16/04/2005

Curso gratuito capacita professores para ensino de matemátia

Entre os dias 4 e 7 de maio, o Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação (Geempa) realiza o curso A Matemática pela Divisão. Voltado para professores das redes pública e privada e acadêmicos, o curso tem parceria com as secretarias de Educação do Estado e do Município de Porto Alegre, garantindo a gratuidade para os professores ligados a estas secretarias. As vagas são limitadas e as pré-inscrições devem ser feitas pelo telefone (51) 3226-5218.

O aprendizado em Matemática na educação básica está abaixo do que seria aceitável. Esta é uma das principais conclusões extraídas dos resultados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) de 2003. O SAEB já exibiu índices de apenas três alunos sobre mil aprendendo o básico esperado em matemática (SEAB-1997), o que tem suscitado as mais acirradas discussões e recomendações para a reversão deste quadro.

Segundo Esther Grossi, doutora em Psicologia da Inteligência pela Universidade de Paris e presidente do GEEMPA, estes dados revelam uma profunda deficiência no preparo inteligente da população: "Isso nos leva a considerar, ao lado do analfabetismo na leitura e na escrita, também um analfabetismo matemático que pode comprometer nosso futuro como nação".

A análise destes dados por parte do governo federal gerou recomendações oficiais para a qualificação dos profissionais da educação, bem como a revisão das práticas pedagógicas utilizadas. "A melhoria do ensino da Matemática nas escolas brasileiras depende, principalmente, da melhor capacitação dos professores. É crucial que eles estejam bem preparados, e isso significa dominar o conteúdo daquilo que deve ser ensinado e conhecer as melhores estratégias para o ensino. Para os sistemas de ensino, seria essencial aproximar a pesquisa em educação matemática das séries iniciais. (...) O ensino-aprendizagem da Matemática não deve restringir-se à mera automatização de procedimentos. Os alunos precisam ser incentivados a resolver um significativo número de problemas, sempre raciocinando sobre situações do cotidiano", afirmam Carlos Henrique Araújo, mestre em Sociologia e diretor de avaliação da Educação Báscia do Inep/Mec, e Nildo Luzio, mestre em História Social e assessor da Diretoria de avaliação da Educação Básica do Inep/Mec.

Na esteira destas recomendações, que buscam uma melhoria urgente no ensino básico da população brasileira, o GEEMPA vem se dedicando há 35 anos à democratização do ensino no país, através da proposição e desenvolvimento de pesquisas e ações que contemplem a aprendizagem plena.

Uma de suas pesquisas desenvolvidas e comprovadas na prática traz a proposta pedagógica de iniciar o ensino da matemática pela divisão. Esta proposta está inserida no âmbito das investigações a respeito da Didática da Matemática, sob inspiração da teoria dos Campos Conceituais, do professor Doutor Honoris Causa da Universidade de Genebra Gerard Vergnaud, ampliada com as elaborações do GEEMPA, coordenadas por Esher Grossi.

O ensino da matemática pela divisão resulta da constatação de que, em situações de vida, a primeira operação aritmética que tem significação é a divisão, e não a adição, como até então se pensou. Para entender esta proposta, Esther Grossi explica: "sem significação não há impulso para aprender, pois não há formulação de um problema que é a alavanca para a construção de conhecimentos". E exemplifica: "Se a criança possui três balas e ganha mais uma, matematicamente ela não tem nenhum problema. Mas se ela possui três balas e a sua mãe pede que ela reparta com seu irmão, ela enfrenta um problema que implica na divisão".

Inspirado na didática pós-construtivista, aplicada também na alfabetização, o curso tem por base o conceito de aprendizagem que se dá a partir de situações que envolvem um campo conceitual construindo-se hipóteses, as quais, por sua vez, levam a esquemas de pensamento, motores de raciocínios que estão por trás da geração de respostas e de efeitos desejados.

A proposta didática do curso vem ao encontro de uma demanda de muitos professores que desejam ensinar melhor o que Esther Grossi chama de "poética das relações", que é a matemática. Principalmente, o curso pretende contribuir para a melhoria da aprendizagem e do ensino desta disciplina em nosso país.

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