CONSTRUINDO UMA SOCIEDADE DA APRENDIZAGEM NA ECONOMIA DO CONHECIMENTO EM CAMAÇARI: BASEADA NA TEORIA DE JOSEPH STIGLITZ E BRUCE GREENWALD
José Cláudio Rocha[1]
Resumo:
Este artigo tem como objeto de estudo a construção de uma sociedade da aprendizagem em Camaçari, fundamenta na teoria de Joseph Stiglitz (Prêmio Nobel de Economia em 2001) e Bruce Greenwald sobre economia do conhecimento. O objetivo central é analisar como políticas públicas locais e regionais, articuladas pelo Estado podem promover um desenvolvimento sustentável inclusivo e inovativo, tendo a aprendizagem contínua como eixo estratégico. A justificativa reside na constatação de que o crescimento econômico duradouro depende da criação deliberada de redes de aprendizagem e da democratização do acesso ao conhecimento, papel que exige uma atuação proativa do Estado em todos os seus níveis (federação, estado e município). Resultados da análise indicam que a produção, preservação e difusão do conhecimento são desafios éticos, políticos, sociais e culturais ligados à promoção da equidade, justiça social e soberania intelectual. O estudo conclui que políticas públicas deliberadas de investimentos em educação crítica, ciência, tecnologia e inovação, associadas à democratização das capacidades cognitivas, são condições indispensáveis para o florescimento de uma sociedade da aprendizagem na economia do conhecimento capaz de enfrentar o desafio de melhoria da condição humana associada ao desenvolvimento sustentável.
Palavras-chaves: sociedade da aprendizagem; economia do conhecimento; Stiglitz e Greenwald; Camaçari; políticas industriais; inovação inclusiva.
Abstract:
This article examines the construction of a learning society in Camaçari, based on the theoretical contributions of Joseph Stiglitz (Nobel Prize in Economics, 2001) and Bruce Greenwald on the knowledge economy. The main objective is to analyze how local and regional public policies, articulated by the State, can promote inclusive, innovative, and sustainable development, with continuous learning as a strategic axis. The relevance of this study lies in the recognition that sustained economic growth depends on the deliberate creation of learning networks and on the democratization of access to knowledge—processes that require proactive action by the State at all levels of government. The results of the analysis indicate that the production, preservation, and dissemination of knowledge constitute ethical, political, social, and cultural challenges closely linked to the promotion of equity, social justice, and intellectual sovereignty. The study concludes that deliberate public policies aimed at investing in critical education, science, technology, and innovation—combined with the democratization of cognitive capabilities—are indispensable conditions for the emergence of a learning society within the knowledge economy, capable of addressing the challenge of improving the human condition in association with sustainable development.
Keywords: learning society; knowledge economy; Stiglitz and Greenwald; Camaçari; industrial policy; inclusive innovation.
- INTRODUÇÃO
Este artigo analisa a proposta de Joseph Stiglitz e Bruce Greenwald no livro Creating a Learning Society: a new approach to Groth, development and social progress (Por uma sociedade de aprendizagem: repensar o desenvolvimento e o comércio livre, Editora Columbia University express, articulando essas ideias ao trabalho de pesquisa do Centro de Referência em Desenvolvimento e Humanidades da Universidade do Estado da Bahia (CRDH/UNEB), ambiente de inovação, onde são analisadas políticas públicas da Bahia e Região Metropolitana (RMS) e tecnologias sociais e ambientais que favoreçam ao desenvolvimento sustentável inclusivo e inovativo do país[2].
A tese central do livro é que o crescimento econômico duradouro e equitativo requer a construção deliberada de uma sociedade baseada na aprendizagem contínua, sendo papel essencial do Estado (municipal, estadual e federal) promover condições para isso.
Segundo Stiglitz e Greenwald, mercados por si só não são suficientes para induzir a aprendizagem coletiva, tampouco garantem a difusão e preservação do conhecimento. É preciso que o Estado atue de forma proativa, criando redes de aprendizagem e inteligência coletiva.
O artigo estrutura-se em torno de três eixos: fundamentos conceituais da sociedade da aprendizagem na economia do conhecimento; as falhas do mercado e papel do Estado; e a importância da educação, da ciência, tecnologia e inovação para a construção de um Estado cidadão e democrático de direito, capaz de promover um desenvolvimento sustentável inclusivo e inovativo.
A partir da interlocução com os marcos epistemológicos e metodológicos do CRDH/UNEB defende-se que a produção, preservação e difusão do conhecimento é também um desafio ético e político, relacionado à promoção da equidade, da justiça social e da soberania intelectual.
Conclui-se que a construção de uma sociedade da aprendizagem depende de políticas públicas deliberadas de investimentos em educação crítica e inovadora, além da democratização das capacidades de produção e apropriação do conhecimento.
- CAMAÇARI 5.0: SOCIEDADE DA APRENDIZAGEM NA ECONOMIA DO CONHECIMENTO
O século XXI é marcado pela transição para uma economia baseada no conhecimento, o que exige um novo paradigma de desenvolvimento[3].
O livro Criando uma Sociedade da Aprendizagem, de Joseph Stiglitz[4] e Bruce Greenwald, propõe uma inflexão nas políticas econômicas tradicionais, centrando o desenvolvimento na capacidade de aprender e inovar (STIGLITZ, 2017).
A proposta é defender o papel estratégico da aprendizagem crítica, da participação democrática e cidadã, da ciência, tecnologia e inovação no desenvolvimento sustentável para toda a população, especialmente, pessoas em situação de vulnerabilidade social. Uma sociedade da aprendizagem, segundo Stiglitz, é aquela capaz de promover inovações tecnológicas e sociais de forma sistemática e inclusiva. A experiência histórica das economias ocidentais e asiáticas mostra que a aprendizagem institucionalizada teve mais impacto no bem-estar humano do que meras melhorias na eficiência dos mercados (STIGLITZ, 2013).
A revolução industrial não apenas aumentou a renda, mas mudou radicalmente as condições de vida, inclusive a expectativa de vida, e isso se deu por meio de avanços no conhecimento. Ainda hoje, as diferenças entre países desenvolvidos e em desenvolvimento se explicam mais pela capacidade de produzir e absorver conhecimento do que pela quantidade de recursos naturais (STIGLITZ, 2004).
Stiglitz e Greenwald argumentam que cerca de 7/8 do crescimento econômico sustentável está ligado à inovação e ao progresso técnico. Mercados não são, contudo, eficientes na criação de ambientes propícios à aprendizagem sistêmica. Assim, o papel do Estado é insubstituível na criação das bases institucionais de uma sociedade da aprendizagem. Políticas públicas deliberadas, como investimentos em educação, pesquisa e infraestrutura de conhecimento, são condições para o florescimento da inovação (STIGLITZ, 2019).
A aprendizagem não é neutra: ela está vinculada a valores democráticos, à justiça social e à construção da cidadania. A construção de uma sociedade da aprendizagem requer, portanto, mais que técnica: exige um projeto ético-político de inclusão e participação. Segundo Stiglitz, os países que avançaram nesse sentido o fizeram com estratégias que combinaram planejamento estatal, democratização do conhecimento e fortalecimento da educação pública (STIGLITZ, 2017).
Ainda que o mercado tenha papel complementar, ele não substitui o investimento público em capacidades cognitivas coletivas. O conhecimento, diferentemente dos bens materiais, possui características de bem público: é não-rival e, muitas vezes, não-excludente. Isso significa que sua difusão amplia os benefícios sociais, ao contrário do consumo privado de bens escassos. Mas, também exige políticas que combatam a concentração de saberes e promovam o acesso universal à educação de qualidade. A desigualdade de conhecimento é hoje uma das principais causas da desigualdade de renda e de oportunidades. Construir uma sociedade da aprendizagem é, portanto, também uma tarefa de justiça cognitiva (STIGLITZ, 2006).
A aprendizagem deve ser compreendida como motor do desenvolvimento econômico e social. Há uma distinção clara entre crescimento baseado em acumulação de capital e aquele baseado em conhecimento. Inovação e experimentação são centrais para a elevação da produtividade, e o conhecimento, como bem público, desafia as soluções de mercado tradicionais (STIGLITZ, 2019).
Por isso, os mercados sozinhos não promovem eficientemente a aprendizagem coletiva. É necessário que políticas públicas criem externalidades positivas ligadas à difusão do conhecimento. Exemplos históricos de sucesso, como Coreia do Sul, Taiwan e a Alemanha no pós-guerra, ilustram como estratégias coordenadas de Estado podem impulsionar sociedades da aprendizagem. Stiglitz e Greenwald defendem uma política industrial que priorize a aprendizagem e a inovação (STIGLITZ, 2017).
Nesse sentido, a educação assume papel central. Destacamos a importância de uma educação crítica e transformadora, capaz de articular ciência, tecnologia e participação democrática. Universidades e instituições públicas de pesquisa tornam-se motores da sociedade da aprendizagem. Democratizar a produção do conhecimento e combater desigualdades cognitivas são tarefas indispensáveis para a construção de uma sociedade mais justa e inovadora (STIGLITZ, 2013).
Criar uma sociedade da aprendizagem é uma tarefa coletiva, que exige planejamento estratégico, investimentos públicos e um projeto democrático de longo prazo. As ideias de Stiglitz e Greenwald, ao colocarem a aprendizagem no centro da política econômica, oferecem uma alternativa promissora às abordagens tradicionais baseadas em eficiência de mercado (STIGLITZ, 2017).
