Estudo destaca a importancia da memória oral
Preocupada com a memória oral do brasileiro e de como ela é importante para os estudos, a pesquisadora Rosimar Schinelo, produziu a tese "Memória Oral: a mítica arte de tecer palavras", defendida na Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, campus de Araraquara.
Por meio do estudo de narrativas orais, Rosimar analisou o caminho que elas percorrem quando transformadas em objeto de pesquisa - ou seja, quando transformadas em textos transcritos - e demonstrou que a memória oral não pode ser apreendida pela escrita.
Segundo Rosimar, a narrativa oral é sustentada pelo movimento dos sentidos construídos sócio-culturalmente, por isso é sempre atual, "é memória viva, discurso em movimento", "no momento em que a narrativa oral é escrita, ela se torna estática", completa.
A pesquisadora destaca que as teorias mais recentes sobre o discurso afirmam que o movimento aparentemente paralisado pelo registro escrito da narrativa oral ganha um novo impulso a partir do leitor. "A memória é um discurso continuamente transformado por cada sujeito", esclarece Rosimar.
Rosimar explica que geralmente a tradição oral é transmitida de uma geração para a outra, mas em alguns casos a comunidade desaparece ou os rituais e a narração de um acontecimento não são permitidos: "Assim, a memória oral é sufocada pela história oficial e se torna silêncio".
Ao demonstrar que trazer as experiências cotidianas de comunidades analfabetas para o universo acadêmico é uma forma de "congelar algo" que está em constante metamorfose, a tese ressalta a importância da memória oral. Ela propicia uma interação maior entre sujeitos de diferentes comunidades culturais. "Além disso, ela permite que a voz dos não letrados se harmonizem às vozes da história oficial construída pela escrita", conclui a pesquisadora. (Unesp)