20/05/2005

Empresas apostam no ensino "dentro de casa"

O mercado de trabalho está cada vez mais exigente quanto à formação dos profissionais. Independente do cargo, as empresas requerem funcionários com grau de escolaridade, cursos de extensão e que estejam sempre se reciclando. Assim, é comum encontrar profissionais que precisam conciliar trabalho, vida pessoal e ainda estudar, geralmente nos períodos extras, fora do horário de expediente.

Na contramão desse contexto, há empresas que acreditam que o bom funcionário é formado em casa. A cada dia cresce o número de instituições que trazem a sala de aula para dentro de seus domínios, fator que incentiva o retorno do funcionário ao banco escolar.

Guilherme de Souza é um dos felizardos que não precisa atravessar a cidade para estudar. Operador de máquinas do Departamento de Golfe do Graciosa Country Club, Souza faz parte da terceira turma composta por 21 formandos que acabou de receber o diploma. "Após 26 anos longe dos livros, eu consegui terminar o Ensino Fundamental graças à possibilidade de estudar no mesmo local onde trabalho. O próximo passo é concluir o Ensino Médio. Depois eu quero fazer Magistério para poder dar aula", afirma.

O programa de estudo dentro do Clube começou há quatro anos e os resultados podem ser comprovados pelos números. Em 2001, dos 180 funcionários do Graciosa, 102 não tinham Ensino Fundamental e 25 o Médio. Apenas 22 funcionários tinham Ensino Fundamental completo e 31 o Médio completo. Com a formatura da terceira turma, o quadro inverteu. Hoje, 102 funcionários têm o Ensino Médio completo e 26 o Fundamental. Restando apenas 37 com Ensino Fundamental incompleto e 11 com Médio incompleto.

"No início, chamava a atenção o fato de 75% do quadro não ter o Ensino Fundamental. A nossa expectativa é, em dois anos, ter todo o quadro de funcionários com Ensino Médio completo", disse Adir Maria Hofstaetter, gerente de recursos humanos e responsável pela implantação do projeto. "Nós estamos cumprindo o nosso papel social. Por mais que um dia o funcionário deixe o Clube, ele estará qualificado para buscar uma colocação no mercado de trabalho", complementa.

Além dos números comprovarem o sucesso do projeto, outra forma de medir o efeito é o relacionamento funcionários/sócios. "A postura dos funcionários com os sócios mudou. O atendimento é feito de uma forma muito mais qualificada", explicou Hofstaetter.

Outra empresa que aposta na formação caseira para qualificar o quadro operacional é Gráfica Positivo. Com o programa de Educação do Trabalhador, iniciado em 1999, os funcionários voltaram a estudar. Atualmente, quase 100% dos empregados já possuem o Ensino Médio completo. Por isso, desde 2004, o projeto passou a se chamar Programa de Reciclagem Profissional, oferecendo reforço nas disciplinas de matemática e português. O novo programa criou, inclusive, oportunidades de promoção de cargos dentro da própria empresa.

Além desta iniciativa, a Posigraf auxilia para aqueles que querem passar no vestibular. Todos os funcionários que desejarem podem estudar no contraturno com o que é impresso na gráfica: livros didáticos e material do Telecurso da Fundação Roberto Marinho. As aula no Graciosa são para todos os funcionários e acontecem duas vezes por semanas em salas montadas na própria sede.

Além disso, o Clube arca com 75% dos custos com material didático e professores. O projeto futuro, que já está em andamento, é acertar uma parceria com o Senac para ministrar cursos técnicos. Na Posigraf, o programa não gera investimento financeiro aos funcionários.

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