Do Estado de Direito ao Abismo Distópico
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
A democracia é o estado de civilidade, cidadania, humanidade e justiça social; todavia, a falta de conhecimento histórico e/ou até problemas de sinapse cognitiva fazem as pessoas acreditarem em candidatos que se encontram imersos no chorume dos piores escândalos, sejam eles sexuais, de corrupção, assassinato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e tudo mais que representa a escória social. A apatia e o amoralismo estão custando a nossa democracia. A justiça deixa de valer principalmente para quem é beneficiado pela sua ausência, e isso passa a ser a pedra angular para o nazifascismo.
Temos uma geração perdida e outra que, caso essa pessoa seja eleita, com certeza se perderá, porque o Brasil estará na iminência de uma dinastia que se perdurará por décadas e causará, direta ou indiretamente, a morte de muitos cidadãos por negligência e/ou abuso de poder — como ocorreu na ditadura militar com prisões e torturas, ou como aconteceu no último governo ao negligenciar as vacinas que poderiam ter salvado a vida de milhares de pessoas. Somando-se a tudo isso, teremos também a miséria e a perda da dignidade do povo por meio de uma estrutura que funciona como uma máfia, mas totalmente legalizada, já que o "poderoso chefão" será o próprio presidente. Isso porque ele tirará.
a esperança e o discernimento do povo e ressignificará valores religiosos. O que outrora era sagrado hoje é visto como uma questão ideológica marxista; afinal de contas, na época de Cristo, quem sugeria doar tudo aos pobres não era visto como um comunista marxista, e sim como o Filho de Deus para muitos cristãos.
O problema ainda maior está em vislumbrar que tudo o que poderia gerar riquezas para nosso país será oferecido ao imperialismo estadunidense, como petróleo, terras raras, nossas empresas de energia e nosso sistema de saúde. Enfim, seremos uma colônia explorada, enriquecendo as empresas estrangeiras, cedendo nossas riquezas e oferecendo nossa mão de obra análoga à escravidão. O Brasil regridirá 30 anos ou mais, e as pessoas em situação de vulnerabilidade social deixarão de sonhar em ter uma profissão que não se limite à base da pirâmide — não que isso seja algo indigno, afinal de contas todas as profissões são dignas e, em contrapartida, todos têm o direito de escolher por conta própria em qual se formar, e não simplesmente ser empurrados por uma imposição do que têm que ser e fazer. As desigualdades sociais serão os verdadeiros abismos da sociedade, e o país terá uma força de segurança que, em vez de passar confiança para a população, imporá o medo e trará consigo o direito de matar sem ser punida, porque a milícia é formada por policiais sem compromisso com a justiça e com o dever de servir à sociedade. Ela vive da extorsão.
Infelizmente, isso tudo terá sido fruto de pessoas que se incomodam com os que não tinham nada e passaram a ter o mínimo para resguardar sua dignidade. Talvez porque essas pessoas que criticam olham com desprezo para a situação e veem refletido, nesses representantes políticos, o seu próprio caráter vil, pontuando o quanto nossa sociedade se encontra doente moralmente. Espero que este texto não seja premonitório, que seja apenas uma ideia distópica devido a um momento introspectivo causado pelo temor de se perder a democracia em nosso país. O educar na sua essência, que é a ação transformadora, se limitará a um mero adestramento, no qual os alunos se encontrarão totalmente docilizados e, por que não afirmar, mais imbecilizados nessa massa alienada.
Ainda temos tempo de reverter a situação, mas, caso não ocorra, que os verdadeiros professores possam ser subversivos e fazer com que a educação cumpra o seu verdadeiro papel, que está em fazer do aluno um ser questionador do status quo, que fomente o discernimento e instigue a autonomia intelectual. Assim, estaremos certos de que a mudança acontecerá, porém a duras penas e talvez não para essa geração, mas para nossos netos ou bisnetos. Isso porque pensar por si mesmo já será um ato de rebeldia, e o tempo não para: ele é o senhor das mudanças.