EXPLORANDO AS CONEXÕES ENTRE LECTOESCRITA E LETRAMENTO DIGITAL
SILVA, Fernanda Eva Freitas
RIBEIRO, Jonelson Charlos Gonzaga
JESUS, Anderson de
RESUMO
O presente estudo discorre acerca da evolução tecnológica e a presença crescente das interfaces digitais, que está muda a forma como as pessoas se comunicam e utilizam a escrita. O letramento digital engloba as habilidades necessárias do usuário para fazer uso por meio da comunicação escrita no ambiente tecnológico, de modo a ampliar as possibilidades de acesso à informação e comunicação. O percurso metodológico realiza-se a partir da revisão de literatura, que foi desenvolvida por meio de investigação em bases de dados e teve como método a pesquisa explicativa, dialética, descritiva e qualitativa. Apresenta-se o seguinte problema: como os estudantes lidam perante desafios de conciliar a lectoescrita tradicional, concomitantemente, o letramento digital e de que forma essas nuances impactam na qualidade da comunicação escrita na era digital? A integração do letramento digital junto à leitura e à escrita são essenciais para prepararem os indivíduos para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades oferecidas pelos recursos digitais. Assim, a tecnologia tornou-se um instrumento comum. Por isso, é fundamental saber utilizá-la como suporte pedagógico e didático para inserir os alunos num mundo dinâmico e contextualizado. O objetivo geral é investigar as interações entre leitura, escrita tradicional e letramento digital, de modo que se busca compreender como essas práticas se complementam, simultaneamente, influenciam a comunicação escrita para identificar os desafios e oportunidades dessa convergência, à média que promove o desenvolvimento de habilidades literárias e digitais dos estudantes dos primeiros anos de ensino na sociedade contemporânea. Conclui-se que, as relações entre leitura, escrita tradicional e letramento digital refletem benefícios, e desafios dessa convergência. O letramento digital não substitui a lectoescrita tradicional, mas, sim, amplia a possibilidade de interação aos textos e exigem novas competências. Assim, é preciso refletir sobre como essas práticas coexistem e são integradas de forma eficiente e crítica ao processo de ensino-aprendizagem.
Palavras-chave: Letramento digital. Tecnologia. Lectoescrita. Alfabetização.
INTRODUÇÃO
A evolução tecnológica e a crescente presença da tecnologia digital por meio dessa interface têm transformado profundamente a sociedade de maneira que sujeito tem-se comunicado e interage à ação de escrita. Nesse contexto, surge um paralelo interessante entre lectoescrita e o letramento digital, porque há duas práticas que coexistem e se complementam na sociedade contemporânea. Por isso, o presente estudo delineia acerca dessa temática, no intuito de realçar subsídio que venha a deixar explícito como acontece esse paralelo dessas duas vertentes.
Nos dias atuais, percebe-se que o letramento digital engloba o uso das habilidades necessárias para lidar e efetivar a comunicação escrita no ambiente tecnológico. Diante desse cenário, inclui a capacidade de usar ferramentas tecnológicas e compreender as especificidades desse contexto. Para Coscarelli e Ribeiro (2017), a alfabetização constitui-se no processo de aquisição do letramento digital, que envolve o domínio dum código e das habilidades necessárias para utilizá- lo na leitura.
A leitura e escrita proporcionam ao sujeito a desenvolver habilidade linguística e cognitiva, enquanto letramento digital amplia a possibilidade de acesso à informação e comunicação. De acordo com Rojo e Ferreiro (2012, p. 83), “a leitura e escrita proporciona o desenvolvimento de habilidades linguísticas e cognitivas, enquanto o letramento digital amplia as possibilidades de acesso à informação e comunicação” (Rojo, 2012; Ferreiro, 2012).
Nesse contexto, é importante destacar que a introdução do letramento digital traz desafio a sociedade, como a necessidade de aprender a analisar criticamente as informações on-line e lidar com a sobrecarga de conteúdo. Além disso, é fundamental promover uma educação que venha a integrar, tanto leitura e escrita quanto o letramento digital, de modo a preparar o indivíduo para encarar o desafio e aproveitar a oportunidade de viver em meio ao mundo digital.
Diante da inovação oriunda das novas tecnologias, tanto no campo da informação como da comunicação, há proposta que aprimora a aprendizagem do aluno por meio do estudo de forma a constituir nesse estudante uma formação que possa beneficiar sua atuação como sujeito ativo.
