Especialistas apontam novos rumos para a universidade
Especialistas reunidos no Seminário Internacional Universidade XXI, organizado pelo Ministério da Educação (MEC) e pela Unesco, defenderam um novo papel para a universidade, mais amplo e sintonizado com as demandas da sociedade. No grupo temático A sociedade e a reinvenção da universidade, os participantes apontaram como novos desafios para as universidades, principalmente as dos países em desenvolvimento, uma atuação que leve em conta as desigualdades e que ajude na promoção da inclusão social.
O professor do Departamento de Economia da Universidade de Berlim, Klaus Hüfner, lembrou que, no passado, a universidade tinha a função de formar uma elite mais educada, mas, hoje, ela recebe novas demandas, como a formação de profissionais qualificados, a oferta de serviços básicos de qualidade à população e a promoção econômica e cultural de um país. "A universidade se tornou peça-chave para todos os países na competição global atual", disse.
Trazendo a discussão para os países em desenvolvimento, especialistas chamaram a atenção para o papel da universidade na luta contra a pobreza. "A universidade precisa estar comprometida com a inclusão social", defendeu o secretário de Ensino Superior do MEC, Carlos Roberto Antunes dos Santos. Segundo ele, isso só será possível com transformações concretas dentro da universidade, que incluem a criação de novos cursos mais sintonizados com as demandas sociais, a não-elitização do ensino e a prática de estágios sociais pelos estudantes, o que ajudaria na formação cidadã dos alunos. Santos defendeu, ainda, a criação de um sistema de avaliação das universidades. "Hoje, o País conta com instrumentos de avaliação, mas não com um sistema bem elaborado para este fim", afirmou.
O investigador do Centro Interamericano de Economia Humana, Luis Carrizo, também defendeu uma transformação da universidade e apontou a necessidade de se criar uma ponte entre o saber científico e as necessidades sociais. Para Carrizo, as instituições de ensino superior precisam passar por algumas mudanças culturais para realizar essa aproximação. "Primeiro é necessário que a produção científica se torne mais clara e acessível para todos", disse.
Para o pesquisador uruguaio, esse seria um importante passo para outra transformação cultural necessária: a aproximação do conhecimento científico com a ação política. "É importante que o conhecimento produzido nas universidades oriente as políticas públicas", propôs. Porém, sem deixar de lembrar que uma maior participação da população atendida na formulação dessas políticas é fundamental também.(MEC)