27/04/2005

Ciclitas-atletas estão proibidos de circularem na USP

Por Cristiane Capuchinho

Começou a vigorar nesta segunda-feira (25) a decisão tomada pelo Conselho do Campus da Capital que impede “a utilização das vias de circulação da Cidade Universitária por ciclistas-atletas que não sejam integrantes dos quadros de docentes, funcionários e estudantes da USP, no período de segunda a sexta-feira”. O Conselho considerou que os pelotões de ciclistas que treinam nas ruas da universidade colocam em risco a segurança dos pedestres, além de causar transtornos aos carros e ônibus.

Segundo o ouvidor geral da USP, professor Ruy Laurentti, os atletas costumam andar em pelotões, colocando em risco à segurança de pedestres e motoristas. “Eles entram nas ruas com velocidade, não respeitam quem está atravessando, xingam os pedestres e motoristas”, exemplifica o ouvidor.

Para o aluno do curso de Letras, João Carlos Rocha Campos, que é participante da Bicicletada – movimento que existe em várias cidades brasileiras e que pretende incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte –, os problemas apontados como motivos da proibição são infrações de trânsito. “Não parar na faixa de pedestre, dirigir ameaçando pedestres e motoristas são infrações de trânsito. A solução para esse problema não é proibir a circulação, mas chamar a CET para punir estas infrações”.

O professor Ruy Laurenti chama a atenção para a faixa de pedestre em frente à Faculdade de Educação, onde “os carros param, os ônibus param e, quando os pedestres vão atravessar, vem um pelotão de bicicletas em alta velocidade”. O ouvidor acredita que, da maneira como acontece, não é possível conciliar o treinamento dos atletas com o tráfego de veículos e pessoas na USP, pois os ciclistas precisam desenvolver uma velocidade que não é compatível com a segurança dos pedestres.

Os atletas que usam o campus da capital afirmam não existirem outros locais para treinamento do esporte, já que em parques poderiam machucar crianças e pedestres, e o treino em estradas é perigoso pela quantidade de carros e caminhões em alta velocidade. “Este é o único local em que podemos treinar de modo seguro, outros lugares são vias de acesso com um número excessivo de carros”, declara Igor Laurent, praticante do esporte há quatro anos.

Os alunos da USP praticantes do ciclismo e as pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte não precisam se preocupar, seu acesso continua permitido.

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