas, concorda a tese. “Falta [aos alunos] motivação e informação sobre os bônus”, aponta.

Em 2009, por causa da greve, o Embaixadores não foi realizado. Na cerimônia de lançamento da edição 2010, ocorrida na quarta-feira (4) na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), a professora Telma Zorn, pró-reitora de Graduação da USP, enfatizou a importância da iniciativa e anunciou uma novidade – a expansão da iniciativa aos professores que se interessarem em contribuir com a iniciativa. “Ter diversidade na USP é essencial. Precisamos incluir e incluir com qualidade. Os embaixadores têm que chegar nas escolas e falar ‘A USP não é um bicho de sete cabeças’ ”, destaca Telma.

Inclusp?
O Programa de Inclusão Social da USP consiste em algumas iniciativas para facilitar o ingresso e a permanência do aluno de ensino público na Universidade. Entre elas estão a isenção da taxa de matrícula na Fuvest, o bônus universal de 3% concedido ao aluno que cursou todo o ensino médio em escola pública, o bônus Fuvest, que é de até 6% baseado no desempenho na primeira fase do vestibular, e o Programa de Avaliação Seriada (Pasusp), uma prova que pode ser realizada por alunos do 3º ano que pode aumentar a nota da Fuvest em até 3%.

Há também, após o ingresso do alunos, programas de permanência estudantil para ajudar o aluno de baixa renda a se manter estudando, como bolsas de estudo, auxílios moradia e transporte, entre outros.

(Envolverde/Agência USP de Notícias)

 
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