Bom começo em 2004
Dez dias depois do Natal, 997 concorrentes a uma vaga na Universidade de Brasília (UnB) pelo Programa de Avaliação Seriada (PAS) ganham o presente mais esperado por eles: a aprovação. O resultado é uma alegria sem tamanho para quem concorreu com mais de oito mil pessoas. Tão importante que merece a festa preparada pelo Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe), ao som da banda de pop rock, Mansão Jacobina.
Fernanda Souza, 17 anos: "Não tinha expectativa de passar. Entrar na UnB era um sonho para mim". Enquanto suas amigas pintavam-na dos pés à cabeça com a cor preta - que até passou a representar a alegria na pele da menina - ela gritava à mãe, pelo celular, que tinha passado.
Patrícia Braga, 17 anos, não teve a mesma alegria. Concorrente ao curso de Medicina, ela não passou, mas não perdeu as esperanças para o vestibular que acontecerá nos dias nove e 10 de janeiro. Ela comemorou, entretanto, como se tivesse passado, o sucesso das amigas Mariana Araújo, 17, que passou para Matemática, e Bianca Sterling, 17, para Engenharia Mecatrônica. As três pulavam e gritavam irreconhecíveis pela bagunça no Centro Comunitário.
Pedro Renato Brandão, novo aluno de Medicina com apenas 17 anos, teve seus longos cabelos raspados pelos amigos. Ele conta que estudou por três meses seguidos e não faz a menor idéia de como comemorar. Débora de Melo, 17, que passou para Engenharia Civil, já sabe que vai sair com os amigos. Na véspera do resultado, ela contava, sem tirar os olhos do portão do Centro Comunitário, que não dormira muito bem na noite anterior. Seu pai, Júlio César Cavalcante, amparava a menina com tranqüilidade.
Em geral, o sentimento foi de alegria, dada a proximidade da nova chance trazida pelo vestibular. Além disso, a maioria garante que, mesmo não passando, não desistirá. É o caso de Gabriela Pantoja, 17 anos, que concorreu ao curso de Economia. Antes de saber que não havia passado, ela garantiu: "Se não passar, vou fazer cursinho, porque só quero a UnB". Daniel Mackay, 18 anos, que não passou para Arquitetura, espelha-se no irmão: "Ele tentou por três anos e passou".