10/02/2004

Exame para residência médica pode mudar



O Ministério da Educação pretende mudar o exame de admissão de residência dos graduandos de Medicina de todo o País. A nova metodologia deve ser implantada já nos exames do fim deste ano, quando os alunos de Medicina concluírem a formação acadêmica. O exame de admissão de residência tornou-se alvo de cursinhos preparatórios, que cobram dos formandos mensalidades em torno de R$ 400,00. Os que não podem pagar saem prejudicados.


“Precisamos acabar com a exclusão social e democratizar o conhecimento”, avalia Antônio Carlos Lopes, professor de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), novo secretário-executivo da Comissão Nacional de Residência Médica.

As provas, segundo Lopes, concentram-se no raciocínio hipotético-dedutivo, em prejuízo da relação entre profissional e paciente. “É inadmissível que prevaleça a ética dos cursinhos em detrimento da responsabilidade social dos médicos. Atualmente, estamos tratando de doenças, não dos doentes”, diz Lopes, defensor da valorização da relação médico-paciente. “Precisamos de um currículo humanista, centrado na comunidade, e não tecnicista.”

A proposta de mudança, a ser debatida pelos integrantes da Comissão Nacional de Residência Médica, prevê que o exame inclua, além de conhecimento teórico, as habilidades adquiridas, a vivência da ética e das atitudes.

Os cursinhos preparatórios são criticados, ainda, por tirarem os alunos da universidade, antes de concluído o curso, para que eles se preparem com vistas às provas de residência. A idéia do secretário-executivo é manter os formandos na universidade no último semestre.

Uma outra maneira de democratizar o ensino seria expandir regionalmente o número de preceptores. “O MEC poderia reservar algumas vagas de residência em centros de excelência em Medicina para serem distribuídas a formandos selecionados pelos conselhos federais e estaduais”, afirma. O critério de seleção dos candidatos seria de responsabilidade dos conselhos. “Após a residência num centro de excelência, o profissional teria de obedecer a uma carência de, digamos, dois anos para receber o diploma. Nesse tempo, atuaria como preceptor nos cursos de residência do seu estado de origem”, sugere.

(MEC)


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