26/02/2004

Deficientes visuais dispõem de mouse desenvolvido por estudantes


Márcio Rogério Juliato, aluno do Instituto de Computação (IC) Unicamp, e o colega Daniel Ferber desenvolveram o protótipo de um mouse destinado a pessoas que apresentam problemas motores. O equipamento, além de oferecer mais funcionalidade, também é mais fácil de operar do que os modelos existentes no mercado. O trabalho conquistou o primeiro prêmio de um concurso de projetos promovido pelo Centro Acadêmico Bernardo Sayão, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC).

Em 2002, com o apoio dos professores Rodolfo Jardim de Azevedo e Paulo Cesar Centoducatte, ambos do IC, Juliato concebeu um sistema de leitura para deficientes visuais capaz de transformar um texto na tela do computador em linguagem braile, sem necessidade de impressão. O dispositivo, que agora está sendo aperfeiçoado para permitir a leitura por meio do tato, conquistou o segundo lugar numa olimpíada universitária promovida por uma empresa do segmento eletrônico, da qual participaram cerca de 500 estudantes de todo o País, divididos em 114 equipes. Os dois inventos já estão sendo patenteados.

O equipamento foi concebido em duas versões. A mais simples é composta por um painel com seis botões. Acionados pela pressão da mão, quatro deles fazem com que o cursor se movimente para cima, para baixo, para a esquerda e para a direita. Os outros dois botões têm a função de 'agarrar' e 'soltar', o que permite que o usuário arraste objetos (um ícone, por exemplo) de um ponto para o outro da tela.

A outra versão, mais completa, é composta por 12 botões. Além de ter as mesmas funções da anterior, também permite que o usuário movimente o cursor nas diagonais, tanto para cima quanto para baixo. Dispõe, ainda, de dois comandos que reproduzem a função dos botões direito e esquerdo do mouse convencional.

Um mouse convencional pode ser acoplado ao mouse especial, de modo que duas pessoas (aluno e professor, por exemplo) possam assumir o controle da operação, mas não ao mesmo tempo. O equipamento é formado por uma estrutura mecânica onde estão dispostos os botões, um hardware que utiliza microcontroladores e softwares de controle. Conta também com um coletor de dados, que permite ao professor saber que botões o aluno mais aciona.


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