A tecnologia ao ser um instrumento comum, nos dias atuais, exige que o usuário sabe usá-la como suporte tecnológico nas práticas didáticas e letivas em espaços escolares ou não, porque é fundamental ao aluno entender essa inserção perante um mundo dinâmico e contextualizado. O estudo desenvolvido por Briggs e Burke (2004), afirmam que a Internet e as tecnologias digitais representam as recentes formas de alfabetização.
Além disso, surgiu uma preocupação entre pesquisadores de leitura e escrita em relação aos usos das novas tecnologias. Assim, a educação prepara-se para atender os anseios duma sociedade impactada pelos artefatos tecnológicos, simultaneamente, busca compreender como acontece a dinamicidade da relação entre mundo educacional real e mundo digital que se torna imprescindível e necessário aos alunos dos dias atuais.
Destarte, o objetivo desta pesquisa é investigar as interações entre leitura, escrita tradicional e letramento digital, de modo a buscar compreender como essas práticas se complementam e influenciam a comunicação escrita, à medida que identificam os desafios e a oportunidade dessa convergência ao promover o desenvolvimento de habilidades literárias e digitais dos estudantes dos primeiros anos de ensino da sociedade contemporânea.
Nesse sentido, visa-se alcançarem informações que abarcam os primeiros anos do ensino fundamental que é importante explorar as nuances desse paralelo, de modo a entenderem os desafios e oportunidades que surgem quando essas práticas se entrelaçam, uma vez que lectoescrita e letramento digital são dois conceitos fundamentais, no contexto educacional, e social da atualidade.
Posto que, as relações entre leitura, escrita tradicional, letramento digital apresentam semelhanças e diferenças que refletem acerca dos benefícios e dos desafios dessa convergência. O estudo pretende dar resposta aos seguintes questionamentos: como os estudantes lidam perante desafios de conciliar lectoescrita tradicional e o letramento digital? E, de que forma essas nuances impactam a qualidade da comunicação escrita na era digital?
Para melhor descrever a premissa que compõe o esboço deste estudo, este organiza-se em três tópicos sequenciais no qual, o primeiro aborda a tecnologia digital na educação infantil; o segundo, esboça o uso de recursos tecnológicos em sala de aula e o terceiro, delineia acerca das contribuições das tecnologias no processo de alfabetização em relação leitura e escrita a partir do letramento digital.
METODOLOGIA
A metodologia utilizada foi de revisão de literatura, que se constituiu em ser desenvolvida por meio de pesquisas nas bases de dados: Google Acadêmico, Scientific Electronic Library Online (Scielo), Biblioteca Virtual da Unimontes, Biblioteca Virtual do Instituto Federal Nortes de Minas Gerais, Portal do MEC, Revistas educativas e científicas.
Tabela 1 – Bases de dados consultadas
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Fonte: Elaboração própria.
O escopo deste estudo é construído a partir das premissas dos dados encontrados em artigos científicos, dissertação de mestrado e tese de doutorado, livros físicos, livros digitais e legislação da educação básica, no Brasil. Todos disponibilizados na íntegra, no idioma português nesse país e abordam as temáticas propostas para desenvolver esta pesquisa.
Os métodos utilizados são: explicativo, dialético, descritivo e qualitativo. Entretanto, o estudo tem como ênfase o método qualitativo. Descobertas relevantes foram documentadas por Lüdke e André (1986), como no caso das cinco características básicas que configuram o estudo na abordagem qualitativa, que são:
- A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento; o que atende aos objetivos dessa pesquisa;
- Os dados e coletas de dados são predominantemente descritivos; o que dá liberdade para buscar informações em fontes variadas;
- A preocupação com o processo é muito maior do que com o produto: isto permite investigar o problema por meio dos procedimentos dos professores e pelas interações ocorridas na sala de aula;
- O significado que as pessoas dão às coisas e a sua vida, são focos de atenção especial pelo pesquisador; ‘detalhes’, muitas vezes, aparentemente insignificantes, podem contribuir com ricas informações sobre as ‘perspectivas dos participantes’; 5. A análise dos dados tende a seguir um processo indutivo; não existe uma preocupação em buscar evidências apenas para se confirmar hipóteses previamente estabelecidas (Lüdke; André, 1986, p. 11-13).
