Aquisição da Leitura e da Escrita nos Anos Iniciais
ALVES, Fábio Alexandre Fernandes
ARAÙJO, Jurany de Castro
JESUS, Anderson de
RESUMO
O artigo apresenta contribuições do processo de aquisição da leitura e da escrita nos anos iniciais do ensino fundamental, com intuito de compreender a importância e as implicações desse processo. A pesquisa adota uma abordagem metodológica bibliográfica e descritiva de cunho qualitativo. Os autores relevantes que fundamentam o arcabouço teórico são: Ferreiro e Teberosky (1999), utilizam a psicolinguística e a teoria de Piaget para mostrar como a criança aprende. Paulo Freire (2003), aborda sobre a leitura e o contexto do educando. Koch e Elias (2009), apresentam de forma simples as estratégias de leitura e escrita e Pereira, Pinheiro e Silva (2022), abordam sobre a aquisição da leitura e da escrita no processo de alfabetização e letramento. Soares (2022), fala sobre métodos de alfabetização, concepções de alfabetização e letramento e expõe práticas exitosas de alfabetização. O objetivo geral é analisar como se dá o processo de aquisição da leitura e da escrita pelos estudantes na fase de alfabetização e a importância do conhecimento desses processos para o professor alfabetizador. Conclui-se que alfabetizar é oferecer condições que capacitem a criança, entretanto, é possível compreender as práticas da leitura e escrita que se apresentam no meio educacional e social como uma das maiores lacunas do ensino.
Palavras- chave: Alfabetização. Lectoescrita. Anos iniciais.
INTRODUÇÃO
A leitura e a escrita permeiam todos os espaços da nossa vida no dia a dia, estamos inseridos durante todo o tempo em práticas comunicacionais que requerem o uso da leitura e da escrita, porém, para adquirirmos habilidades de leitura e escrita passamos por várias etapas.
Conhecer, discutir e compreender as etapas de aquisição da leitura e da escrita são de grande importância para os alfabetizadores. O ensino da lectoescrita precisa partir do princípio de como a criança aprende e não simplesmente de métodos que o professor usará. A leitura vai além de um simples processo de decodificação de símbolos linguísticos, enfatizando a importância de resgatar como uma prática carregada de significados para o aluno - sujeito social - leitor.
Os resultados dos últimos estudos Alfabetiza Brasil[1], divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), juntamente com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), mostraram que 56,4% das crianças brasileiras não estão alfabetizadas, ou seja, apenas 4 em cada 10 crianças do 2º ano do Ensino Fundamental estavam alfabetizadas em 2021. Diante de tais dados e da baixa porcentagem de crianças alfabetizadas, se faz necessário a reavaliação das políticas públicas de alfabetização do país, além do acompanhamento e avaliação da efetiva implementação de tais políticas públicas.
O objetivo geral desta pesquisa é analisar como se dá o processo de aquisição da leitura e da escrita pelos estudantes do 1º ano do Ensino Fundamental e a importância do conhecimento desses processos para o professor alfabetizador.
O estudo tem como finalidade responder o seguinte questionamento: Como ocorre o processo de aquisição da leitura e da escrita em crianças em fase de alfabetização?
É notável que a criança, chega à escola, trazendo consigo uma bagagem de conhecimentos e interpretações do mundo adquiridos no ambiente familiar. Essa base influencia diretamente sua forma de aprender e interagir no ambiente escolar. O processo de alfabetização, desempenha um papel fundamental nessa trajetória, pois é por meio dele que a criança expande sua capacidade de interpretar o mundo por meio das palavras.
O estudo apresenta-se em uma única sessão, onde serão abordados os conceitos e processos de aquisição da leitura e escrita, bem como a importância dos estágios de desenvolvimento da leitura e hipóteses de escrita, e como esse processo contribuiu na alfabetização dos alunos nos anos iniciais.
METODOLOGIA
A metodologia utilizada neste estudo foi uma revisão de literatura, realizada por meio de pesquisas nas bases de dados: Domínio Público, Google Acadêmico, Biblioteca Virtual da Unimontes, Portal do MEC, Revista Brasileira de Educação, Periódicos Capes, Scientific Electronic Library Online (SciELO), como também material disponibilizado na disciplina de Processos de Aprendizagem da Leitura e da Escrita deste curso.