Ao incorporar a perspectiva crítica, vemos que essa transição também depende de um compromisso ético com a inclusão, a justiça social e a soberania educacional. Não se trata apenas de crescer, mas de crescer aprendendo — e de garantir que todos tenham direito a aprender, inovar e transformar suas realidades (STIGLITZ, 2002).
- CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conheci o trabalho de Joseph Stiglitz no Curso sobre Ética, Capital Social e Desenvolvimento na América Latina, coordenado por Bernardo kliksberg na iniciativa Interamericana de Capital Social, Ética e Desenvolvimento do Inter-American Development Bank em 2004, em formato de curso voltado para professores universitários da América Latina e do Caribe. O programa tinha como título “Cómo enseñar ética, capital social y desarrollo em la universidad”, sendo realizado de setembro a dezembro de 2004, com cerca de 200 participante, reunindo especialistas e docentes interessados em incorporar esses temas aos currículos universitários. Foi em verdade uma oportunidade participar dessa turma, já que o programa não formou novos grupos[5].
O objetivo do curso foi capacitar professores para desenvolverem conteúdos, bibliografias e metodologias pedagógicas que integrassem a dimensão ética às políticas e estratégias de desenvolvimento, fortalecendo uma rede universitária regional dedicada ao estudo da ética pública, do capital social e do desenvolvimento humano sustentável.
Desde então, nos tornamos leitores assíduos dos escritos de Joseph Stiglitz em parceria com Bruce Greenwald e outros autores, ao considerar a importância de suas reflexões para a compreensão da economia mundial e brasileira, assim como o processo de construção de um Sistema Local de Inovação (SLI) em Camaçari.
Sobre a temática estudada, vivenciamos um era em que o conhecimento se tornou o principal vetor do desenvolvimento econômico, social e cultural. A economia do conhecimento, ao deslocar o foco da mera acumulação de capital para a aprendizagem coletiva, exige um redimensionamento das políticas públicas e das práticas institucionais.
Nesse contexto, as universidades e centros de pesquisa oferecem um olhar sensível e comprometido com a construção de uma sociedade da aprendizagem, em linha com as reflexões de Stiglitz e Greenwald e com a experiência concreta do território de Camaçari.
O desafio da transição para uma sociedade da aprendizagem exige mais do que avanços técnicos, demanda articulação entre ética, inclusão e justiça social. É fundamental que o Estado assuma seu papel estratégico, investindo em educação pública de qualidade, pesquisa e infraestrutura de conhecimento, capazes e gerar externalidades positivas e democratizar o acesso aos saberes.
A cidade de Camaçari ao abrigar o maior complexo industrial do Hemisfério Sul, exemplifica as potencialidades e os obstáculos dessa transição. A construção de uma Sistema Local de Inovação (SLI) só encontra sentido se pautada pelo fortalecimento de redes colaborativas, pela formação continuada da população e pela integração entre universidade, setor produtivo e sociedade civil.
A experiência internacional confirma que mercados, embora relevantes, não substituem o necessário planejamento estatal e engajamento coletivo. Países como a Coreia do Sul, Taiwan e Alemanha evidenciam como estratégias orquestradas podem promover a inclusão cognitiva e reduzir desigualdades.
Mais do que indicadores econômicos tradicionais, importa as externalidades positivas geradas pela aprendizagem no bem-estar humano, na cidadania e na criatividade social. Por isso, cada educador, gestor e agente público é chamado a agir, promovendo ambientes de inovação, participação democrática e valorização da diversidade, pois a riqueza de uma sociedade do conhecimento reside justamente na pluralidade de vozes e saberes.
Construir uma sociedade da aprendizagem não é uma tarefa individual, mas coletiva. Implica em compromisso ético com a inclusão, coragem para transformar práticas e abertura à experimentação. É preciso garantir que todos tenham o direito de aprender, inovar e transformar suas realidades, reconhecendo que a justiça cognitiva é condição para o desenvolvimento sustentável inclusivo e inovativo.
O maior desafio a construção desse processo é justamente chegar a cada cidadão de Camaçari dentro de uma perspectiva de inovação inclusiva. A formação de pessoas para esse novo momento de desenvolvimento da região é um grande desafio que necessita ser acompanhado pelo poder público municipal. Cabe a prefeitura de Camaçari e ao Governo do Estado dotar o cidadão das competências e habilidades necessárias à participação qualificada desse processo. Isso requer um diálogo público com todos os atores do setor educacional, sem reservas de espaço para determinados grupos que historicamente circulam nesses ambientes onde se fala em inovação e empreendedorismo.