Assim, o estudo desenvolvido pelos autores acima citados traz o escopo desta pesquisa que é desenvolvida, de acordo com princípios da pesquisa bibliográfica de caráter qualitativa, através de busca de material já elaborado que discute a importância da tecnologia digital na alfabetização de alunos que cursa a educação infantil. Contudo, foi realizado um levantamento sistematizado das várias marcas textuais referentes à narrativa e à linha de raciocínio das hipóteses de trabalho pertinentes à pesquisa.
Diante desse cenário, Marconi e Lakatos (2021, p. 158) corroboram que: “a pesquisa bibliográfica consiste em um resumo abrangente dos estudos significativos já realizados”. Deve-se destacar que, essa importância reside no fato de que pode fornecer informações relevantes e atuais sobre determinado tema.
Sendo assim, a literatura pertinente auxilia na preparação do trabalho, de modo que contribui para evitar erros e publicações equivocadas, e venha a oferecer orientação para futuras investigações. A quantidade total de material considerado útil e apropriado depende das habilidades do pesquisador, da experiência e da capacidade de encontrar evidências ou subsídios pertinentes a escavação realizada por si.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
O estudo em questão implica em explorarem as conexões entre lectoescrita e letramento digital, de modo a buscar interpretá-lo a partir duma ampla revisão literária para apresentar novos contextos que podem ser úteis, tanto ao aprimoramento do conhecimento como na relevância do campo científico e profissional. O intuito é compreender a instituição escolar e sua busca incessante para trabalhar a relação entre leitura e escrita a partir do letramento digital.
O uso da tecnologia digital, na educação infantil
A educação infantil é a base do processo formativo que permeia a vida do educando. Hoje, as interfaces digitais e o processo de ensino/aprendizagem ganharam novas faces, uma vez que as crianças muito antes de adentrarem à escola, já estão autoletrando, autoinformando e autoaprendendo por meio da inserção nas redes mundiais de Internet, que lhes possibilitam conhecer as diversas tecnologias digitais. Isso lhe despertara um novo jeito de aprender.
Além disso, há as mudanças provocadas pelas tecnologias digitais, que trazem novos comportamentos em relação aos comportamentos sociais. Logo, isso afeta drasticamente as metodologias didáticas e pedagógicas usadas pelos professores no ensino infantil. Investigações anteriores, como de Martins e Almeida (2020), têm revelado que as violentas transformações, nos dias atuais, têm-se interferido no modo de pensar e fazer as coisas, em especial, na produção da informação e nos modelos em que a sociedade apropria desse saber por meio das tecnologias digitais.
O pedagogo, necessariamente, precisa estar aberto para efetivar a nova concepção educacional de aprendizagem, o que implica na dinamicidade da nova forma de desenvolver o conhecimento atrelado ao ambiente digital.
As preferências lúdicas e de leitura, os interesses sociais, as relações de amizade e preferência de gosto alimentício e de consumo, em geral, é concebido pelas crianças, na maioria das vezes, são influenciadas pelas relações contínuas que têm em si pelo mundo digital. Assim, as relações ocorrem em meio aos fatos que rodeiam, consequentemente, passam a serem caracterizadas de forma imediatistas e volátil, diferentemente das concepções já estabelecidas pelos educadores. Inclusive, no âmbito didático e nas metodologias que são utilizadas no processo de aprendizagem da educação infantil, principalmente, àquelas que estão distantes das interfaces digitais.
O estudo desenvolvido por Xavier (2020, p. 135), reiteram que:
A geração digital tem amadurecido muito mais rápido que a geração dos seus pais. Pelo intercâmbio de informações na rede, esses adolescentes ensinam e aprendem mutuamente, produzindo experiências que são compartilhadas com todos os participantes dessa grande sala de aula virtual sem professor fixo ou predeterminado. Para acompanhar esses aprendizes audaciosos da geração digital, o professor também tem que mudar seu perfil e sua prática pedagógica.
Paralelo a isso, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) elucida que é preciso a instituição escolar está preparada para efetivar as mudanças em meio as relações sociais provocadas pelas transformações digitais. A partir disso, o alfabetizador perante a equipe que compõe a escola precisa desenvolver a partir dos eixos estruturantes que norteiam a educação infantil o uso crítico e responsável das tecnologias digitais. Esse processo ocorre de forma transversal, à medida que abrangem todos os aspectos da aprendizagem do aluno.
