Câmara debate racismo na educação
O racismo na educação será tema de debate nesta sexta-feira (7), na Câmara Municipal de São Paulo. Organizações não governamentais ligadas ao movimento negro, professores, estudantes, acadêmicos, parlamentares e representantes do setor empresarial e dos diversos níveis do poder executivo, estarão discutindo o tema.
O evento denominado "Por uma educação que promova auto-estima de crianças e adolescentes negros" é promovido por diversas ong´s que abordam esta temática e tem por objetivo sensibilizar os profissionais da educação e o poder público a fim de discutir a inclusão da temática racial em seus programas institucionais. A atividade é integrante do ciclo de debates Afrodescendentes, cotas de inclusão racial e outras ações afirmativas que acontecerá no decorrer do mês de novembro.
Estudo feito pelo Inep aponta dois dados preocupantes relacionados à desigualdade racial na educação brasileira. Alunos negros, quando ingressam na escola, param de estudar antes que os brancos. Além disso, de 1995 a 2001, apresentaram uma queda mais acentuada no desempenho, o que segundo as organizações não governamentais que atuam na temática racial e diversos especialistas na área educacional, é o resultado da influência da discriminação racial no desempenho do aluno.
Baseada em dados do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) de 2001, a pesquisa mostra que, dos 3,7 milhões de alunos matriculados na 4ª série em escolas públicas e privadas, 12% se declararam negros e 44%, brancos. O percentual de negros diminui para 8% na 8ª série e para apenas 6% no 3º ano do ensino médio. O caminho é inverso para brancos: 46% e 54%, respectivamente. Enquanto a nota média em língua portuguesa de alunos brancos matriculados na 4ª série caiu de 193,4 para 174, a dos negros baixou de 173,8 para 147,9. No 3º ano é pior: a média na mesma disciplina caiu de 298 para 270,5 entre alunos brancos e de 274,9 para 243,1 entre negros.
Segundo a Professora doutoranda em história pela USP, Fabiana Schleumer, “Sentados(as) em suas carteiras, num dia de aula comum, a maioria dos estudantes brasileiros aprende que a escravidão foi abolida em 13 de maio de 1888, quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea. Esses(as) jovens crescem e tornam-se adultos que crêem que a grande mocinha da história é a princesa branca, como nos contos de fada que lemos na infância. Por que omitir ou não tornar mais evidente o fato de que apenas 5% do povo negro vivia sob regime de escravidão quando a Lei Áurea foi assinada? Que o povo negro lutou pela sua liberdade, que não se rendeu à escravidão e ao massacre de sua cultura sem resistência? Faria alguma diferença se todos e todas admitissem que foi graças ao suor, ao trabalho negro, que o Brasil foi construído? ”.
Ainda, de acordo com a pesquisadora, “São muitas as lacunas sobre a real trajetória do povo negro no Brasil, que se limita, na maioria dos relatos oficiais, à fase escravista".