27/08/2010

Engenharia do tráfego facilita aprendizagem nas escolas

Elementos inseridos na engenharia de tráfego como semáforos e placas são essenciais para a educação sobre trânsito no ensino fundamental. Uma pesquisa da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP verificou que mais de 80% dos alunos tinham uma percepção do trânsito relacionada a esses elementos. “Quando é perguntado ao aluno o que ele entende de trânsito, ele responde com elementos que vê no seu dia-a-dia”, diz o engenheiro José Leles de Souza, autor do estudo ?Sobre a forma e o conteúdo da educação para o trânsito no ensino fundamental. A tese de doutorado foi orientada pelo professor Antônio Clóvis Pinto Ferraz, do Departamento de Trasportes da EESC.

Contudo, o engenheiro destaca que não observou nas escolas a mesma preocupação. Assim, seu estudo também analisou a forma mais adequada de introduzir a educação sobre trânsito no ensino fundamental. “Não adianta ensinar as leis e outros termos abstratos para os alunos porque eles não vão captar. É preciso usar elementos que sejam facilmente reconhecidos”, diz Souza.

A pesquisa também procurou encontrar uma forma que adequasse a legislação do trânsito com a legislação educacional. A forma encontrada utiliza a concepção de transversalidade, no qual os conceitos sobre trânsito são ensinados junto com as disciplinas já existentes.

Com isso, não há a necessidade de se criar uma outra matéria e os professores podem adequar o conhecimento de sua área de estudo com conteúdos de terminologia da engenharia do tráfego. “Um professor de matemática pode estudar a distância de dois pontos ilustrando com dois lados de uma rua. Nisso, ele pode mostrar os cuidados na travessia de uma rua”, exemplifica Souza, que acrescenta: “A transversalidade já é uma prática de várias escolas no País com outros temas, como a violência,as drogas e o meio ambiente.”

O engenheiro ainda destaca que esse formato incorpora nos alunos a importância dos elementos do trânsito no seu cotidiano, ao invés de se decorar o que significam. “Nós não queremos que os estudantes recebam a informação pela informação. Mais importante que o sinal vermelho significar que a pessoa tem que parar, é saber o porquê ela tem que parar, os riscos que tomará caso não obedeça ao semáforo”, conclui.

Pesquisa anterior
A tese de Souza foi baseado no projeto “Rumo à Escola”, feito pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), de 2002 a 2006.

Nele, se implementou o formato de educação sobre trânsito com a transversalidade em 15 escolas de 15 capitais brasileiras, para todas as séries do ensino fundamental. A distribuição das escolas se dividiu em cinco da rede municipal, cinco da rede estadual e cinco escolas privadas, atingindo 280 mil alunos e 18 mil professores.

Os professores e diretores tiveram uma capacitação para a adoção do formato de educação, sem a necessidade de se aprofundar nos conceitos e regras. Para avaliar o modelo e os estudantes, em cada cidade havia dois coordenadores que acompanhavam as escolas desde o começo, fazendo relatórios

Ao final da pesquisa, ficou constatado que o modelo de ensino era viável. “As crianças mostraram uma concepção melhor do trânsito, além de ter aumentado o cuidado delas com a sua auto-segurança e, principalmente, ter reforçado no aprendizado de valores fundamentais para o exercício da cidadania do trânsito”, comenta o engenheiro.

Já em seu estudo, Souza pôde acompanhar algumas escolas e evidenciou que o formato implementado pela pesquisa anterior repercutiu, pois elas continuaram a adotar o modelo.

(Envolverde/Agência USP de Notícias)
 
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