As tecnologias estão integradas à educação como ferramentas para aprimorar a formação completa do aluno. Assim, a instituição tem clareza do uso das plataformas digitais, que estão a ser utilizada de forma adequada e examina como, de fato, está a contribuir para consolidar no desenvolvimento cognitivo, emocional, psicológico, cultural e social do aluno. A escola não pode ignorar o fato de que o discente desempenha um papel ativo nesse processo.
Nessa perspectiva, Brasil (2018) enfatiza a necessidade de:
Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
Posto isso, entende-se que as práticas pedagógicas, precisam correlacionar as tecnologias digitais com despertar lúdico de forma inclusiva, interativa e interpessoal. A escola deve proporcionar de forma equânime o acesso ao ambiente digital aos alunos, de modo a ofertar-lhes estímulos de transformação para poder fazer aquisição de conhecimentos concretos e eficientes.
Para Fernandes, Abreu e Dinis (2019), os ambientes virtuais forem acessados de forma equivocada, porque podem desencadear prejuízos cognitivos, afetivos e interacional aos alunos nas relações sociais vindouras. Assim, as diretrizes metodológicas abrangem as necessidades pertinentes à pré-escola para adequá-las a cada fase de desenvolvimento dessa criança, principalmente, para atender os objetos de aprendizagem considerados pelo Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil. O docente é o protagonista na ação e na participação ativa de saber escolher e avaliar os recursos empregados nas funções pedagógicas que atendam as singularidades da criança, conforme aborda-se no próximo tópico.
O uso de recursos tecnológicos na sala de aula
A prática pedagógica é dinâmica, complexa e requer cautela em relação ao uso dos recursos tecnológicos, em sala de aula. Nos dias atuais, constata-se que há influência da cultura digital nas práticas sociais, porque, imediatamente, flui a ideia de que, quaisquer ações que interligam os desktops e smartphones aos sítios, plataformas digitais, e aplicativos são úteis, simultaneamente, necessários para uso educativo. No entanto, ao saber dessa importância que perpassa o processo de aprendizagem do educando, no qual exige que o docente venha a exercer seu trabalho de modo que estabeleça respeito e rigorosidade metódica a cada fase, etapa e os momentos específicos que cada discente necessita nesse processo. É na dinâmica do percurso didático que determinam quais são os recursos mais apropriados que são utilizados para atender as necessidades peculiares de cada principiante.
Assim, o estudo desenvolvido por Freire (2002, p.13), enfatiza que:
O educador democrático não pode negar-se o dever de, na sua prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão. Uma de suas tarefas primordiais é trabalhar com os educandos a rigorosidade metódica com que devem se ‘aproximar’ dos objetos cognoscíveis.
Nessa perspectiva, encontrar um recurso tecnológico, que, de fato, venha a ser dinâmico e possa contemplar as necessidades específicas do aprendiz exige seleção e conhecimento do professor que leciona para alunos, principalmente, na educação infantil. O pedagogo deve trilhar diversos percursos didáticos e metodológicos para buscar compreender cada especificidade, de modo que atendam aos diversos contextos de aprendizagem dos discentes, concomitantemente, venha a valorizar o tempo e a realidade de cada dedicada aos estudos para aprender.
De fato, as tecnologias digitais não são ignoradas nas práticas pedagógicas que são adotadas em sala de aula das etapas iniciais da educação infantil. Entretanto, para saber empregá-las de forma eficiente exige do educador compreensão da eminência das mudanças antropológicas em diversas esferas, como: social, cultural, política, tecnológica, educacional e linguagem.
De acordo com Tozetto e Larocca, (2020), “cabe a formação inicial preparar um profissional reflexivo, com condições de analisar as estruturas sociais de uma maneira crítica e consciente conferindo a sua prática docente uma intencionalidade”. As mudanças externas à escola refletem de forma significativa dentro dela, o que implica novas necessidades, novos interesses a partir dum novo dinamismo que possa visar as estruturas cognitivas dos sujeitos.
Os educadores carecem de compreender quais são os impactos que os novos recursos digitais agregam, ora positivamente, ora negativamente no processo de ensino-aprendizado antes de quererem usá-los.
