Brasil: Onde a Contradição é Regra
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
Como ressaltado em meus livros[1], a educação é, de fato, uma ação subversiva. Isso porque ela age contra o sistema ao desenvolver o poder de discernimento nos alunos. Quando esse processo se efetiva, é sinal de que ela cumpriu seu verdadeiro dever. Por isso, o ato de educar nunca deve ser neutro, já que a neutralidade, na verdade, é a concessão ao mal, à opressão e até mesmo à manipulação.
O discernimento proporciona ao aluno o entendimento do seu status quo; isto é, faz com que ele desenvolva consciência política, de classe e autonomia para interferir em sua realidade como protagonista de sua própria história.
Ao atingir tal grau de esclarecimento, o indivíduo consegue perceber o quão paradoxal é o comportamento social e político. Notará, por exemplo, que pessoas que se dizem cristãs e estão inseridas em religiões pentecostais muitas vezes apoiam governos de países em conflitos genocidas. Perceberá que cidadãos em vulnerabilidade votam em políticos que favorecem grandes empresários, os quais propõem o aumento da carga horária e o corte de direitos trabalhistas conquistados a duras penas. Notará, ainda, que estes mesmos indivíduos, situados na base da pirâmide social, criticam políticas assistencialistas, embora usufruam delas.
Uma pessoa esclarecida percebe que políticos questionam a Lei Rouanet — que não é verba direta do governo —, mas utilizam recursos públicos, como o Orçamento Secreto e a "Emenda Pix", para patrocinar filmes com narrativas baseadas em realidades paralelas. Notará que aqueles que outrora tentaram extinguir os direitos humanos, classificando-os como "esterco da humanidade", hoje imploram por eles. E que os mesmos que questionavam a prisão domiciliar, alegando impunidade, hoje buscam esse direito para si.
O Brasil talvez seja o único país onde o cidadão se diz patriota enquanto implora por intervenção estrangeira e clama por democracia exigindo a implantação de uma ditadura. São contradições que evidenciam um sério problema de sinapse cognitiva que acarreta em um mal coletivo.
Vivemos em uma nação marcada por abismos sociais, intelectuais e culturais. Cabe à educação diminuir essas distâncias, para que a isonomia e os direitos sejam efetivados. O objetivo é oferecer ao aluno o discernimento necessário para que ele aprenda a tomar decisões conscientes e perceba que o cenário político atual é consequência direta da falta de consciência política, de classe e de cor. Que a educação exerça, enfim, seu poder transformador, para que o aluno deixe de ser massa de manobra e passe a ser o protagonista de seu próprio destino.
[1] TAVARES, Wolmer Ricardo. Educação e a Não Neutralidade. São Paulo: Ícone, 2024.
TAVARES, Wolmer Ricardo. Educação uma Questão de Politizar. São Paulo: Ícone, 2022.
TAVARES, Wolmer Ricardo. Educação um Ato Político. São Paulo: Autografia, 2019.