Grupo da reforma universitária faz sua primeira reunião
A comissão executiva criada pelo Ministério da Educação para discutir e elaborar o projeto da reforma universitária realizou nesta quinta-feira a primeira reunião com a comunidade acadêmica. Chamado de Fórum Constituinte, o encontro com dirigentes de entidades da educação fundamental, média, tecnológica e superior e também com representantes dos estudantes superou a expectativa do próprio MEC.
'Esta reunião foi mais do que o início do processo da reforma. É um fato histórico, porque nunca se teve um encontro que congregasse todas as entidades e o governo para debater o tema,' afirma o secretário Executivo do MEC, Fernando Haddad.
O fórum foi palco para discussões de propostas e idéias. Uma das questões levantadas, e que aponta uma preocupação comum, foi que tipo de aluno se quer e qual o perfil da universidade que atenda às demandas da sociedade.
Na avaliação dos participantes, nos últimos anos as universidades passaram por profundas mudanças que as descaracterizaram como bem público. A lógica do acesso do aluno à educação superior foi invertida. Priorizou-se o caminho pelo ensino privado em vez do público.
O problema não passa apenas pela falta de financiamento do governo para a universidade pública e a deficiência na gestão administrativa, sem a autonomia das instituições. O gargalo vem de baixo: dos ensinos fundamental e médio. 'Há, ainda, um grande número de professores leigos no País. Alguns possuem somente a formação de ensino médio e dão aulas ao ensino médio. Ou são formados em História e lecionam Inglês, Matemática e outras disciplinas', informa a representante da Undime, Adriana Diniz.
A contribuição das universidades deixa a desejar, quando o assunto é a oferta para a formação dos professores da educação básica. Os cursos, em sua maioria, não respondem às demandas e necessidades do setor. Outros dois pontos apontados como resistências para o desenvolvimento da educação no Brasil são a não-regulamentação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, e o pagamento dos profissionais inativos na rubrica do MEC.
A agenda dos próximos encontros já foi definida. No dia 29 de março, quando o fórum volta a se reunir, deverá estar pronta uma matriz preliminar da reforma. Os dirigentes das entidades assumiram o compromisso de enviar ao MEC propostas e projetos até o dia 20 de março.