A transformação digital acontece de forma vertiginosa e dinâmica. Por isso, o docente se ver diante duma extensão de recursos digitais que são oriundos duma gama de aplicativos e softwares que trazem um arsenal de possibilidades e acessibilidades. A maioria desses artefatos digitais, já faz parte da rotina e das atividades do dia a dia dos alunos de forma dinâmica, divertida e interativa. Cabe ao docente ter clareza de como manuseá-las. Isso torna-se possível diante duma formação atualizada sólida e eficaz, à medida que ganha autonomia para poder decidir qual recurso digital é propício para utilizar e dar apoio na prática pedagógica de cada aula, de modo que venha a ser pertinente para consolidar na construção do ensino nessas dimensões possíveis de aprendizagem.
As novas interfaces digitais possibilitam haver protagonismo e a autonomia do aprendiz, pois sozinho consegue interpretar, entender e compreender os fatos, consequentemente, tem a capacidade de produzir e imaginar, por consequente, promove a criação de conteúdos digitais e multimidiáticos, uma vez que não dependem de ferramentas complexas e sofisticadas, mas, num smartphone há ferramenta simples e acessível capaz de desenvolver uma série de conteúdos por meio de imagens, vídeos, áudios, história em quadrinhos, blogs, entre outros, que são possíveis e capazes de associar a aprendizagem de sequência didática compartilhada por meio dos artefatos tecnológicos.
Entretanto, é preciso ficar atento, porque está continuamente conectado necessariamente não significa ser letrado digitalmente, a conexão digital está interligada à responsabilidade de agregação produtiva de informações para efetivar o crescimento pessoal. Para isso, tem-se a dimensão de como utilizar essas ferramentas tecnológicas. Nesse contexto, Araújo, Frade e Morais (2022, p. 19) elucidam que:
Costuma acontecer de alguns alunos saberem usar bem um aplicativo, como, por exemplo, um editor de fotografias, mas não saberem utilizar adequadamente editores de textos, explorando as potencialidades deles, ou nunca ter tido a experiência de usar uma planilha eletrônica ou ter acessado um portal de artigos acadêmicos. Muitas vezes, os alunos conhecem e se divertem com gêneros textuais típicos dos ambientes digitais, como os memes, mas não se preocupam em fazer uma leitura crítica desses textos e nunca se propuseram a ser, eles também, produtores desses textos.
A integração tecnológica no procedimento educacional perpassa pela inserção da prática letiva, consequentemente, no processo formativo do corpo docente ao ter como práxis da instituição educativa. Logo, o método de cultura operacional e organizacional estão interligadas a cultura digital. Posto isso, entende-se a era da comunicação digital como uma totalidade de obrigação nas diversas áreas de conhecimento. E, as práticas didáticas metodológicas dos docentes estão integradas as novas tecnologias. Paralelo a isso, tem como exigência que a formação do professor venha a ser concebida por meio dessa demanda tecnológica.
É importante destacar que há os percalços geradores de desafios que impedem a implementação integral das tecnologias como recursos didáticos em sala de aula. Por essa razão, é possível descrever que são inúmeras as vantagens oriundas de adoção adequada das novas tecnologias nos mecanismos paradidáticos que são responsáveis pela informação, formação, e interação despertadas dentro do ambiente escolar, principalmente, quando escola assume como propulsora de transformação total dos educandos de forma inclusiva. No qual, as ferramentas digitais são interfaces, ora para minimizar, ora para quebrar barreira gerada pela desigualdade social de inserção do indivíduo num mundo letrado e complexo.
O papel do educador é essencial para facilitar essa forma de aprender. Assim, as intervenções assertivas prevalecem e tornam possíveis deslanchar a maturidade intelectiva de saber como usar, pesquisar e separar informações científicas confiáveis daquelas geradas ao propósito apenas de confundir e dificultar essa ascensão dos educandos. Nessa linha de raciocínio, Coscarelli (2016, p. 66), “há leitores que não conseguem distinguir sites confiáveis de não confiáveis e há outros que visitam os sites, mas não costumam voltar a eles para uma segunda leitura”.
Portanto, quando o educando cria maturidade de filtrar informação, sua aprendizagem passa ser livre e sem empecilhos, o que a torna muito mais duradoura e eficaz, pois acredita-se que o estudante ao saber: como faz, o que faz e onde faz consegue absorver de forma rápida e fácil o conhecimento ensinado, visto que é motivado pela situação de real necessidade daquilo que, de fato, pretende alcançar como resultado para efetivar sua formação.
