Educadores aprovam resultados do colóquio sobre ensino superior
O Colóquio MEC/Comunidade Acadêmica, promovido pelo Ministério da Educação para discutir a reforma da educação superior no Brasil, foi encerrado ontem, dia 30, com aprovação da grande maioria dos participantes. O evento reuniu em Brasília desde o dia 29, segunda-feira, 17 entidades representativas de instituições superiores, professores, estudantes e servidores. Foram apresentadas sugestões sobre o papel da universidade, autonomia e acesso e permanência dos alunos nos cursos superiores.
Na avaliação de Fernando Haddad, secretário executivo do MEC e coordenador do Grupo Executivo da Reforma da Educação Superior, o colóquio 'foi riquíssimo'. Ele salientou que todas as instituições convidadas mandaram representantes, apresentaram propostas e estão esclarecendo seus pontos de vista. 'Embora nem todas as instituições comunguem das mesmas crenças, as chances de fazermos uma reforma universitária de qualidade aumentam', afirmou.
Para Wrana Panizzi, reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), todo debate relativo ao futuro da universidade é sempre muito bem-vindo. Ela espera que todas as instituições que participaram do encontro levem essa discussão às suas comunidades.
A representante da União Nacional dos Estudantes (UNE), Fabiana Costa, afirmou que a discussão da reforma universitária é pauta da entidade desde o ano passado. 'A UNE considera importante a abertura de espaço para essa discussão e pretende participar de todos os encontros', disse.
Acesso e permanência – O texto-matriz sobre acesso e permanência dos estudantes no ensino superior foi exposto por Ronaldo Mota, secretário executivo do Conselho Nacional de Educação (CNE), na terceira reunião temática do Colóquio. A partir das propostas enviadas pelas entidades, o debate sobre o tema baseou-se em quatro pressupostos: a educação como pertencente ao campo dos direitos sociais básicos da população, o que determina a necessidade de políticas de inclusão e melhoria na qualidade das escolas; acesso, distribuição regional e concentração por área de conhecimento, para discutir os processos de expansão da graduação e da pós-graduação no País, hoje considerados excessivamente localizados; permanência e evasão, diversidade e políticas inclusivas; e vínculo indispensável do ensino superior com o fundamental e o médio, que aponta a melhoria na educação básica como um dos caminhos para permitir o acesso e a permanência dos alunos nas escolas superiores.
Hoje, 31, o ministro Tarso Genro lançará o Portal da Reforma Universitária, que será um canal permanente de discussão entre o governo e a sociedade. O MEC dará continuidade, também, aos debates com especialistas em educação superior. O próximo encontro será realizado na segunda-feira, dia 5 de abril, no auditório do Itamaraty, em Brasília. O palestrante será o professor Boaventura Sousa Santos, da Universidade de Coimbra, doutor em Sociologia do Direito pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos.