Da escola para a universidade
Projeto da UnB capacita professores e desperta nas crianças a curiosidade pelo conhecimento científico
Para cerca de mil crianças da Escola Classe 415 Norte, a natureza não é mais a mesma. Descobriram, por exemplo, que além dos portões do pátio onde brincam durante o recreio, por trás da densa vegetação do vizinho Parque Olhos D´Água, há muito mais vida do que se imagina. Descobriram o bioma cerrado, os ciclos da água, os insetos, a reciclagem – lições aprendidas direitinho com a ajuda de professores que, normalmente, só iriam encontrar na universidade.
Graças a uma parceria entre os departamentos de Botânica e Zoologia da Universidade de Brasília (UnB), há três anos o projeto Conhecendo a natureza, defendendo a vida é desenvolvido na escola, em turmas de alunos de 4 a 11 anos. Com a proposta de levar a ciência ao ensino fundamental, a iniciativa inclui não apenas a capacitação de professores como a possibilidade de visitas especiais dos estudantes à universidade.
PARTICIPAÇÃO ESCOLAR - “É importante que as crianças se habituem desde cedo com o ambiente acadêmico e com a ciência”, explica a botânica Lucia Helena Soares e Silva, idealizadora e coordenadora do projeto. “Os resultados têm sido muito bons”, anima-se. Prova disso é a participação dos alunos durante os dias de Feira de Ciências da escola, promovidas sempre ao final do ano letivo. Dezenas de estandes são montados pelas próprias crianças e seus professores, com temas relacionados ao que aprenderam nas as visitas à UnB e nas atividades desenvolvidos em sala de aula.
As capacitações dos professores da Secretaria de Educação que dão aula na escola também são oferecidas pelos pesquisadores da universidade anualmente. Em 2004, vinte profissionais participaram do curso, que inclui teoria e prática, dentro do próprio Instituto de Ciências Biológicas (IB), no campus da UnB. Além da professora Lúcia Helena, faz parte do projeto o professor Paulo César Motta, da Zoologia. São eles que tentam superar as dificuldades para dar continuidade ao projeto, que conta apenas com o financiamento do Decanato de Extensão (DEX), da universidade.
As aulas para os docentes são gratuitas (pagam apenas uma inscrição simbólica para o Fórum Permanente de Professores – CESPE) e sem qualquer ônus para a Secretaria de Educação do Distrito Federal – por parte do Governo local, não é oferecido qualquer apoio, apesar dos benefícios para os alunos que pertencem à rede pública de ensino. “Gostaríamos de oferecer mais cursos, mas não há condições. A equipe é muito pequena”, explica a professora.
Ao final de cada ano, os pequenos alunos fazem um livro especial sobre o tema mais explorado durante o período e o sonho da equipe da UnB é conseguir recursos para editar e publicar os sete livros que já estão prontos, resultado de três anos de trabalho. A proposta é elaborar uma coleção de botânica e zoologia feita por crianças e para crianças, a partir da linguagem delas próprias. “A distribuição da coleção seria gratuita em todas as escolas da rede de ensino”, diz Lúcia. “Seriam livros para crianças criados pelas próprias crianças ”.
CONTATO
Professora Lúcia Helena Soares e Silva pelos telefones (61) 307-2282 ou 307-2974 ou pelo e-mail lsoares@unb.br