Assim, as aulas ganham ênfases, porque desperta a iniciativa dos estudantes em fazer uso das interfaces tecnológicas, uma vez que o aprendiz é capaz, por si só, checar on-line o tema desenvolvido pelo docente em tempo real ao ir além do conteúdo que é apresentado durante prática letiva.
As contribuições das tecnologias na alfabetização e a sua relação entre leitura e escrita a partir do letramento digital
Os avanços tecnológicos a cada instante apresentam-se como inovações, constantemente, surgem mudanças nas diversas áreas do conhecimento por meio das relações humanas. No campo da leitura e escrita não é diferente, nasce a necessidade de transformações e adequações ao ambiente virtual. O corpo docente e discente são convidados a revisar a estrutura linguística já estabelecida na construção dos gêneros textuais para buscar novas interfaces que abrangem essas dimensões que o ambiente digital proporciona por meio do dinamismo visual, estético, estático e acessível aos usuários de diversas formas.
Ler e escrever é uma habilidade essencial ao desenvolvimento humano, por si modelar na forma efetiva de comunicar e registrar fatos e artefatos que incorporam as relações humanas, entre tantas tecnologias que evolui a cada instante, a comunicação.
O aluno, ao ser alfabetizado num contexto digital, vivenciam as diretrizes que são extremamente importantes as relações dum mundo digitalizado. As plataformas digitais surgem das possibilidades de ampliação de novas informações que favorecem à construção estruturante desses novos conhecimentos. Destarte, a escola traz a inovação tecnológica como regra fundamental no aprimoramento das possíveis formas de aprendizagem.
As fundamentações formais de como e quando utilizam essas ferramentas devem necessariamente surgir como iniciativa das instituições escolares. Posto isso, percebe-se que a escola é a percursora e detentora da forma científica, crítica, analítica e reflexiva da construção do conhecimento. Inserir seus principiantes dentro duma escola contextualizada aos avanços sociais é assumir seu dever como instituição social.
A escola promove o avanço duma sociedade altamente letrada e alfabetizada no contexto da leitura e escrita digital. Além disso, é responsabilidade dela preparar o cidadão para integrar à sociedade de forma alfabetizada no uso dos recursos tecnológicos digitais. Assim, o sujeito deve ser capaz de inferir, contribuir, opinar, classificar, refutar, compreender e conceber de forma reflexiva as transformações e acontecimentos ao seu redor, ao ser ativo, participativo e agente de mudança em si mesmo, na e à sociedade, de maneira profunda, eficaz e crítica. No entanto, isso só é possível por meio da inserção do aluno como leitores e escritores da realidade vivenciada no mundo.
De acordo com Brasil (1998, p. 21),
A sociedade brasileira demanda uma educação de qualidade, que garanta as aprendizagens essenciais para a formação de cidadãos autônomos, críticos e participativos, capazes de atuar com competência, dignidade e responsabilidade na sociedade em que vivem e na qual esperam ver atendidas suas necessidades individuais, sociais, políticas e econômicas.
Mediante ao exposto, há uma preocupação em preparar as crianças na prática para despertar o hábito da leitura on-line de forma assertiva. Desse modo, entende- se que esse é um compromisso da escola ao instruir, porque assume diante das relações hodiernas os problemas sociais que a sociedade apresenta no ambiente virtual.
Trabalhar as tecnologias digitais por meio das práxis docentes é uma possibilidade concreta que contribui para efetuar a organização dos estudantes diante das vertentes que engloba leitura e escrita.
As interfaces digitais são exploradas, em sala de aula, ao trazer subsídios aos discentes de como e onde localizar as informações que são importantes aos estudos para aplicar na prática seus aprendizados, de modo que desperta à autonomia para buscar, avaliar, selecionar, o que são importantes para realizar a sua formação e descartar aquilo que são superficiais. Nesse sentido, Xavier (2020, p. 138) assevera que:
A competência para usar os equipamentos digitais com desenvoltura permite ao aprendiz contemporâneo a possibilidade de reinventar seu quotidiano, bem como estabelece novas formas de ação, que se revelam em práticas sociais específicas e em modos diferentes de utilização da linguagem verbal e não-verbal. O letramento digital requer que o sujeito assuma nova maneira de realizar as atividades de leitura e de escrita.
