15/11/2003

Estudo inédito revela as causas de mortalidade de mulheres no Brasil

As doenças cerebrovasculares, a Aids e a violência têm se tornado os maiores inimigos das mulheres brasileiras. É o que revelam os primeiros números do Estudo de mortalidade de mulheres de 10 a 49 anos no Brasil, realizado a pedido do Ministério da Saúde e conduzido pelos professores Ruy Laurenti, Maria Helena Prado de Mello Jorge e Sabina Lea Davidson Gotlieb, do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.

A pesquisa analisou 3.265 declarações de óbito de mulheres em idade fértil, em todas as capitais brasileiras durante o primeiro semestre de 2002. Foram comparados os dados das declarações de óbito originais com os de declarações preenchidas após entrevistas no domicílio das falecidas, consulta a prontuários hospitalares e laudos de necropsia.

Os resultados que mais chamaram a atenção dos pesquisadores foram a presença das doenças cerebrovasculares e, principalmente, da Aids e dos homicídios nas três primeiras colocações do ranking. Eles esperavam encontrar algum tipo de tumor nas primeiras posições, porém o câncer de mama aparece somente no quarto posto, com 5,8% dos casos.

As doenças cerebrovasculares aparecem como a principal causa isolada de mortalidade, com 7,9% dos casos. A Aids aparece na segunda colocação, sendo responsável por 7,6% dos óbitos. Entre as mortes por causas infecciosas, ela aparece como a principal (61,2%) e chega a 92,4% na região Sul. Em 35% dos casos, o intervalo de tempo entre o diagnóstico e a morte foi menor do que 12 meses. "O número é surpreendente visto que os remédios para prolongar a vida do paciente com Aids têm se desenvolvido muito. Porém vemos que as mulheres têm chegado tardiamente ao médico", diz a professora Sabina Gotlieb.

Já os homicídios respondem por 6,1% do obituário, ficando na terceira colocação. Destes, 73% foram cometidos com arma de fogo. As maiores vítimas das mortes por acidentes e violências são as jovens: 57,2% das que morreram por tais causas tinham menos de 30 anos. As regiões Centro-Oeste e Sudeste foram as campeãs da violência que, segundo a professora Maria Helena, "está fortemente concentrada nas grandes regiões metropolitanas do Rio e São Paulo".(AgênciaUSP).


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