Capes irá induzir pesquisa e inovação tecnológica
Começar a construir hoje o Brasil em que queremos viver daqui a dez, vinte anos é a missão que se impôs o novo presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Almeida Guimarães, 65 anos. Professor, pesquisador e cientista, ele quer que a Capes seja indutora de projetos em áreas novas como a biotecnologia e as engenharias, sem deixar de ser uma entidade aberta a receber propostas do sistema clássico.
Para atingir esse objetivo, diz que a Coordenação deve aprimorar os critérios de avaliação e atrair para o sistema o que há de melhor nos departamentos e nas unidades acadêmicas públicas e privadas que apostam na qualidade da pós-graduação.
São muitas as áreas em que a Capes deve induzir programas de pós-graduação. Entre elas estão a tecnologia e a biotecnologia, que vão ajudar o Brasil a enfrentar os vários tipos de doenças que representarão desafios nos próximos anos. Outros setores terão atenção máxima: meio ambiente, área espacial e monitoramento, em que as demandas vão crescer muito; os problemas de saúde provocados pela violência e pelo trauma, que já têm peso hoje e que vão continuar; o câncer, que vai exigir ações cada vez maiores para prevenção e diagnóstico. No caso do câncer, o presidente da Capes lembra que existem no Brasil apenas dois cursos de pós-graduação em que a oncologia é o foco principal.
A indução de projetos vai ganhar campo na região Nordeste, especialmente na área de biotecnologia. Os alvos serão a produção de frutas tropicais, a caprinocultura, a piscicultura e a produção de crustáceos, áreas em que o Brasil é muito competitivo. O novo presidente da Capes acredita que a produtividade pode ser muito melhor se houver uma ação direcionada para a formação de recursos humanos.
Para isso, está sendo estruturado um programa de pós-graduação em biotecnologia que terá a participação de todas as instituições públicas de ensino superior da região Nordeste. O programa, que será induzido, começou no Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e deve chegar à Capes nos próximos dias.
Outras áreas que demandam mão-de-obra qualificada e formação específica com muita urgência são o meio ambiente, especialmente o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Nacional do Câncer (Inca) também são clientes potenciais de recursos humanos qualificados. Há também demanda por reposição de quadros nos governos federal, estaduais e municipais, nas instituições privadas da indústria e no setor serviços.