05/11/2010

Educação puxa IDH do Brasil para baixo

Os resultados referentes à área da educação no Brasil puxaram para baixo a colocação do país no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O Brasil ficou na 73ª posição entre 169 países avaliados. No entanto, se o IDH levasse em conta apenas a questão da escolaridade, a posição do país no ranking mundial passaria de 73 para 93.

A avaliação foi feita a partir de uma simulação do banco de dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), órgão que divulgou os números do IDH, nesta quinta-feira (4/11), por meio do Relatório de Desenvolvimento Humano. O índice mudou a metodologia de avaliação, mas continua sendo baseado em saúde, educação e renda.

A população brasileira registra 7,2 “anos médios de escolaridade” entre os adultos, e 13,8 “anos esperados de escolaridade” para as crianças. Nos dois valores, que entram no cálculo do IDH, o Brasil vai pior do que os também latinos Chile (9,7 e 14,5), Argentina (9,3 e 15,5), Uruguai (8,4 e 15,7) e Peru (9,6 e 13,8).

Segundo o coordenador do Relatório de Desenvolvimento Humano brasileiro, Flávio Comim, países como o Peru e a Guatemala podem ser mais pobres em termos de renda, mas são mais avançados no sistema educacional. "No Brasil, existe um nível superior de excelência, mas o resto da educação é ruim. Há muita desigualdade", disse ao portal UOL.

No relatório, a maioria das vezes em que o Brasil é citado diz respeito às considerações positivas sobre o país, mas quando o assunto é educação, as duas citações são negativas.

Na primeira, o relatório diz que “um estudo de atitudes sobre educação entre elites brasileiras durante os anos 90 mostrou que as elites são frequentemente relutantes em ampliar as oportunidades de educação, pois trabalhadores educados seriam mais difíceis de gerenciar”.

Em outro ponto, são criticadas a baixa escolaridade geral e a diferença no acesso ao ensino entre pobres e ricos. “Anos médios de escolaridade são muito mais baixos no Brasil (sete anos) que na Coréia do Sul (12 anos), mas os dois países tem perdas de desigualdade similares na educação (26%)”.

Novo método

A partir deste ano, o Pnud atualizou a metodologia de cálculo do IDH com o objetivo de conseguir resultados mais precisos. No caso da educação, a antiga variável “alfabetização” foi trocada por “anos médios de estudo”, e o dado “matrícula” foi substituído por “anos esperados de escolaridade”.

Os “anos médios de estudo” levam em conta a população com mais de 25 anos. Já os “anos esperados de escolaridade” avalia quantos anos uma criança que vai iniciar a vida escolar deve permanecer estudando.

A média de anos de estudo dos estadunidenses, que lideram no quesito, com mais de 25 anos é de 13,2 anos. Com relação à expectativa para as crianças que estão entrando na escola agora, a campeã é a Austrália, onde o esperado é que estudem pelos próximos 20,6 anos. O Brasil está longe dos melhores índices nos dois critérios.

O Ministério da Educação (MEC) criticou, em nota, o novo cálculo. Ao passar a considerar a escolarização de pessoas com mais de 25 anos, o cálculo do IDH prejudicou países que começaram a investir pesado em políticas educacionais mais recentemente, caso do Brasil, segundo o MEC.

“O grupo com mais de 25 anos refere-se a pessoas que não tiveram oportunidade de escolarização no passado. Essa contagem pune, em termos de índice, os países que construíram políticas sociais e educacionais nos últimos dez anos”, segundo o ministério.

De acordo com o governo, em oito anos, a taxa de escolaridade média de pessoas acima de 25 anos cresceu 25%, mas o aumento não foi considerado no cálculo do IDH.

(Envolverde/Aprendiz)

 
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Assine

Assine gratuitamente nossa revista e receba por email as novidades semanais.

×
Assine

Está com alguma dúvida? Quer fazer alguma sugestão para nós? Então, fale conosco pelo formulário abaixo.

×