01/10/2010

Curso de técnicas de jardinagem busca inclusão social

Alunos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, ministram o curso “Inclusão social através das técnicas de jardinagem”, em colaboração com técnicos do Departamento de Produção Vegetal (LPV). Coordenado pela professora Ana Maria Liner Pereira Lima, do Grupo de Estudos de Paisagismo (GEP) da Escola, a atividade proporciona qualificação e desenvolvimento profissional nas áreas de manutenção e implantação de jardins. Entre as pessoas que fizeram o curso, 19,51% conseguiram emprego depois de participarem da atividade.
Durante sete semanas, curso fornece noções teóricas e práticas em jardinagem

Ao longo do ano, 80 pessoas são assistidas pelo projeto. São cidadãos em condição de desemprego, ou desfavorecidas economicamente, residentes nos bairros da periferia de Piracicaba. Inicialmente, a seleção dessas pessoas foi responsabilidade do Serviço de Promoção Social, da Divisão de Atendimento à Comunidade da Coordenadoria do Campus “Luiz de Queiroz”. Atualmente é da Secretaria Municipal do Trabalho e Renda (SEMTRE) e do Centro de Apoio ao Trabalhador (CAT), da Prefeitura Municipal de Piracicaba, que ainda fazem o encaminhamento dessas pessoas ao mercado de trabalho.

Durante sete semanas, às quartas-feiras, são oferecidas aulas teóricas e práticas, versando sobre identificação e primeiro contato com as plantas ornamentais; desenvolvimento das plantas ornamentais em ambientes diferenciados; técnicas de propagação de plantas ornamentais; conceitos básicos sobre os solos dos jardins; adubação orgânica e inorgânica e produção de material compostado. As aulas também incluem controle de pragas e doenças, nos jardins; implantação e manutenção de gramados; podas e condução das plantas; implantação e manutenção de jardins; montagem de vasos e leitura e execução de projetos paisagísticos.

“Desde que o curso começou a ser oferecido, em 2005, muitos dos alunos, inclusive, pela importância que viram em poder estar colaborando com uma sociedade menos favorecida, sócio e economicamente, mesmo após formados, continuaram como ‘professores’ do curso, na tarefa de promover o ensino de técnicas básicas de jardinagem”, comenta a professora Ana Maria. “Com isso, criamos oportunidades de inclusão no mercado de trabalho e melhoria de nível de renda, além de atender a várias solicitações realizadas pela comunidade piracicabana, cumprindo a missão social que uma Universidade pública deve contemplar.”

Ajuda
João Paulo Sucupira Neves, aluno do 3º ano de Engenharia Agronômica da Esalq e estagiário do GEP, conta que foi atraído para o curso pela ideia de unir uma área com a qual se identifica com a possibilidade de ajudar as pessoas. “No início, o que me chamou atenção foi trabalhar com paisagismo, mas a proposta de contribuir com a mudança da realidade traz um sentimento muito gratificante”, conta.

A aluna Ângela Brolio, 30 anos, que hoje é atendente em uma rede de fast food, está participando do curso porque quer voltar a atuar com jardinagem. “As aulas superaram minhas expectativas, já que recebemos muita informação e podemos aplicá-las na prática. É interessante, também, porque aprendemos a organizar o espaço e termos cuidados com o ambiente”, diz. Para Eduardo Antonio Mandro, 37 anos, que trabalha como bilheteiro nos terminais de ônibus, o curso de jardinagem foi uma alternativa para aprimorar seus conhecimentos. “Aprendi sobre forração, adubação, conhecer detalhes de cada planta. O curso me dá suporte para praticar essa profissão posteriormente.”

A professora Ana Maria ressalta que, após o curso, seria ideal se o poder público captasse o pessoal formado a partir de um serviço específico. “Seria interessante a criação de uma espécie de ‘disk-jardim’, um serviço rápido que indicasse esses profissionais para executarem obras em propriedades particulares ou empresas”, sugere.

Segundo levantamento feito por Ernani Pereira Junior, estudante de Engenharia Agronômica que também acompanha o curso de jardinagem, a porcentagem de alunos que conseguiu emprego, após os cursos, foi de 19,51%. “Esse número é significativo, principalmente se for considerada a baixa escolaridade verificada junto aos mesmos e as exigências do mercado de trabalho, em relação a esse quesito”, comenta.

A próxima turma do curso de jardinagem terá início em 6 de outubro. Maiores informações podem ser obtidas na SEMTRE, na Rua Voluntários de Piracicaba, 728 (esquina R. Sto Antônio), Piracicaba, São Paulo, ou pelo telefone (19) 3437-2222.

Imagem:  Paulo Soares, da Assessoria de Comunicação da Esalq

 Mais informações: (19) 3437-2222
(Envolverde/Agência USP de Notícias)

 
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