23/12/2003

Equoterapia da Esalq recupera portadores de deficiência



Em agosto de 2001, a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq- USP) reuniu profissionais voluntários para realizar o Projeto Equoterapia. A iniciativa pioneira dentro das universidade públicas, tem por objetivo atender a população carente de Piracicaba e região, realizar pesquisa e habilitar de mão-de-obra especializada a fim de criar novos núcleos de equoterapia. O método terapêutico é reconhecido desde abril de 1997 pelo Conselho Federal de Medicina e utiliza o cavalo como principal meio de trabalho na reabilitação de pessoas portadoras de deficiência física e/ou mental.

No início, a equipe atendia a 12 jovens. Hoje, são 52 portadores de deficiência pertencentes a famílias carentes de Piracicaba que participam do tratamento. A equoterapia é indicada para portadores de paralisia cerebral, síndrome de Down, síndrome de West, falta de coordenação motora, distúrbios visuais, auditivos e da fala, dependentes químicos e autistas. É indicado, ainda, para quem teve acidentes vasculares cerebrais, traumas cranioencefálicos ou sofre de estresse.

A habilitação ou reabilitação motora do paciente provém do movimento ritmado, repetitivo e simétrico que o cavalo executa. A cada passo do animal, o cavaleiro precisa reajustar-se à montaria para adaptar seu equilíbrio. É um movimento tridimensional que apresenta três vetores de força – para cima, para o lado e para frente – e provoca o deslocamento da pelve do praticante, propiciando conscientização corporal do portador de deficiência e estimulando a aprendizagem da marcha.

Além disso, o cavalo se transforma num amigo para o praticante de equoterapia. Em contrapartida, o cavaleiro estabelece com o animal um relacionamento afetivo importante. A atividade permite trabalhar aspectos como autoconfiança, independência, sociabilização, afetividade, facilitação do aprendizado, auto-estima, autocontrole, atenção e concentração, além de equilíbrio, coordenação motora e fortalecimento do tônus muscular, o que contribui para a reintegração do praticante à sociedade.

O grupo interdisciplinar é composto por profissionais da Esalq, das áreas de pedagogia, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, educação física, neurofisiatria, zootecnia e equitação. Normalmente, o tratamento é procurado por crianças indicadas por entidades sociais que assistem os portadores de necessidades especiais. Elas são selecionadas por uma triagem econômica, e aqueles que têm condições contribuem com uma quantia simbólica. A terapia custa R$ 250,00 mensais por criança. O projeto tem o apoio da prefeitura de Piracicaba e recebe recursos financeiros de duas empresas. Mas o maior suporte vem do trabalho voluntário dos profissionais e dos pais, que procuram trazer serragem para as baias dos cavalos; arame e mão-de-obra para a construção de cercas; e ainda promovem venda de rifas, entre outras iniciativas para arrecadar recursos.





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