Segundo Fonseca (2002), em uma de suas escritas sobre pesquisa bibliográfica enfatiza que:
A pesquisa bibliográfica é feita a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios escritos e eletrônicos, como livros, artigos científicos e páginas de web sites. Qualquer trabalho científico inicia-se com uma pesquisa bibliográfica, que permite ao pesquisador conhecer o que já se estudou sobre o assunto. Existem, porém, pesquisas científicas que se baseiam unicamente na pesquisa bibliográfica, procurando referências teóricas publicadas com o objetivo de recolher informações ou conhecimentos prévios sobre o problema a respeito do qual se procura a resposta. (FONSECA, 2002, p. 32)
Sendo assim, a pesquisa bibliográfica é fundamental para o levantamento de informações plausíveis para a construção do trabalho acadêmico como fonte de extensão de conhecimento. Autores como: Fonseca (2002); Freire (2003); Soares (2013) e Ferreiro (2015) é impossível realizar este trabalho mantendo-se neutros, dado que existe uma troca constante entre o pesquisador e o texto.
Foram selecionados estudos do tipo: artigos científicos, livros físicos e digitais, legislação, monografias, teses e dissertações, todos disponibilizados na íntegra, no idioma português de Brasil, publicados no período de 2013 a 2023, que abordam as temáticas propostas para esta pesquisa.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os termos alfabetização e letramento apresentam significados distintos e por vezes são vistos como práticas semelhantes e outras vezes práticas que se anulam. O termo alfabetização já apresentou vários conceitos e objetivos durante a história assim como o termo letramento. Hoje sabemos que alfabetizar não é apenas o ensino das habilidades de “codificação” e “decodificação”, conforme Albuquerque (2007). O letramento é o uso da leitura e da escrita como prática social, além de saber ler e escrever é preciso saber fazer uso da leitura e escrita.
Soares conceitua esse processo:
Alfabetizar e letrar são duas ações distintas, mas não inseparáveis, ao contrário: o ideal seria alfabetizar letrando, ou seja: ensinar a ler e escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita, de modo que o indivíduo se tornasse, ao mesmo tempo, alfabetizado e letrado (SOARES, 1998, p. 47 apud ALBUQUERQUE, 2007, p. 18).
A leitura e a escrita são habilidades fundamentais que se desenvolvem por meio de processos distintos, mas inter-relacionados. Entender a dicotomia entre esses conceitos é essencial para promover uma alfabetização eficaz. A leitura é o processo de decodificação de símbolos escritos para extrair significado. Ela envolve habilidades cognitivas como o reconhecimento de palavras, a compreensão de textos e a interpretação crítica.
Segundo Soares (2018) fortalece a posição dos professores ao afirmar que:
Dissociar alfabetização e letramento é um equívoco porque, no quadro das atuais concepções psicológicas, linguísticas e psicolinguísticas de leitura e escrita, a entrada da criança no mundo da escrita ocorre simultaneamente por esses dois processos: Pela aquisição do sistema convencional de escrita a alfabetização e pelo desenvolvimento de habilidades de uso desse sistema em atividades de leitura e escrita, nas práticas sociais que envolvem a língua escrita o letramento. Não são processos independentes, mas interdependentes, e indissociáveis: a alfabetização desenvolve-se no contexto de e por meio de práticas sociais de leitura e de escrita, isto é, através de atividades de letramento, e este, por sua vez, só se pode desenvolver no contexto da e por meio da aprendizagem das relações fonema–grafema, isto é, em dependência da alfabetização. (SOARES, 2018, p. 15)
A escrita é o processo de codificação de ideias em símbolos escritos. Este processo requer habilidades como a formação de letras, a ortografia correta, a estruturação de frases e a organização coerente de pensamentos. Embora leitura e escrita sejam frequentemente ensinadas juntas, elas envolvem diferentes processos cognitivos e habilidades.
