06/07/2006

"Casa-de-mãe-Joana"


O título deste artigo não é estranho. A história diz que era um local onde os poderosos não mandavam. Algo neste sentido. Uma expressão surgida há décadas, conhecida de todos os brasileiros e que simboliza, nos dias de hoje, um local onde existe a desordem, a bagunça. Um local onde ninguém manda ou que não tem dono. É assim que tenho visto o atual cenário político. Uma vergonha para um país continental com tanta representatividade na economia internacional.

O que aconteceu em Brasília, neste mês de junho, a invasão de baderneiros ao local que representa o órgão máximo da governabilidade de um país, justifica o título "Casa-de-mãe-Joana". Que vergonha! Quanta indisciplina, falta de patriotismo e irresponsabilidade! Tudo com intuito político. O que mais me entristece é que o cidadão brasileiro fica marcado por atitudes como aquelas mostradas pela televisão.

Naquele episódio, a ignorância e a vaidade pessoal de quem "organizou" tamanha barbárie demonstra uma ignorância e uma irresponsabilidade de comportamento de causar espanto a qualquer pessoa do planeta. Se eles queriam entrar para a história o objetivo foi atingido. Mas eles entraram de uma forma tão medíocre, que as lembranças daquele episódio marcarão uma data em que a ignorância e a falta do que fazer tornaram nosso país manchete internacional. Vale a pena entrar para a história daquela forma?

Os milhares de cidadãos sérios, que morreram neste país, em luta pela igualdade e pelos direitos fundamentais dos brasileiros, nunca se orgulhariam de ver a destruição do patrimônio público. Aliás, pessoas que têm dentro de si o espírito de cidadania não almejam a destruição de qualquer coisa. Por mais radical que seja uma mudança, destruir, depredar, agredir é uma concepção fora dos padrões éticos. É uma ignorância sem limites.

Faço uma comparação. O Congresso, órgão de poder supremo nos países em que existe, tem exercido, no Brasil, o exemplo necessário para conduzir a nação? "Casa-de-mãe-Joana". Todos sabem o significado desta expressão que se popularizou ao longo dos anos e a que local ela se refere neste momento. A capital do Brasil se tornou o antro de "maracutaias" e de interesses inescrupulosos. Aliás, o caos conseqüente da ingovernabilidade do país vem acontecendo há décadas. O cidadão brasileiro não merece e nem pode compactuar com isso.

O Brasil é o maior país da América Latina. Único no que se refere aos recursos naturais. Uma potência mundial em recursos hídricos, dentre outros. Mas envolto por pessoas com objetivos destrutivos de suas instituições e da ordem nacional.

Vamos lembrar do passado. Onde surgiu a expressão "casa-de-mãe-Joana". Acompanhemos toda a trajetória de nossa colonização imperialista e percebemos que nada está sendo por acaso. O interesse nesta bagunça ultrapassa nossas fronteiras. Não podemos mais continuar sendo massa de manobra dos interesses que não são do nosso país, do cidadão brasileiro. Seja na camada empresarial ou na população de modo geral, todos pagam a conta por esse desrespeito à nossa condição de cidadãos.

O respeito às leis que regem nossa nação e as normas de convivência humana devem fazer parte de nossa cultura. Nosso país vem sendo pisado pelos que pregam a desordem e dela tiram proveito. Somos um povo inteligente e hábil. Isso é inquestionável. Estamos em um país abençoado por Deus. Isso é um fato.

Enquanto tivermos ambas as situações contextualizadas em nossas vidas, a solução, mesmo que em longo prazo, surgirá. Temos de acreditar em nosso potencial. Para isso, a mudança pessoal de nossos conceitos e valores são fundamentais para a sustentabilidade de uma cultura produtiva voltada para o crescimento.

O fato não é somente exigir e cobrar. É participar através de uma mudança pessoal. O alicerce para isso é, sem dúvida, a educação. Comece fazendo a sua parte.


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