Estudantes do ensino fundamental e médio aprendem a gerenciar negócios
Quem acredita que lidar com gerenciamento de empresas, tratar de fluxo de caixa, estratégias de marketing, administração de pessoal e controle de produção e de estoque é coisa só para gente grande está enganado. Alunos no ensino fundamental e médio de todo o País estão provando que ser empreendedor é uma característica que começa desde cedo.
Por meio do projeto Junior Achievement, uma organização não-governamental sem fins lucrativos de educação prática em economia e negócios, adolescentes e jovens de 5ª à 8ª séries e do ensino médio aprendem a trabalhar as características de um empreendedor.
Ivana Ferreira, coordenadora do projeto no Sebrae Nacional, um dos parceiros da iniciativa, explica que, no Brasil, esse projeto vem trabalhando com algumas vertentes - uma palestra sobre Introdução ao Mundo dos Negócios, ministrada durante cinco semanas para alunos da 5ª série, a montagem de uma miniempresa por alunos do segundo ano do ensino médio, que dura cerca de seis meses, entre outras ações.
No caso dos estudantes que abrem a miniempresa, eles recebem instruções de empresários sobre como gerenciar bem um empreendimento. Para montar a empresa, é necessário um grupo entre 20 e 30 alunos que vai acompanhar todo o processo produtivo da empresa, desde a eleição do presidente até a escolha dos diretores de marketing, de finanças, de recursos humanos e de produção. O restante serão trabalhadores na linha de produção. "Eles montam uma empresa com valores de quotas, inclusive, e depois que ela é desfeita ao final de seis meses de atuação, os lucros são calculados e muitos são doados a instituições sociais", explicou Ivana.
Desde que o Sebrae iniciou a parceria com a Junior Achievement, em 2001, cerca de 3,5 mil escolas públicas e privadas já foram beneficiadas. Ao todo, já foram atendidos pelo projeto cerca de 700 mil alunos, com o trabalho de 22 mil voluntários. Ivana explica que esses voluntários são empresários que participam como instrutores, técnicos e administradores na Associação do Junior Achievement em cada estado.
A diretora do Centro Educacional nº 3 do Guará, em Brasília (DF), Zilda Maria de Melo Soares, acredita que esse tipo de iniciativa melhora vários aspectos do desenvolvimento do aluno, desde a integração com os colegas de classe até com a direção, os professores e em casa. "Eles aprendem a ter mais compromisso, responsabilidade e a se organizar com tantas atividades que devem desempenhar", avalia a pedagoga.
Quando a escola entrou no projeto, no ano passado, 25 alunos participaram da montagem da miniempresa e, para este ano, a previsão é atender mais 25.
Orientação para o futuro
Um dos alunos que participaram da miniempresa aberta no Centro Educacional nº 3 do Guará, Moisés Emanuel Macedo da Costa, de 17 anos, contou que ter participado do projeto lhe deu uma visão mais ampla do que realmente significa trabalhar em uma empresa e participar de atividades primordiais para seu bom funcionamento. À época, ele trabalhou no setor de finanças, com cálculos de metas e prospecção de mercado. Ele teve ainda a oportunidade de passar por outras áreas como o marketing e até na produção de bombons, foco da empresa.
"Com isso, mudei até minha linha de atuação. Em vez de prestar o vestibular para geologia, vou fazer administração de empresas", conta.
Olívia Volker Rauter, gerente-executiva da Junior Achievement do Distrito Federal, acredita que o projeto é um diferencial na vida do estudante. "A idéia é introduzir aos poucos informações sobre empreendedorismo desde o ensino fundamental. Mesmo que o adolescente não venha a ter um negócio, mas terá um comportamento diferente no trabalho. Serão pessoas mais sérias e comprometidas", acredita.
A proprietária do Laboratório de Análises Clínicas Sabin, em Brasília, Janete Ana Ribeiro Vaz, disse que não há como não se apaixonar pelo Junior Achievemet. "Só de ver o interesse desses jovens pelo mundo empreendedor e saber que, um dia, eles serão grandes líderes, é muito gratificante", disse.
Janete é voluntária do projeto tanto na área administrativa como indo às salas de aula, quando leva a esses jovens com informações sobre o mundo dos negócios. A empresa já tem 21 anos de mercado e há apenas cinco, começou a se preocupar em levar os funcionários para sala de aula e a tornar a empresa mais bem preparada para o mercado. Hoje, os 319 funcionários atendem cerca de dois mil pacientes por dia. "Notamos que a tecnologia sozinha não ajuda a melhorar o desempenho da empresa e sim o investimento em pessoal", acredita. "O que o Junior Achievement faz é preparar essas pessoas para serem excelentes profissionais no futuro", disse.