Educação e Che Guevara
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
Aristóteles afirmava que só uma mente educada poderia compreender um pensamento diferente do seu, sem precisar aceitá-lo, e acreditem, esta fala tem mais de 3340 anos e reverbera até nossos dias.
Não precisamos concordar com tudo, mas tem situações que não podemos nos calar, porque existe um adágio que diz “quem cala, consente”, e consentir é aceitar uma mentira, é balizar uma falácia e a pura conivência com a imbecilidade dita.
Tivemos duas horrendas comparações, de um político vil com dois ícones da humanidade, e claro, foi um movimento estratégico para amenizar sua putrefata imagem diante de seus alienados adoradores.
A primeira comparação deste abjeto ser, foi com Nelson Mandela, conhecido também como Madiba[1] pelas pessoas próximas. Este ícone mundial recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1993.
Ele acreditava na educação, e uma de suas falas foi que “a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”, obviamente que não se precisa discorrer sobre este personagem maravilhoso que lutou contra o apartheid e a libertação de seu povo.
A outra comparação que chega a ser até mais boçal, é a comparação deste político com outro líder revolucionário, conhecido como Che Guevara, isso porque o Che, chamado assim por muitos, era socialista e este político é totalmente anticomunista, até mesmo se aviltando com o imperialismo estadunidense, coisa que Che lutou contra, uma vez que no governo de Fulgencio Batista, Cuba era vista pelos estadunidenses como uma ilha paradisíaca para jogos e prostituição.
Mas quem foi Che? Che Guevara foi médico, escritor, xadrezista, falava fluentemente o francês, tratou de leprosos, alfabetizou camponeses, foi estadista e guerrilheiro, sendo um dos protagonistas da libertação de Cuba do ditador Fulgencio Batista.
É obvio que existe em toda história, uma desconstrução das imagens de seus personagens, e Che Guevara não foi exceção a regra, já que visão capitalista ele era visto como não um guerrilheiro libertador, mas um terrorista.
Como ressaltado pelo professor Delmar Bertuol[2], como ser humano, Che Guevara cometeu seus excessos que são bem explorados por seus adversários, reduzindo seus feitos a seus equívocos, mas para a maioria ele é um ser gigante que buscou justiça social não só em Cuba, mas lutando diretamente na Bolívia e na República Democrática do Congo, além de instigar movimentos revolucionários em outros países da América Latina, como Peru, Nicarágua, Guatemala e México.
Che, teve também envolvimento nas causas anticolonialistas em outros pontos do continente africano, Congo, Angola e Moçambique. Ele tinha um ideal e uma sede de justiça social insaciável, o que é corroborado pelas falas do professor Delmar Bertuol, quando cita que Che
foi um revolucionário que dedicou sua vida à luta contra as injustiças sociais. Em suma, a vida dele só tinha sentido se lutasse pelo “homem novo”, um homem com plena consciência social e de seu lugar no mundo, o de explorado pelos capitalistas. (BERTUOL: 2018).
Che Guevara tinha uma paixão pela justiça social e a sua comparação com este nosso político chega a ser difamante para o legado de Che, Visto que no Brasil este nosso político sempre foi contra a justiça social[3], a educação e a pesquisa, fazendo consideráveis cortes nessas áreas (R$ 113 bilhões)[4].
Enfim, são analogias apelativas na tentativa de reerguer uma imagem acabada como ser humano.
Assim sendo, que a educação possa realmente ser revolucionária, o que é ressaltado pelo professor supracitado quando evidencia que verdadeiros revolucionários deveriam estudar, ter conhecimento do mundo e do porquê lutavam, e por isso Che Guevara lia e incentivava os outros a lerem, porque junto com os fuzis, os guerrilheiros deveriam estar armados de conhecimento, o que foi afirmado Nelson Mandela ser a educação a mais poderosa arma.
[1] http://www.gestaouniversitaria.com.br/artigos/o-que-a-educacao-pode-aprender-com-madiba
[2] https://www.extraclasse.org.br/opiniao/colunistas/2018/07/che-guevara-e-a-educacao/
[3] https://veja.abril.com.br/coluna/matheus-leitao/os-cortes-de-bolsonaro-que-revelam-quem-ele-e/
[4] https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2022/12/09/governo-atual-e-o-que-mais-cortou-em-recursos-de-educacao-e-ciencia.htm