Fundaj lança documentário sobre cerimônia fúnebre do candomblé
Axexê, documentário em vídeo produzido e dirigido por Marcelo Peixoto e realizado pela produtora Massangana Multimídia, do Instituto de Cultura da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), será lançado nesta segunda-feira, às 19 horas, no Cinema da Fundação (Cineteatro José Carlos Cavalcanti Borges, Rua Henrique Dias, 609, Derby), em Recife. O vídeo é um registro inédito da cerimônia fúnebre, conhecida como Axexê, da mais antiga Ialorixá do Brasil, Mãe Beta. Depois da exibição do vídeo haverá mesa-redonda sobre a visão do "além-morte", segundo as diferentes visões dos cultos afro-brasileiros.
Segundo o diretor Marcelo Peixoto – que obteve uma permissão especial para filmar, até então nunca concedida – com a morte de Mãe Beta, as atividades do terreiro Nagô foram encerradas. "Foi ela quem abriu a cerimônia do Axexê para as mulheres porque, antes, apenas homens participavam desse ritual", diz Peixoto. A filmagem durou nove horas ininterruptas – o vídeo tem duração de 12 minutos – e exigiu um esforço de concentração do diretor e da equipe técnica, formada pelo câmera Júlio Ribeiro, pelo assistente de produção Paulo Doca e pelo iluminador Estevão Mendes.
A mesa-redonda Além da morte – uma visão antropológica do pós-morte, a partir dos ritos dos cultos afro-brasileiros reunirá os babalorixás Raminho de Oxóssi, Manoel Papai e Ivo de Chambá, além da médica psiquiatra Odete Vasconcelos, doutoranda em antropologia, e da antropóloga Danielle Pitta, da Universidade Federal de Pernambuco.