A partir da psicogênese da língua escrita, surge uma nova percepção de alfabetização, que passa a ser vista não mais do ponto de vista perceptivo-motor, mas conceitual. De acordo com Ferreiro e Teberosky (1999, p. 289), isso consiste no “conjunto de hipóteses exploradas para compreender este objeto”, ou seja, na compreensão de como se dá a aquisição da escrita. Esse estudo rompeu com a concepção de linguagem escrita associada a códigos, sons e memorização (teoria associacionista), demonstrando que, independentemente da compreensão do sistema alfabético, as crianças, ao aprenderem a ler e escrever, formulam suas próprias ideias e hipóteses em relação à escrita alfabética. Assim, elas se tornam sujeitos ativos do processo de aprendizagem (teoria construtivista) (FERREIRO, 1999).
A leitura é primariamente um processo de recepção e interpretação de informações, enquanto a escrita é um processo de produção e expressão de ideias. A aquisição da leitura começa com o desenvolvimento da consciência fonológica, o reconhecimento das letras e a capacidade de decodificação.
Conforme Soares (2014), antes que a criança alcance a alfabetização, ela atravessa quatro estágios distintos: pré-silábico, silábico, silábico-alfabético e alfabético. Uma vez que a criança tenha percorrido todos esses estágios, é provável encontrar menos dificuldades em seu processo de aprendizagem.
Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, as crianças têm maior contato com livros infanto juvenil, é nessa fase que esses livros desempenham um papel na formação do aluno leitor. De acordo com Milioli e Boone (2017), a escola tem o compromisso de proporcionar a alfabetização e aprimorar a leitura. Através da alfabetização e da prática constante da leitura, ocorre a formação do aluno leitor.
A prática da leitura quando a criança já tem o domínio, torna-se uma experiência significativa nas suas vidas, isso irá determinar como a criança verá a escola e a aprendizagem em geral. Como consequência desse processo, o aluno precisa perceber que os seus esforços para reconhecer as letras e as palavras, tem que estar acompanhado com textos que sejam estimulantes. (MILIOLI e BOONE, 2017, p. 8)
À medida que as habilidades avançam, a fluência e a compreensão leitora se tornam focos principais. A aquisição da escrita envolve inicialmente a familiarização com o alfabeto e a prática da formação de letras. Posteriormente, o desenvolvimento se concentra na ortografia, na gramática e na capacidade de expressar ideias de forma clara e organizada.
Ao ingressar na escola, a criança inicia o processo de alfabetização e participa de práticas interdependentes, que estão sempre em constante adaptação. À medida que aprende novas palavras, sua capacidade oral e seu desenvolvimento cognitivo se expandem. Incentivar a leitura desde cedo não só auxilia na aquisição da linguagem escrita, mas também enriquece o vocabulário, amplia o conhecimento sobre diversos assuntos e melhora a habilidade de comunicação.
As diretrizes da BNCC para os primeiros anos do Ensino Fundamental, ao reconhecer a importância das atividades lúdicas no processo de aprendizagem, indicam a importância de integrá-las às experiências adquiridas na Educação Infantil. O 1º ano do Ensino Fundamental é uma etapa de transição, o educando conclui a etapa da Educação Infantil e inicia sua experiência na etapa do Ensino Fundamental. Na primeira etapa da alfabetização o aluno amplia suas hipóteses de ler e formular hipóteses sobre leitura e escrita (BRASIL, 2018, p. 58).
Nas escolas, a escrita é ensinada de forma sistemática, utilizando diversos métodos. Entre os mais conhecidos estão o método silábico, que se baseia nas famílias silábicas, e o método fônico, que inicia o processo de alfabetização a partir dos sons das letras.
O alfabetizador/a deve, com base nas concepções pedagógicas da instituição de ensino, analisar qual ou quais métodos serão utilizados para o desenvolvimento da leitura e da escrita dos alunos. Independentemente dos métodos escolhidos, se faz necessário que o educador compreenda como ocorre o processo de aquisição da escrita pela criança. A respeito disto, Emília Ferreiro afirma que:
As mudanças necessárias para enfrentar sobre bases novas a alfabetização inicial não se resolvem com um novo método de ensino, nem com novos testes de prontidão nem com novos materiais didáticos. É preciso mudar os pontos por onde nós fazemos passar o eixo central das nossas decisões. Temos uma imagem empobrecida da língua escrita: é preciso reintroduzir quando encontramos a alfabetização, a escrita como sistema de representação da linguagem. (FERREIRO, 1985, p. 16)
Segundo Ferreiro e Teberosky (1999. p.10). “Precisamos mudar o foco central da alfabetização do ensino para a aprendizagem em vez de nos concentrarmos em como devemos ensinar, devemos entender como realmente se aprende”. Vários são os significados e sentidos do termo escrita. Quando falamos em alfabetização e letramento, se faz necessário uma definição de escrita que se volte para os objetivos dessas práticas. Para esta pesquisa, teremos como o entendimento de Teberosky.
