Até Quando Seremos Cabras?
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
Tem um vídeo de uma cidade do interior da Índia que mostra o povo observando uma grande fogueira preparada para um evento tradicional, e um pastor com seu rebanho de cabras começa a conduzi-lo ao redor do fogo. Ele faz com que o rebanho corra com ele em volta da fogueira por uma, duas e três vezes, até que ele abandona o seu posto e as ovelhas continuam o ciclo de corrida, girando sem líder, sem destino, correndo exaustivamente de forma completamente cega. O que era para ser um círculo vira um ciclo vicioso, que se perpetua[1].
Fazendo uma analogia, muitos se identificam como essas cabras que correm em volta da fogueira sem saber o porquê, fazendo apenas o que é sugestionado por líderes religiosos e políticos — o primeiro acreditando fielmente que a política é a luta do bem contra o mal, e no lado político, descobrindo outra utilidade para o detergente Ipê.
Observe o quão polarizada está nossa sociedade, e isso acarreta preconceitos e intolerância de qualquer tipo, culminando em violência e na falta de discernimento onde os fatos não interessam; o importante é a narrativa de quem está afundado na lama da corrupção, o que faz este rebanho acreditar de forma irredutível nas mentiras — enfim, na mais absurda alienação, a ponto de, inclusive, ocasionar a perda da dignidade e até o sofrimento de muitos que ficam correndo em volta deste fogo, já que qualquer sinapse cognitiva foi rompida pelo ecoar das imbecilidades ditas por seus pastores (religiosos ou políticos).
É um rebanho formado por pessoas docilizadas ao seguirem regras, porém agressivas com os diferentes, defendendo o que há de mais vil na sociedade e representando o neofascismo, a misoginia, o racismo, a homofobia — enfim, tudo o que nos faz humanos é destituído para favorecer os pastores desses rebanhos.
Até quando essas pessoas serão cabras? Por isso é que esses líderes usurpadores são contra a educação de qualidade; por isso esses líderes pregam o homeschooling, e pelo mesmo motivo são inimigos dos docentes e das universidades públicas.
O pensar, para esses pastores, causa medo, porque essas pessoas poderão contestar o status quo, poderão questionar o porquê de estarem correndo sem parar e sem um sentido em volta de uma fogueira, e até mesmo porque os principais líderes não se encontram nessa corrida?
Como ressaltado em minhas obras “Educação um ato Político”; “Educação uma Questão de Politizar” e “Educação e a Não Neutralidade”, a educação desenvolve no aluno o discernimento, o pensar crítico, a autonomia intelectual, a capacidade de formular os próprios juízos de valores decidindo por si mesmo e não porque foi mandado, o que é corroborado por Freire[2] quando ressalta a educação que trabalha a “presença que se pensa a si mesma, que sabe presença, que intervém, que transforma, que fala do que faz mas também do que sonha, que constata, compara, avalia, valora, que decide e que rompe”, e o rompimento é o maior medo desses pastores.