27/03/2004

Editora Unesp: Medicina preventiva


Criticar a concepção liberal e individualista que dava sustentação à medicina preventiva brasileira, para isso mesclando elementos conceituais do pensamento marxista com as então recentes teses do Michel Foucault, tal como desenvolvidas em Arqueologia do Saber. Esse é o foco do trabalho de Sergio Arouca em 'Dilema Preventivista: contribuição para a compreensão e crítica da Medicina Preventiva', uma co-edição da Editora UNESP e da Editora Fiocruz. Originalmente uma tese de doutorado, esse estudo foi fundamental para a construção de uma teoria social da saúde no Brasil.

No livro, a Medicina Preventiva, mais do que a produção de novos conhecimentos, mais do que mudanças na estrutura da atenção médica, representa um movimento ideológico que, partindo de uma crítica da prática médica, propõe uma mudança, baseada na transformação da atitude médica para com o paciente, sua família e a comunidade.

Além disso, o estudo mostra que, ao questionar as características dos formandos, ao atribuir a ausência da conduta preventivista ao funcionamento e organização do próprio ensino, ao estabelecer como sua estratégia a integração departamental, ao definir a inadequação do médico e, portanto, de sua prática às atuais exigências e necessidades de saúde, a Medicina Preventiva preparou o solo para o desenvolvimento da educação médica. Para Sergio Arouca: 'estudar a Medicina Preventiva será, em última instância, conhecer as contradições da própria sociedade, expressando-se no nível de um campo específico, que seja, a medicina'.

Após cada capítulo foi inserido um texto de um especialista na área da saúde com o propósito de discutir e relativizar as questões abordadas pelo autor. Anamaria Testa Tambellini, Elizabeth Moreira dos Santos, Everardo Duarte Nunes, Gastão Wagner de Sousa Campos, Guilherme Rodrigues da Silva, Jairnilson Silva Paim, Paulo M. Buss, Pedro Tambellini Arouca, Roberto Passos Nogueira e Sonia Fleury foram os comentadores convidados.

Sergio Arouca (1942-2003) foi um dos fundadores do Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (Cebes). Foi o responsável pelo Plano Nacional de Saúde da Nicarágua (1980-82). Deu consultoria em vários países da América Latina como México, Peru e Cuba. Em 1985, foi nomeado presidente da Fiocruz. Foi deputado federal e Secretário Municipal e Estadual de Saúde do Rio de Janeiro. Assumiu, em 2003, a Secretaria Nacional de Gestão Participativa do Ministério da Saúde.

Os livros da Fundação Editora Unesp podem ser adquiridos pelo site: www.editoraunesp.com.br

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