False Flag na Educação
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
Existe uma estratégia antiética utilizada para justificar repressão, perseguição política, guerras, golpes de Estado e até genocídios: o false flag (ou falsa bandeira). Trata-se de um ato hostil e impopular cujo intuito é atribuir a autoria de uma ação a quem não é o seu verdadeiro executor.
Muito sangue foi derramado e vidas foram dizimadas devido a essa estratégia. Na política, onde muitos acreditam que "os fins justificam os meios", vale tudo para se perpetuar no poder — e, naturalmente, isso respinga na educação, tanto nas instituições quanto no processo pedagógico.
Em ano eleitoral, a educação torna-se um braço forte nos comícios, onde imperam a demagogia e a técnica de false flag. Na prática, muitos políticos promovem o sucateamento do ensino para que, como candidatos, possam surgir como os "salvadores" e detentores das soluções para os problemas que eles mesmos criaram.
Tomemos como exemplo o governo de Minas Gerais, que transformou o piso salarial em teto. Hoje, o início de carreira de um profissional com licenciatura plena possui uma defasagem de R$ 1.928,28 em relação ao Piso Nacional de 2024[1], outro agravante em relação a educação mineira é que houve um gasto de R$ 348 milhões de recursos da educação estadual para uma empresa fraudulenta[2], além do projeto "Mãos Dadas", que visa ao Estado Mínimo através da municipalização e da privatização de escolas públicas. O governo sucateia a estrutura para, então, alegar que a única melhora possível viria da privatização ou do modelo de escolas cívico-militares — mesmo após o encerramento deste programa pelo Governo Federal.
A educação, é uma das áreas mais exploradas em campanhas e a que mais sofre com o false flag. As narrativas utilizadas para justificar crises são sempre voltadas à terceirização da culpa, nunca ao "Mea maxima culpa".
Lopes, Cunha e Costa (2025) [3] são enfáticos ao afirmarem que grande parte desses discursos baseia-se em ataques à educação e à ciência, desvalorizando a universidade pública como produtora de conhecimento. Isso ocorre por meio de fake News ou simulacros de false flag, nos quais situações absurdas são forjadas para desacreditar profissionais e instituições. O que deveria ser tratado como um caso isolado é perversamente generalizado.
Nesse sentido, Lunardelli e Maia (2024) [4] reforçam que a educação de qualidade — com formação cultural, científica, política, ética e humana — só se efetiva através do professor. Por isso, a valorização profissional é urgente. É preciso que as "falsas bandeiras" sejam desmascaradas: o verdadeiro problema da educação não reside no sistema pedagógico, mas em um sistema político que visa à manipulação das massas.
Diante disso, cabe a nós, profissionais da educação, despertar em nossos alunos a conscientização, a criticidade e o protagonismo cognoscente. Somente assim eles poderão perceber a manipulação de políticos vis, cujo único intuito é a ascensão ao poder através de estratégias que mantêm o povo domesticado e dócil sob um sistema de controle constante.
[1] https://sindutemg.org.br/noticias/os-alvos-de-zema-contra-a-educacao-publica/
[2] https://www.intercept.com.br/2026/04/20/helder-barbalho-romeu-zema-secretario-educacao-contratos-850-milhoes-empresa-suspeita-fraude/
[3] LOPES, A. C.; CUNHA, É. V. R. DA .; COSTA, H. H. C.. Como enfrentar o negacionismo e a crítica à educação em tempos de populismo de direita?. Sociologias, v. 27, p. e139936, 2025.
[4] LUNARDELLI, A. F.; MAIA, A. F.. Razão Instrumental e Educação: Reflexões Sobre a Escola e as Novas Tecnologias . Educação em Revista, v. 40, p. e41048, 2024.