A escrita não é um código que transcreve a língua oral, mas um sistema com regras próprias que influenciam a língua do ponto de vista histórico-cultural (sabemos que as línguas com ou sem escrita não são iguais), assim como as pessoas individualmente (o conhecimento que se tem sobre a língua não é o mesmo antes e depois da alfabetização). (TEBEROSKY, 2020, p. 19)
Quando a escrita e a leitura são apresentadas de maneira envolvente, interativa e relevante para a vida dos alunos, o processo de aprendizagem se torna mais significativo.
Essa abordagem ressalta a importância de duas formas de desenvolvimento da leitura: por meio dos livros na escola e por meio das práticas diárias no ambiente em que a criança está inserida. A perspectiva de que o termo ‘’alfabetizar’’ vai além do contexto escolar, abrangendo aqueles que aprendem a ler o meio ao redor, destaca a relevância da alfabetização como habilidade essencial para a compreensão e interação eficaz com o ambiente social, cultural e econômico. De acordo Soares (2022), em seu livro “Alfaletrar toda criança pode aprender a ler e a escrever.” afirma que podemos inferir que:
Foi o surgimento das cidades e as relações complexas entre seus habitantes que tornou necessária a invenção de uma técnica a escrita que materializasse, tornasse visível e permanente o que não podia mais ficar, ou não devia ficar, ou não se desejava que ficasse guardado apenas na memória, como: transações comerciais, normas, leis acontecimentos, pensamentos etc. (SOARES, 2022, p. 24)
A correlação entre o gosto pela leitura e a facilidade na expressão escrita é uma observação valiosa. Já ausência do hábito de ler pode impactar negativamente no desenvolvimento da habilidade de escrever, o que reforça a importância de incentivar a leitura desde cedo. A prática da leitura tem sido uma constante no cotidiano das pessoas ao longo de muitos séculos. Originando-se de símbolos que foram interpretados pelo homem na antiguidade, a leitura tem evoluído continuamente em seus formatos e apresentações. Fischer aponta que:
A leitura emergiu quando se passou a interpretar um sinal com base em seu valor sonoro isolado, dentro de um sistema padronizado de sinais limitados. Isso marcou uma mudança significativa: a leitura deixou de ser uma simples transferência de objeto para palavra para se tornar uma sequência lógica de sons que recriam a linguagem natural humana. Assim, em vez de decifrar imagens, passou-se a decifrar a linguagem. (FISCHER, 2006 p.15)
Enquanto isso Freire enfatiza que:
Ler é uma operação inteligente, difícil, exigente, mas gratificante ler é procurar ou buscar criar a compreensão do lido. Ler é engajar-se numa experiência criativa em torno da compreensão. Da compreensão e da comunicação. E a experiência da compreensão será tão mais profunda quanto sejamos nela capaz de associar, jamais dicotomizar, os conceitos emergentes na experiência escolar aos que resultam do mundo no cotidiano. (FREIRE,1995, p. 29-30)
Considerando a realidade verificada de que todos os alunos não são iguais, tanto em suas capacidades, quanto em motivações, modo de aprender, e compreendendo que mesmo diante de todas as dificuldades que os alunos apresentam, é preciso valorizar o processo de interação ensino-aprendizagem.
De acordo com Freire (1983, p. 49), alfabetizar:
É construir um conhecimento. Alfabetizar-se é adquirir uma língua escrita através de um processo de construção do conhecimento com uma visão da realidade. A criança é o sujeito do processo educativo, não havendo dicotomia entre o aspecto cognitivo e afetivo, mas uma relação dinâmica, prazerosa, dirigida para o ato de conhecer o mundo.
A observação de que a escola desempenha um papel fundamental no contato com os livros desde a primeira infância está alinhada com a literatura educacional. O suporte à imaginação dos alunos por meio de contos é uma abordagem pedagógica valiosa, promovendo o interesse e a conexão emocional com a leitura. Destacar a escrita como uma ferramenta que proporciona maior consciência sobre os fatos e a organização do pensamento é uma perspectiva relevante. Pois, segundo Koch:
Possibilitar ao aluno o domínio do gênero, primeiramente, para melhor conhecê-lo ou apreciá-lo, de modo a ser capaz de compreendê-lo, produzi-lo na escola ou fora dela; para desenvolver capacidades que ultrapassam o gênero e são transferíveis para outros gêneros próximos ou distantes. Para realizar tais objetivos, torna-se necessária uma transformação, ao menos parcial, do gênero: simplificado, ênfase em determinadas dimensões, etc. (KOCH, 2014, p. 74)
Além disso, a ideia de que as crianças estão sempre em processo de aprendizagem destaca a importância de abordagens pedagógicas contínuas e adaptativas. A alfabetização não deve ser vista como um evento único, mas como um processo em constante evolução ao longo do desenvolvimento educacional. Soares (2013), em sua concepção de alfabetização enfatiza que:
Em seu sentido pleno, o processo de alfabetização deve levar a aprendizagem não de uma mera tradução do oral para o escrito, e deste para aquele, mas a aprendizagem de uma peculiar e muitas vezes idiossincrática relação de fonemas-grafemas, de outro 17 código, que tem, em relação ao código oral, especificidade morfológica e sintática, autonomia de recursos de articulação do texto e estratégias de expressão/compreensão (SOARES, 2013, p. 17).
Partindo desta perspectiva surge uma questão fundamental para se alfabetizar, Soares (2013) enfatiza que, mais do que ler e escrever, o indivíduo relaciona-se com meio que em que vive, e que através das funções desempenhadas na sociedade, o sujeito ganha autonomia para conquistas pessoais. O processo de alfabetização não se restringe ao âmbito escolar, ou as quatro paredes da sala de aula. Já leitura e a escrita desempenham um aprendizado maior: o de vida. A ideia de que a leitura e a escrita têm um papel fundamental na aprendizagem de vida ressalta a dimensão prática e social dessas habilidades.
A alfabetização, ao permitir que os indivíduos se envolvam ativamente em suas comunidades e desempenhem funções sociais, contribui para o desenvolvimento da autonomia e para a conquista de metas pessoais. Com ênfase na leitura como um ato prazeroso e requisito para a promoção social e a cidadã é essencial. O incentivo à leitura desde a infância não só estimula a imaginação, mas também promove a capacidade de compreensão, empatia e aquisição do conhecimento.
A percepção de que o professor desempenha um papel essencial como modelo para alunos destaca a responsabilidade do educador na promoção da leitura como uma prática significativa. Quando os professores são leitores ávidos, isso pode inspirar os alunos a desenvolverem o mesmo hábito. A sugestão de que as práticas da linguagem, como leitura e escrita, não devem se limitar às quatro paredes da sala de aula, aponta para a necessidade de integrar essas habilidades de maneira mais orgânica na vida cotidiana dos alunos. Isso envolve criar conexões entre o que é aprendido na escola e as experiências do mundo real.
O processo de ensino e aprendizagem dos educandos, não devem limitar-se apenas aos livros didáticos que a escola proporciona costumeiramente, não que eles sejam menos importantes, mas infelizmente não são suficientes. Para isto, a cultura literária precisa ser introduzida nas escolas, na família e na sociedade como ferramenta de transformação do indivíduo. É através da leitura e escrita que o educando é atraído pelas grandes oportunidades que o livro pode oferecer, tanto na curiosidade, na descoberta, no aprimoramento da língua, e no desenvolvimento da habilidade de se comunicar com o mundo. Afinal, a escrita é a forma, por excelência, de transmitir ideias e conhecimentos adquiridos e o acesso a ela já não é mais algo tão restrito (KOCH, 2014, p. 31).
O professor é um dos principais agentes da promoção da leitura, e a sua função não é precisamente ensinar a ler, mas criar condições para a criança realizar sua própria aprendizagem. Afirmando que cada um aprende no seu devido tempo e que nenhuma criança chega à escola isenta de bagagens ou totalmente neutra. O que o educando traz de casa é imprescindível para o seu crescimento, enfatizando a importância da família e da escola para que a leitura e a escrita sejam propósitos perduráveis na vida delas.
