Educadores criticam “branqueamento” da educação no Brasil
No encerramento do seminário nacional O Negro no Ensino Médio, que reuniu em Brasília cerca de cem especialistas para discutir políticas de acesso e permanência das populações afro-descendentes na educação média e superior, os participantes criticaram o "branqueamento" da educação no Brasil. Aplaudiram, porém, a iniciativa do Ministério da Educação de discutir a questão, com o objetivo de propor políticas de inclusão por meio do programa Diversidade na Universidade.
Os participantes do encontro fizeram uma série de reivindicações e sugestões para a implantação da Lei nº 10.639, de 9 de janeiro deste ano, que estabelece as diretrizes para incluir, no currículo oficial da rede de ensino, as temáticas de história e cultura afro-brasileira. Na ocasião, foi lançado o livro Diversidade na Educação — Reflexões e Experiências, primeira contribuição do Ministério da Educação como material de apoio para os professores.
Jeruse Romão, especialista em História da Educação Negra no Brasil, sugeriu ao MEC a formação de gestores e conselheiros do sistema educacional, a criação de parâmetros regionalizados para a aplicação da Lei nº 10.639/2003, dotação orçamentária para as ações afirmativas nos estados e municípios, a elaboração de material didático referente à temática africana, monitoramento a distribuição de informações sobre experiências bem-sucedidas de educação negra e uma parceria do ministério com movimentos negros em cada região.
A historiadora Cidinha da Silva, do Instituto da Mulher Negra Geledés, de São Paulo, recomendou a produção de conteúdos pedagógicos que resgatem a auto-estima dos alunos negros. "É preciso discutir com eles o que produz sua baixa auto-estima, que são o preconceito e a discriminação, formas da sociedade garantir espaços para a perpetuação de características positivas e negativas para determinados grupos", prevê.