Falso Patriota e a Bandeira Alheia: Hollywood, Soft power e a Colonização das Mentes.
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
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Como se sabe, a neutralidade nunca existiu; já diz o adágio: “neutro é xampu”. Assim vivem os filmes hollywoodianos, desconstruindo a realidade e moldando a opinião pública por meio da estratégia conhecida como soft power (poder de persuasão).
O soft power justifica os crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos contra o Japão, nos quais há uma estimativa de que até 240 mil civis morreram em Hiroshima e Nagasaki — sendo que metade dessas pessoas morreu instantaneamente e as demais, nos dias seguintes.
Outros genocídios aconteceram sob a desculpa de intervenções para “levar a ordem”, como no Iraque, cujo número de mortes de civis chega a 250 mil; no Afeganistão, com 70 mil civis; no Paquistão, com 33 mil civis; na Síria e no Iêmen, com mais de 50 mil civis; e no Vietnã, Laos e Camboja, com mais de 2 milhões de civis. Dentre outros países que sofreram essas intervenções, que na verdade não buscaram levar a ordem, mas sim o caos, usurparam-se as riquezas naturais, violentaram-se os nativos e corrompeu-se a sociedade, deixando um rastro de miséria como gafanhotos em uma lavoura.
O triste é que o resto do mundo se dá por convencido de que o lado certo é sempre o dos Estados Unidos da América, já que o país busca ressignificar a realidade fazendo uso do soft power. Constrói-se, assim, consensos sociais com o intuito de mudar a percepção pública, fazendo com que a população veja os vilões sob o prisma americano.
Todo filme de ação, guerra ou qualquer outro que envolva nacionalidades distintas deve estar alinhado com o Pentágono, já que o Departamento de Defesa dos EUA possui escritórios que auxiliam a indústria do entretenimento. Mas isso não acontece por preocupação com a cultura representada pela sétima arte, que é o cinema. Isso é feito porque eles realizam alterações nos roteiros a troco do empréstimo de equipamentos militares caros, como porta-aviões e bases. Tais filmes têm a obrigatoriedade de retratar as ações militares americanas de forma heroica e justificada.
Nessas alterações de roteiro, fazem-se adaptações aos inimigos históricos para acompanhar o momento político do país, buscando desumanizar seus adversários com propósitos maniqueístas (o bem contra o mal absoluto), sendo que o "bem" são sempre os Estados Unidos, representados por sua suposta superioridade moral, e não por sua hipocrisia.
Observe que, nos filmes, os latinos são sempre as pessoas envolvidas com o tráfico de drogas e com a violência; o povo muçulmano é composto inteiramente por terroristas; e o comunismo, representado por Rússia e China, é o câncer da sociedade perfeita. Enfim, é o momento em que os americanos fazem uso de sua narrativa para justificar suas arbitrariedades.
Enfim, Silva (2017, p. 11) [1] é enfático ao afirmar que, por meio da sétima arte, os Estados Unidos da América aproveitaram para efetivar sua “expansão cultural, poder de manipulação e exportação de valores”, disseminando assim o “American way of life” como o modelo cultural, econômico e social que define a identidade americana. Quem não compactuar com este modelo de vida, com certeza, é um comunista que precisa ser combatido. E, claro, o soft power se encarregará de criar uma narrativa que justifique a “intervenção” e o genocídio. Afinal de contas, é sempre o bem contra o mal, e o bem está sempre com quem manipula a massa.
Por isso, uma educação de qualidade é essencial para o desenvolvimento de nossa nação. Quando se trabalha o discernimento em nossos alunos, eles percebem que o verdadeiro patriota é o que veste a camisa de seu país, e não quem carrega a bandeira dos Estados Unidos no dia 7 de setembro — data importante que deve representar nossa liberdade, e não mais um colonialismo que extorquiu nossas riquezas.
O patriota é quem defende a soberania de nossa nação e quem fica com o seu povo, aconteça o que acontecer. Pensa sempre no Brasil e não foge para o país genocida pedindo intervenções ou entregando informações confidenciais a um governo banhado no sangue das mais de 70 mil mortes palestinas.
[1] Silva, João Guilherme de Oliveira. S586i A influência do cinema nas Relações Internacionais: o “outro” sob a ótica Disney / João Guilherme de Oliveira Silva. – Recife, 2017. 95 f. : il. col. Orientador: Prof. Dr. Pedro Gustavo Cavalcanti Soares. Trabalho de conclusão de curso (Monografia – Relações Internacionais) – Faculdade Damas da Instrução Cristã, 2017.