O processo de construção da escrita, acontece através da leitura de mundo, esse período envolvendo a alfabetização não depende tão somente da escola, mas também é uma responsabilidade familiar. A participação da família se torna importante, pois a formação de crianças leitoras começa cedo, a família é a primeira instituição a evidenciar e desempenhar nessa formação, principalmente pelas crianças, que antes de entrarem na escola não dominam ainda os códigos linguísticos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O desenvolvimento dessa pesquisa possibilitou oferecer um embasamento teórico sobre a importância da leitura e da escrita no processo de alfabetização.
O processo de aquisição da lectoescrita nos anos iniciais é primordial para o desenvolvimento cognitivo das crianças. No entanto, diversos desafios podem surgir nesse processo. Essa distinção entre leitura e escrita, destacando a ênfase na decodificação visual na leitura e a transposição da palavra falada para o papel na escrita, é fundamental para compreender o desenvolvimento dessas habilidades.
A escrita não é um código que transcreve a língua oral (Teberosky, 2020, p. 19), mas é um sistema com regras próprias que influenciam a língua do ponto de vista histórico-cultural. Sabemos que as línguas com ou sem escrita não são iguais, assim como as pessoas individualmente, o conhecimento que se tem sobre a língua não é o mesmo que antes e depois da alfabetização.
Desde modo, é na família que são estabelecidos os primeiros passos para uma boa conduta e interação do sujeito na sociedade. Embora seja de suma importância o conhecimento de teorias referentes ao ensino da leitura e da escrita, e o domínio de tais habilidades, isso não é suficiente. É necessário que haja sensibilidade de ver cada criança como única, merecendo respeito, tendo cada conquista valorizada, procurando entender as limitações e o ritmo de aprendizagem de cada uma.
Enquanto as limitações observadas nas literaturas analisadas, identificaram-se algumas dificuldades, especialmente relacionadas à falta de qualificação de alguns educadores para empregar técnicas eficazes de alfabetização, com foco específico na leitura e na escrita.
Diante do exposto, foi possível dar resposta ao seguinte questionamento: Como ocorre o processo de aquisição da leitura e da escrita em crianças em fase de alfabetização? Constatou-se que o processo de aquisição da leitura e da escrita em crianças em fase de alfabetização ocorre através de várias etapas interconectadas. Cada uma das etapas contribui para o desenvolvimento dessas habilidades fundamentais. Este processo é dinâmico e contínuo, variando de acordo com o ritmo individual de cada criança. Com o apoio adequado e as estratégias apropriadas, as crianças podem desenvolver habilidades sólidas de leitura e escrita, essenciais para o sucesso escolar e para a vida.
Deste modo, na escola as crianças têm dificuldades na aprendizagem, especialmente na leitura e na escrita. Essas dificuldades podem se tornar desafios significativos se não forem identificadas precocemente.
Atualmente, o Brasil enfrenta desafios constantes na área da educação, como disparidades regionais, falta de infraestrutura adequada e deficiências na formação de professores. Superar esses desafios requer esforços coordenados em diferentes níveis, desde políticas educacionais mais robustas até investimentos na formação e capacitação de professores, além do acesso a materiais educacionais de qualidade.
Conclui-se que alfabetizar é oferecer condições que capacitem a criança. Entretanto, é possível compreender as práticas de leitura e escrita que se apresentam no meio educacional e social como uma ferramenta essencial para o desenvolvimento integral do indivíduo das maiores lacunas do ensino. Desse modo, é possível perceber uma deficiência na aquisição desse processo, que estão relacionadas a situações diversificadas, que vão da falta de planejamento, às atividades mal elaboradas, e até mesmo a falta de recurso pedagógico.
Sendo assim, ler e escrever é a linguagem mais avaliada no âmbito escolar, fazendo-se fundamental para a avaliação escolar, que são complementos de um sistema duplo de símbolos e interpretações. O âmbito escolar é o lugar onde o primeiro passo para leitura e escrita devem ser facilitados, aberto, mediado e prazeroso. Para formação de bons leitores, a escola enquanto instituição de ensino, precisa oferecer materiais concretos, ricos e principalmente de boa qualidade.
REFERÊNCIAS
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