05/05/2005

Enade revela desigualdades socioeconômicas entre universitários

Por Lana Cristina

Brasília - O perfil dos estudantes de nível superior que fizeram a prova do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) mostra que há desigualdades socioeconômicas nas universidades. Segundo o diretor de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Dilvo Ristoff, 26% dos alunos ingressantes são de famílias com renda superior a 10 salários mínimos.

O percentual de alunos cujas famílias estão nessa faixa de renda sobe para 35% entre os que estão concluindo o curso. E é inversamente proporcional entre os alunos negros e pretos. Ao mesmo tempo, esse grupo étnico-racial tem menor representatividade entre os ingressantes, 4,6%, e entre os concluintes, 2,8%. "Os dados revelam a necessidade de políticas afirmativas, sob pena de a universidade reproduzir as desigualdades fora dela", disse o ministro da Educação, Tarso Genro.

Para chegar ao perfil dos alunos, o ministério da Educação enviou questionário com 103 perguntas aos estudantes, antes da data da prova. A maioria dos que participaram do Enade no ano passado, quando o exame foi aplicado pela primeira vez, é composta de alunos solteiros, brancos, que moram com os pais ou parentes e não recebem bolsa de estudos. O perfil é o mesmo entre os ingressantes e os concluintes dos cursos. Eles responderam ao mesmo questionário e fizeram provas de conteúdos idênticos, tanto na parte de Formação Geral como na de Conhecimentos Específicos.

Quase todos os estudantes avaliados têm acesso à Internet e usam o computador para fazer os trabalhos escolares. A principal fonte de informação é a televisão e mais da metade deles lê, no máximo, dois livros por ano, além daqueles estipulados pelos professores. Por outro lado, mais de 80% dos alunos usam freqüentemente a biblioteca, a principal fonte de pesquisas deles. "Muitos alunos apontaram para uma necessidade de reaparelhamento das bibliotecas. O Enade demonstra que essa avaliação é um conjunto de aspectos positivos e um conjunto de problemas. Problemas graves como o das bibliotecas, uma exigência frontal dos alunos", constatou o ministro.

Metade dos cursos avaliados pelo Enade obteve os conceitos mais altos

Brasília - Metade dos cursos avaliados pelo Exame Nacional de Desempenho de Alunos (Enade) obteve conceitos superiores, 4 e 5, na primeira prova aplicada no ano passado. Só 2,6% dos cursos obtiveram o conceito mais baixo (1).

O Enade substituiu o Provão na avaliação do ensino superior e trouxe inovações como a aplicação da prova para alunos no início do curso e para alunos no último ano da graduação. Os dois grupos fizeram a mesma prova. Para o ministro da Educação, Tarso Genro, os resultados em relação aos cursos mostram que a metodologia de avaliação é nova e não pode ser comparada com o Provão, onde os resultados eram inversos: o percentual de cursos com conceitos melhores, A e B, era bem inferior ao dos cursos com avaliação pior, D e E.

"Não quer dizer que não tenha melhorado nem piorado (o ensino superior) em relação à situação anterior. É que são metodologias diferentes. Esta é apenas um exame, dentro de um sistema de maior complexidade e, portanto, que vai levar a maior exatidão no andamento das instituições", disse o ministro.

Foram avaliados 2.184 cursos de 13 áreas: agronomia, educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, medicina veterinária, nutrição, odontologia, serviço social, terapia ocupacional e zootecnia. A classificação em conceitos atingiu só 1.427 cursos – a maioria dos que ficaram de fora não tinham alunos concluintes.

Dos cursos com conceitos superiores, 28,4% são de instituições federais e 52,2% de instituições privadas. O restante está em instituições estaduais e municipais. Nas áreas de medicina (88,9%) e terapia ocupacional (89,8%) se concentram os cursos com conceitos mais altos.

O Enade substituiu o Provão na avaliação dos estudantes, cursos e instituições de ensino superior do país.

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