Ao adquirir consistência e segurança do tipo de informação que é fundamental para aperfeiçoar sua formação, os estudantes passam a ser livres das amarras que inviabilizam nesse processo. E, a escola não só os protagonizam, mas estimulam a ter consciência dessa dimensão didática nesses espaços de interação.
A primeira infância é o ponto central para atentar sobre como trilhar dentro desses ambientes tecnológicos. As crianças por serem inatas nas inovações digitais, cabe a escola intervir através duma boa formação, de modo que lhes preparam para saber fazer uso do letramento digital. Assim, isso evita prejuízo cognitivo caso buscam utilizar essas ferramentas de forma equivocada, simplesmente por desconhecê-las.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após a relação estabelecida entre escritos dos autores que foram relevantes para fundamentação teórica desta pesquisa é possível concluir que há nuances no paralelo constituído entre ler e escrever, simultaneamente, o letramento digital é complacente para efetivar a formação de indivíduos capazes de si adaptar às demandas da sociedade contemporânea.
O letramento digital não substitui a lectoescrita tradicional, mas, sim, amplia a possibilidade de interação aos textos e exigem novas competências. Portanto, faz-se necessário refletir sobre práticas letivas e didáticas e permite a questionar como podem coexistir e serem integradas de forma eficiente e crítica à sala de aula.
Ainda existe uma série de desafios que impossibilitam a inserção integral das tecnologias digitais no ambiente escolar como as desigualdades sociais, que impedem que crianças façam uso paralelo da leitura, da escrita e do letramento digital.
Deste modo, a escola precisa assumir o papel de inserir e incluir as pessoas que ainda não conseguem manusear, utilizar e compreender as transformações oriundas do ambiente digital.
Para ser um cidadão ativo socialmente, como afirma Freire (2002), é necessário conhecer, interagir, construir e participar efetivamente de qualquer mudança e transformação social. O desenvolvimento reflexivo provém da capacidade analítica e crítica que o cidadão possui ao ser detentor de qualquer tipo de letramento, tradicional e digital. Diante desse fator a aquisição do letramento digital passa a ser uma necessidade educacional deslumbrante em prol da inclusão dos principiantes que não têm domínio das transformações tecnológicas digitais.
As conexões entre lectoescrita tradicional e letramento digital estabelece relação de forma harmônica entre Xavier (2013), Soares (2002) e Souza, R., (2017), que estão interligados e interdependentes, pois a apropriação do letramento digital não elimina o letramento tradicional. Dessa forma, a principal condição para apropriação do letramento digital é o domínio do letramento alfabético tradicional. A condicionalidade proporcionada entre relação existente implica no aumento da importância de ampliar o uso do letramento alfabético em razão da chegada da era digital.
Ao encontrar resposta capaz de elucidar o questionamento que desencadearam este estudo, como os estudantes lidam perante desafios de conciliar lectoescrita tradicional e o letramento digital? Assim, é possível concluir que as principais dificuldades vivenciadas pelos escolares perpassam pela inoperância da própria escola por não conseguir atender as demandas devido à falta de estrutura tecnológica viáveis, condições físicas adaptáveis, didáticas inovadoras, metodológicas ativas, formação e qualificação adequada e políticas afirmativas e inclusivas que venham a ser favorável para realizar essa transformação e concretização relacional entre leitura e escrita tradicional, concomitantemente, o letramento digital.
Espera-se, com isso, responder à questão de investigação que foi: de que forma essas nuances impactam a qualidade da comunicação escrita na era digital? Uma vez que a escola tenha a responsabilidade de preparar o cidadão para integrar à sociedade de forma alfabetizada no uso das tecnologias digitais, e por não conseguir cumprir sua função social, nem acompanhar as transformações digitais, isso se tornar mecanismo de danos irreparáveis ao processo formativo integral dos estudantes ao afetar totalmente a qualidade e eficiência da comunicação escrita, e interativa na era digital.
O estudo buscou de forma sucinta apresentar o processo de inserção da tecnologia digital na educação infantil. Delineou sobre fatores determinados pelo ambiente digital que podem corroborar no aprendizado dos alunos. Por isso, auxilia no desenvolvimento pessoal e são inseridos nas transformações digitais. Dessa forma, acredita-se que as práticas educacionais preparam a sociedade para lidar aos desafios da era digital e envolver os cidadãos como participantes ativos, de modo que possa assumir seu papel de leitores e escritores da realidade em que vivem.
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