Esalq (USP-Piracicaba): Não ao desperdício
O desperdício de legumes fora dos padrões de comercialização pode diminuir com a adoção de técnicas simples de beneficiamento. Uma pesquisa desenvolvida no Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Escola Superior de Agricultura 'Luiz de Queiroz' (Esalq), da USP Piracicaba, procurou determinar métodos para corte e embalagem de cenoura, pimentão e salada mista, composta por batata e vagem, informa a Agência USP de Notícias.
'A principal vantagem do beneficiamento é que o produtor vai agregar valor ao produto. O que ele venderia por centavos pode chegar a 4, 5 reais', argumenta Lucimeire Pilon, autora do estudo. Um dos exemplos desse acréscimo no valor é o da cenoura: 250 gramas de cenouras minimamente processadas custam R$ 2,35. In natura, o preço do quilo é R$ 0,99.
Na dissertação, Lucimeire, além de definir as técnicas para o processamento, fez análises microbiológicas, sensoriais, físico-químicas e nutricionais dos alimentos. Para isso, os legumes foram lavados, descascados e cortados. Depois de desinfetados em água refrigerada e com cloro, foram secos e acondicionados em sacos plásticos.
A pesquisadora escolheu, então, três tipos de tratamentos: parte dos vegetais foi colocada em saquinhos selados a vácuo; outra foi acondicionada em saquinhos com ar; e, a terceira, embalada em atmosfera modificada, composta por 2% de O2, 10% de CO2 e 88% de N2.
O armazenamento dos vegetais ocorreu sob refrigeração, à temperatura de 1ºC. 'O estudo comprovou ainda a importância do armazenamento em baixas temperaturas. As análises mostraram que a vitamina C dos três produtos não sofreu alteração com o processamento mínimo. Os teores de beta-caroteno também não foram afetados na cenoura nem salada mista. O corte e a embalagem também não prejudicaram o teor dos minerais dos legumes. A análise sensorial também foi bastante positiva para cenoura e salada mista, que apresentaram vida útil de até 21 dias.
'O estudo é bastante aplicado e propõe soluções para problemas como a oxidação da batata, por exemplo. Com um tratamento químico simples com a utilização de ácido ascórbico é possível aumentar a vida útil deste alimento e fazer com que o agricultor tenha um aproveitamento maior da produção', diz Lucimeire.