Referências
BAHIA. Lei Nº 14315 DE 17/06/2021. Dispõe sobre estímulos ao desenvolvimento científico, à pesquisa, à capacitação científica e tecnológica e à inovação do sistema produtivo no Estado, 2021. Disponivel em: <https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=415905>. Acesso em: 25 Junho 2024.
BRASIL. LEI Nº 13.243, DE 11 DE JANEIRO DE 2016 Dispõe sobre estímulos ao desenvolvimento científico, à pesquisa, à capacitação científica e tecnológica e à inovação e altera a Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004, a Lei nº 6.815, de 19 de agosto de 1980, a Le. Presidência da República - Secretaria - Geral - Subchefia para assuntos Jurídicos, 2016. Disponivel em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13243.htm>. Acesso em: 13 jun. 2024.
STIGLITZ, J. A globalização e seus malefícios. São Paulo: Futura, 2002.
STIGLITZ, J. Rumo a um novo paradigma. São Paulo: Francis, 2004.
STIGLITZ, J. Livre mercado para todos. São Paulo: Campus , 2006.
STIGLITZ, J. O preço da desigualdade. Lisboa - Portugal: Bertrand, 2013.
STIGLITZ, J. O conhecimento como bem público. Fronteiras do Pensamento, 2019. Disponivel em: <https://www.fronteiras.com/ativemanager/uploads/arquivos/agenda_conferencias/cbdfdfa67dc21b8007a50e637364a770.pdf>. Acesso em: 17 Janeiro 2026.
STIGLITZ, J. E. G. B. Por uma sociedade da aprendizagem: repensar o crescimento, o desenvolvimento e o comércio livre. Lisboa: Bertrand Editora, 2017.
THE NOBEL FOUNDATION. Nobel Prize in Economics Sciences. The Nobel Foundation, 2001. Disponivel em: <https://www.nobelprize.org/prizes/economic-sciences/2001/summary/>. Acesso em: 14 Março 2026.
[1] O autor é professor pleno da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), lotado no Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias (DCHT), Campus XIX, Camaçari, desde 2002. Professor da graduação (presencial e EAD) e pós-graduação (mestrado e doutorados) é pesquisador público com base na Lei 13.243 de 2016 (BRASIL, 2016) e na Lei 14.315 de 2021 (BAHIA, 2021) que instituem, respectivamente, os marcos legais de Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil e da Bahia. Link para o currículo lattes: https://lattes.cnpq.br/5068823120384244. Contato: rochapopciencia@gmail.com.
[2] O Centro de Referência em Desenvolvimento e Humanidades é um Centro de Pesquisa (CPQ) e Instituto de Tecnologia Social (ITS), multiusuário e transdisciplinar, considerado estratégico para o desenvolvimento sustentável inclusivo e inovativo do país pela Resolução CONSU/UNEB 1.247/2016. Sua área de atuação é todo o estado da Bahia, especialmente, o território metropolitano de Salvador. Sua sede fica na Ladeira do Carmo, 37, Santo Antônio, Centro Histórico e Antigo de Salvador (CHAS), espaço público, ambiente de inovação, que funciona como centro de convergência das políticas públicas e tecnologias sociais e ambientais propostas pela população baiana, especialmente, pessoas em situação de vulnerabilidade social.
[3] A segunda guerra mundial é o marco da transição da sociedade industrial para uma sociedade do conhecimento. A cada dia, o conhecimento se torna o principal ativo econômico e a principal diferença entre nações desenvolvidas e outras que estão buscando fortalecer seu desenvolvimento.
[4] Joseph Stiglitz recebeu o Nobel Prize in Economics sciences juntamente cm George Akerlof e A. Michael Spence por suas contribuições fundamentais para a análise dos mercados com informações assimétricas, um conceito central da economia conteporânea. Seus estudos demonstraram que, em muitas situações econômicas, os agentes não possuem o mesmo nível de informação, o que pode gerar falhas de mercado, ineficiência e desigualdades. A partir dessas pesquisas, Stiglitz desenvolveu importantes reflexões sobre o papel das instituições e das políticas na correção dessas imperfeições, contribuindo significativamente para o entendimento de como o conhecimento, a informação e a aprendizagem influenciam o funcionamento da economia moderna e os processos de desenvolvimento. Essas ideias posteriormente dialogaram com suas reflexões sobre a economia do conhecimento e a necessidade de políticas públicas voltadas para a construção de sociedades que aprendem continuamente (THE NOBEL FOUNDATION, 2001).
[5] BANCO INTERAMERICANO DE DESENVOLVIMENTO. Curso eletrônico “Cómo enseñar ética, capital social y desarrollo en la universidad”. Iniciativa Interamericana de Capital Social, Ética e Desenvolvimento. Washington, DC: BID, 2004. Disponível em: https://www.iadb.org.