30/04/2005

Centro de documentação da Unesp abriga acervo sobre 1º de maio

Um pouco da história do movimento relacionado ao 1º de Maio no Brasil, como cartazes dos movimentos organizados pela sociedade nos anos da ditadura, pode ser consultada no Centro de Documentação e Memória da Universidade Estadual Paulista (Cedem-Unesp).

No acervo do Cedem, há aproximadamente cinco mil livros, 500 cartazes, 400 fotografias e, principalmente, uma coleção de periódicos, com cerca de oito mil títulos da imprensa clandestina e nanica, nacionais e internacionais. "Eles servem de fonte para entender melhor a luta dos trabalhadores do Brasil e de outros países em diversas épocas", afirma Anna Maria Martinez Corrêa, coordenadora da instituição.

Instituído pelo Congresso Socialista, realizado em Paris no ano de 1889, o 1º de Maio tornou-se um dia mundial de reivindicações trabalhistas como a jornada de trabalho de oito horas, melhores salários e melhores condições de vida. As festividades de 1º de Maio como o Dia do Trabalho tem a sua origem nos Estados Unidos, em fins do século XIX, quando já havia naquele país um movimento sindical organizado.

No Brasil, a primeira expressão do movimento dos trabalhadores para a redução da jornada foi em 15 de junho de 1890, no Teatro São José, em São Paulo, de acordo com o pesquisador Marcos Del Roio, professor da Unesp, campus de Marília, e presidente do Instituto Astrojildo Pereira. O primeiro Congresso Operário no país foi realizado entre 15 e 20 de abril de 1906, no Rio de Janeiro. Na ocasião, foi aprovada resolução onde se instituíam as comemorações trabalhistas do 1º de Maio, a criação da Confederação Operária Brasileira (COB) e a elaboração do periódico Voz do Trabalhador, entre outras determinações.

O Centro de Documentação e Memória da Unesp foi constituído em 1987. Seus objetivos são a realização de pesquisas, a preservação de documentos e sua difusão. Seu acervo, aberto à consulta pública, reúne arquivos e coleções sobre a história política contemporânea. Foram recebidos, por custódia ou doação, arquivos e coleções que, anteriormente estavam sob a guarda das seguintes entidades: Archivio Storico del Movimento Operario Brasiliano (Asmob), abrigado durante anos na Fundação G. Feltrinelli, sendo hoje seu proprietário o Instituto Astrojildo Pereira; Centro de Estudos do Movimento Operário Mário Pedrosa (Cemap); Centro de Estudos da Cidade de São Paulo (Cedesp); parte do arquivo do PCB; Instituto Roberto Morena (IRM) e documentação iconográfica, fotográfica e periódica do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

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