20/12/2003

Coleta intensiva de castanha-do-pará é insustentável, diz estudo



Estudo realizado pelo biólogo Carlos A. Peres, do Instituto de Biociências (IB) da USP e da East Anglia University, do Reino Unido, denuncia os perigos da coleta intensiva de castanhas para a espécie e para o equilíbrio ecológico da Amazônia.

Segundo a pesquisa Ameaças demográficas à sustentabilidade da exploração de castanha-do-pará, os padrões atuais são insustentáveis e, sem um manejo adequado, os castanhais podem ser devastados num período entre 50 e 100 anos. O estudo foi publicado na revista Science, na edição desta sexta-feira.
Segundo a bióloga Claudia Baider, do Departamento de Ecologia do IB, "há cinco décadas a intensidade da coleta é exagerada." A pesquisa revela que, apenas na parte brasileira da Amazônia, são coletadas anualmente mais de 45 mil toneladas de castanha-do-pará, com um faturamento que chega a 33 milhões de dólares.

A bióloga afirma que a presença de árvores novas é um dos principais indicadores de saúde da floresta. "Quando uma população não tem indivíduos jovens, não há chance de reposição daqueles que vão morrendo". Com isso, a pesquisa indica que a tendência é a extinção da espécie. "Os maiores castanhais, na região de Belém, Tucuruí e no Sul do Pará, já desapareceram. O desmatamento ilegal é a principal causa, mas descobrimos que a coleta intensiva também tem um papel importante na devastação".



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