29/09/2026

Educação e Teologia do Domínio: Repercussões na Sociedade Contemporânea

Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – http://www.wolmer.pro.br

Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806

 

Cada eleição que passa, a teologia do domínio tem se enraizado cada vez mais na sociedade. Isso é visto como uma vertente ideológica neopentecostal de que os pseudocristãos devem ocupar posições em todas as esferas da sociedade — diga-se "pseudocristãos" porque tudo o que dizem e fazem diverge do próprio Evangelho. A teologia do poder é apresentada por líderes religiosos hipócritas, com moral completamente duvidosa e forte desvio de caráter, que usam a religião estruturada no medo como forma de controle das massas. Apesar de se dizerem cristãos, fazem uso do Antigo Testamento para mostrar um "deus" vingativo e que pune quem não obedece às suas ordens, as quais são ditadas para os seus escolhidos — os pastores neopentecostais que se sentem ungidos pela graça divina.

Pena e Zientarski (2022) [1] elucidam que, na segunda metade do século XX, os grupos religiosos fundamentalistas pentecostais tiveram um crescimento exponencial e usaram a teologia da prosperidade como principal discurso para balizar esse crescimento. Isso representa uma falácia ao se fazer uma análise com o mínimo de racionalidade, porém é considerado uma verdade inquestionável pelos fiéis com dificuldades nas sinapses cognitivas. O neopentecostalismo representa o braço forte do capitalismo mais vil, aquele que subtrai a dignidade do povo em prol do lucro fácil, fazendo uso, inclusive, de trabalho análogo à escravidão. Mas, pela teologia da prosperidade, o cidadão ainda não enriqueceu porque não trabalhou o suficiente e sequer agradou à vontade de Deus perante o púlpito do altar. Para os autores, trata-se de um movimento que aconteceu em concomitância com a vida do neoliberalismo, fazendo com que denominações religiosas neopentecostais disputem o consenso de visão de mundo — uma visão deturpada pelo imperialismo que dá um novo significado à imagem de "Cristo", ou seja, uma recristianização inserida na política partidária. Amparados por mídias manipuladoras e enviesadas, eles direcionam a sociedade para uma guerra espiritual, anulando todo o aparato científico por meio do negacionismo, reforçado pela bandeira que representa a pior falácia e estultice, que é a "Escola sem Partido". Isso ocorre porque a educação, como uma ação voluntária que promove o conhecimento, o discernimento e a autonomia intelectual, blinda os discentes de serem manipulados e de engrossarem essa massa de manobra.

Rocha (2020) [2] complementa ao esclarecer que a teologia do domínio é fundida com a teologia da batalha espiritual. Com isso, percebe-se que eles inventam demônios e instigam seus rebanhos de crentes, completamente alienados, a uma perversa intolerância religiosa e até mesmo a uma guerra santa, desconsiderando que o Brasil é um país laico. Para Novais e Campos (2021)[3], a teologia do domínio “pressupõe que a tarefa cristã está ligada à retomada da sociedade nos moldes de sua própria compreensão da fé cristã”, e isso implicará na não aceitação e na perseguição de outras fés, sejam elas a católica, as de raízes africanas, as de origem oriental ou até mesmo a daqueles que não têm religião ou se dizem ateus. A teologia do domínio está institucionalizando, por diversos vieses, a perseguição a quem professa uma fé divergente da institucionalizada, sob o pretexto de que "o Brasil será de Cristo" — o que funcionou como um apito de cachorro para os fundamentalistas neopentecostais.

Dito isso, espera-se que a educação, com seu trabalho hercúleo, possa desenvolver nos alunos o respeito pela fé alheia, pelas suas origens e, inclusive, pela sua própria humanidade. Afinal de contas, a verdadeira religião prega o amor, o Evangelho e a ajuda aos pobres. Isso é o mínimo que o cidadão de bem deveria fazer, sem bandeira de religião, fazendo imperar o respeito e explicitando a sua humanidade.

 

 

[1] PENA, A. dos A. P.; ZIENTARSKI, C.. Cristianismo de libertação, teologia da prosperidade e as perspectivas da luta de classes no Brasil. Revista Brasileira de Educação, v. 27, p. e270022, 2022.

[2] ROCHA, D.. “Faça-se na Terra um Pedaço do Céu”: Perspectivas Messiânicas Na Participação dos Pentecostais na Política Brasileira. Perspectiva Teológica, v. 52, n. 3, p. 607–632, set. 2020.

[3] NOVAIS, Tiago de Melo e CAMPOS, Breno Martins. Teologias do Domínio: Revisitando Fontes e Autorias. Protestantismo em Revista. São Leopoldo v. 47, n. 02 p. 29-40 jul./dez. 2021. Disponível em: <http://revistas.est.edu.br/index.php/PR>

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