07/05/2005

Angola quer formar mestres

Por André Augusto Castro

O sistema de educação superior de Angola passa por uma crise. Instituído em 1862, era voltado para atender, exclusivamente, às necessidades de estudos dos colonos portugueses. Em 1975, com a independência do país, teve início um processo de popularização da universidade, que até então tinha apenas 1,5 mil estudantes matriculados. O problema é que a guerra civil, que durou 16 anos, jogou por terra os esforços de desenvolvimento do país. Muitos dos pesquisadores enviados com bolsas ao exterior não voltaram. Para retomar esse esforço de qualificação, o reitor da Universidade Agostinho Neto, João Sebastião Teta, visitou a Universidade de Brasília (UnB), na tarde de terça-feira, 3 de maio.

Teta explica que a intenção do país é ampliar o acesso ao ensino superior – atualmente concentrado na capital Luanda - para outras partes do país. Quando assumiu a reitoria em 2002, a universidade tinha oito mil estudantes e a orientação era massificar o acesso. Em 2005, a instituição já tem 30 mil estudantes e 83 cursos de graduação. Mas ainda é necessário investir na formação de formadores porque o índice de analfabetismo é alto, cerca de 13 milhões de pessoas (mais de 90% da população do país). “Precisamos aumentar em 30% a quantidade de docentes, contratando 500 pessoas, mas não temos pessoal qualificado”, detalha.

RECUPERAÇÃO - Para atingir a meta, Teta propõe parceria com a UnB para a criação de oito cursos de mestrado (veja quadro). Mas a idéia não é enviar alunos ao Brasil e sim que os professores brasileiros viagem para Angola. “Temos uma péssima experiência de evasão de cérebros. Cerca de 60% dos nossos graduados vão para Portugal. Queremos evitar isso e manter o foco nas necessidades do país”, aponta.

Para ele, a universidade terá papel fundamental para Angola, não só na formação de bons profissionais, mas na recuperação moral, da auto-estima e na educação cidadã da população. Teta acrescenta que quer assinar protocolo de intenções entre as instituições para que a parceria saia do papel rapidamente.

O reitor da UnB, Lauro Morhy, elogia a iniciativa de conter a evasão de cérebros e contou que o Brasil também sofre com isso e perde o dinheiro investido na formação de pessoal. O reitor revela a Teta que a UnB tem inúmeras parcerias internacionais, inclusive na composição de corpo docente de cursos em outras universidades. Para ele, a assinatura do protocolo é boa para as duas instituições e abre caminho para a avaliação das reais necessidades de formação em Angola.

“Vamos fazer o possível para ajudar. Nossos professores são altamente qualificados e têm capacidade para contribuir”, afirma Morhy. Como a visita é o primeiro passo para a parceria, o convênio ainda não foi firmado. Mas as duas partes comprometeram-se em estudar formas de viabilizar rapidamente o protocolo de intenções.

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